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A Energisa venceu e Mato Grosso perdeu

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A recente decisão publicada no Diário Oficial da União, com base em despacho do Ministério de Minas e Energia, que autoriza a prorrogação da concessão da Energisa em Mato Grosso até 2057, representa uma derrota para o nosso estado. Isso porque o contrato iniciado em 1997, agora será estendido por mais 30 anos – um período extenso para uma concessão que, na prática, não tem acompanhado o ritmo de crescimento e desenvolvimento econômico de Mato Grosso.

Ao longo dos últimos meses, percorremos diversas regiões do estado, ouvindo a população, produtores, comerciantes e lideranças locais. Foram mais de dez audiências públicas realizadas pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) em municípios como: Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Tangará da Serra, Cáceres, Nossa Senhora do Livramento, Pontes e Lacerda, Confresa, entre outros. Em todos esses encontros, foi praticamente unânime a insatisfação com os serviços prestados pela concessionária.

Chegamos ao ponto de defender que fosse realizada uma nova licitação em nível nacional, o que garantiria a transparência, competitividade e a escolha de uma empresa com capacidade real de investimento. Infelizmente, essa alternativa não foi considerada pelos órgãos reguladores. A decisão tomada ignora as falhas identificadas, os relatos da população e o esforço institucional da Casa de Leis.

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A consequência dessa prorrogação é clara: Mato Grosso continuará enfrentando dificuldades no fornecimento de energia elétrica. Em muitas regiões, especialmente nas áreas rurais e de expansão agrícola, a energia não chega com qualidade. Em outras, as interrupções são frequentes e prolongadas, o que afeta diretamente a produção, o comércio e a qualidade de vida das famílias mato-grossenses.

O estado vive um momento de crescimento acelerado, com forte expansão do agronegócio e potencial industrial ainda a ser plenamente desenvolvido. No entanto, esse avanço depende de um insumo essencial: energia de qualidade, confiável e com preço justo. Hoje, Mato Grosso figura entre os estados com as tarifas mais elevadas do país, o que compromete a competitividade e afasta investimentos.

Outro ponto crítico é a ausência de universalização do sistema trifásico nos 142 municípios. Essa limitação técnica impede o avanço de atividades produtivas e restringe o desenvolvimento regional. Além disso, tivemos a percepção de que os investimentos realizados não acompanham as necessidades do estado, apesar da relevância econômica da operação em Mato Grosso para o grupo concessionário.

A Assembleia Legislativa fez sua parte. Consolidamos um documento técnico entregue ao Ministério de Minas e Energia, em Brasília, com propostas objetivas para um novo contrato mais rigoroso. Entre elas, destacam-se a exigência de investimentos robustos – estimados em R$ 10 bilhões nos primeiros cinco anos -, metas anuais auditáveis, ampliação da infraestrutura, melhoria no atendimento ao consumidor e criação de um comitê independente de acompanhamento com participação da sociedade.

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Também propusemos a regionalização dos indicadores de qualidade, limites mais rígidos para interrupções no fornecimento, manutenção preventiva mais eficiente e maior transparência na aplicação dos recursos. Essas medidas visavam garantir que a população mato-grossense tivesse, finalmente, um serviço à altura de suas necessidades.

Mato Grosso perde, porque precisa de uma concessionária preparada para acompanhar seu crescimento. Perde, porque a população continuará enfrentando tarifas elevadas e serviços inconsistentes. Perde, porque oportunidades de desenvolvimento podem ser comprometidas por uma infraestrutura energética insuficiente.

Sem dúvidas, este é um momento de consternação. Mas, também deve ser um ponto de reflexão e de continuidade na luta por melhorias. A sociedade mato-grossense já demonstrou que não está satisfeita e essa voz precisa continuar sendo ouvida.

Seguiremos vigilantes, cobrando investimentos, fiscalização rigorosa e respeito ao consumidor. Porque, acima de tudo, Mato Grosso merece mais.

Fonte: ALMT – MT

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Rota do Respeito amplia prevenção à violência contra a mulher em MT

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A Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso apresentou nesta segunda-feira (24), durante o programa Painel, da Rádio 89,5 FM, apresentado pelo jornalista Bruno Pini, o balanço das ações desenvolvidas pelo projeto Rota do Respeito no primeiro semestre de 2026, entre março e junho.

Participaram da entrevista o gerente da Procuradoria Especial da Mulher, Ítalo Guilherme, e a responsável pelo Grupo de Prevenção da PEM/ALMT, Dani Paula. Segundo eles, nesse período foram promovidas 18 atividades em diferentes regiões do estado, com cerca de 6 mil quilômetros percorridos para levar informação, conscientização e prevenção da violência contra a mulher.

