POLITÍCA MT
CST das Mudanças Climáticas discute situação das águas em Mato Grosso
POLITÍCA MT
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
A Câmara Setorial Temática criada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso para analisar e propor soluções estaduais para mudanças climáticas discutiu, na tarde desta segunda-feira (18), a situação das águas no estado.
Ao iniciar a reunião, o presidente da CST, deputado Júlio Campos (União), destacou o papel dos países e dos estados brasileiros, em especial de Mato Grosso, na mitigação das consequências geradas pelas mudanças climáticas.
“Todos os países signatários do acordo de Paris se comprometeram a reduzir as emissões em 43% até 2030, uma meta muito elevada, e também a dar andamento às ações de mitigação, o que envolve repensarmos a nossa relação com o uso do recurso hídrico. Mato Grosso é um dos poucos estados do Brasil a ser signatário individual do acordo de Paris, porém também é o maior emissor nacional de gases de efeito estufa em 2021. Teve 86,21% das emissões no brasil, segundo o Observatório do Clima. É para debater como podemos agir a esse grave cenário que estamos reunidos aqui hoje”, declarou.
O presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), Caiubi Kuhn, ressaltou o crescimento da produção de grãos registrado pelo estado, sobretudo nos últimos 30 anos, mas criticou o fato de o estado não possuir uma base sólida de dados pluviométricos.
“Para entendermos os padrões climáticos e tudo mais de uma região, precisamos entender o comportamento da chuva. A chuva é o primeiro ponto para entendermos esses rios, tanto os rios aéreos, como os rios superficiais e rios subterrâneos. Juntando essas três, conseguimos ter uma análise do balanço hídrico que é algo fundamental para se fazer a gestão dos recursos hídricos no estado. Quando a gente fala de mudanças climáticas, nós temos que ter séries históricas de 50, 100 anos, com bases sólidas que a gente possa comparar. Então, a análise do comportamento hídrico, é uma política de estado que precisa ser consolidada e que é fundamental para se entender a mudança climática”, frisou.
Caiubi defendeu que o estado utilize recursos do Fundo Amazônia para estruturação de uma política de acompanhamento do ciclo hídrico de forma completa. Apontou ainda a necessidade de envolver instituições locais, como a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) nas discussões acerca da política de recursos hídricos, bem como de fortalecer setores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para que seja feito acompanhamento dos dados pluviométricos e fluviométricos.
A presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera do Pantanal, Carolina Joana da Silva, apresentou informações acerca das transformações sofridas pela Baía de Chacororé ao longo dos anos e apontou alguns dos principais desafios existentes para