Mais do que oferecer atendimento, a proposta da Rota do Respeito é fazer a prevenção chegar até as pessoas. Por meio de palestras, rodas de conversa, oficinas, capacitações e outras atividades educativas, o projeto aborda temas como identificação das diferentes formas de violência, respeito, fortalecimento das mulheres, cultura de paz e construção de relações mais saudáveis.

No primeiro semestre, a iniciativa esteve em Tangará da Serra, Rondonópolis, Feliz Natal, Pedra Preta, Cláudia, Poxoréu, Planalto da Serra e Nova Brasilândia. Em Cuiabá, foram realizadas ações em diferentes locais, incluindo o bairro Pedra 90. O projeto também promoveu uma atividade on-line em parceria com o Instituto de Cegos do Estado de Mato Grosso (ICEMAT).

A responsável pelo Grupo de Prevenção, Dani Paula, explica que o trabalho da Procuradoria envolve acolhimento psicossocial e orientação jurídica, mas também tem como eixo fundamental a educação para a prevenção.

Na Procuradoria, são realizados o acolhimento psicossocial e a orientação jurídica, além de ações educativas voltadas à população. “Nós falamos para o público masculino em um processo de conscientização mesmo, de ‘venha conosco’. Já para o público feminino, o foco é incentivar a percepção dos próprios limites, do corpo e dos primeiros sinais de violência”, afirmou.

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A Rota do Respeito, segundo ela, foi criada com o propósito de contribuir para uma mudança cultural. “A gente vem construindo algo que vai muito além do combate à violência contra a mulher. É uma mudança de pensamento, de comportamento e de atitude”, destacou.

A diversidade de públicos é uma das características da Rota do Respeito. Ao longo do primeiro semestre, as atividades alcançaram mulheres, mães atípicas, integrantes de grupos de apoio oncológico, policiais militares, estudantes universitários, servidores públicos, comunidades e profissionais que atuam nas Procuradorias da Mulher.

Os conteúdos são definidos de acordo com as necessidades de cada público e realidade local. Entre as atividades realizadas, estão palestras sobre autocuidado e fortalecimento da mulher, sororidade e empoderamento, cultura de paz e Comunicação Não Violenta (CNV), além de workshops sobre oratória em temas sensíveis e oficinas, como a “Entre Pedras e Balões”, voltada à reflexão e à prevenção de diferentes formas de violência.

Segundo Ítalo Guilherme, as atividades terão continuidade no segundo semestre. Em razão do calendário eleitoral, a programação está temporariamente suspensa e será retomada após as eleições, com ações voltadas à campanha Outubro Rosa.

“A gente tem algumas programações que nos solicitaram e vamos levar palestras às mulheres e aos homens até o final do ano. Já estamos com a agenda quase cheia”, explicou.

A interiorização é um dos principais eixos da Rota do Respeito. Ao levar ações preventivas aos municípios, a Procuradoria amplia o acesso à informação e cria espaços para discutir a violência antes que os casos evoluam para situações mais graves.

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A presença da equipe da PEM no interior também permite aproximar a Assembleia Legislativa das Câmaras Municipais, dos vereadores, dos servidores e das instituições que integram as redes locais de proteção. Essa articulação contribui para outro objetivo da Procuradoria: estimular a criação e o fortalecimento das Procuradorias da Mulher nas Câmaras Municipais.

Atualmente, segundo Ítalo Guilherme, a Procuradoria da Mulher está instalada em 50 Câmaras Municipais de Mato Grosso. “É um número expressivo. A gente fica feliz porque muitas das iniciativas, embora façamos esse trabalho de expansão, partem dos próprios vereadores. Em Pedra Preta, por exemplo, a Câmara é presidida por um vereador jovem e a implantação da Procuradoria foi uma iniciativa dele”, explicou o gerente da PEM.

As Procuradorias da Mulher nas Câmaras Municipais têm papel importante na ampliação das portas de acesso à informação e à rede de proteção. Por estarem presentes nos municípios, as Câmaras podem abrigar estruturas voltadas ao acolhimento, à orientação e ao encaminhamento das mulheres aos serviços especializados.

Essas Procuradorias não substituem delegacias, Defensoria Pública, Ministério Público, serviços de saúde ou assistência social. A função dessas estruturas é ampliar os canais disponíveis para que a mulher encontre orientação e seja encaminhada ao serviço adequado, além de desenvolver ações permanentes de prevenção e defesa dos direitos das mulheres.

A atuação da Rota do Respeito e o fortalecimento das Procuradorias da Mulher fazem parte de uma mesma estratégia: ampliar a prevenção e fortalecer a rede de proteção em Mato Grosso. Enquanto a Rota leva informação e ações educativas aos municípios, a expansão das Procuradorias contribui para aumentar a capilaridade dos espaços de orientação e encaminhamento.

Fonte: ALMT – MT

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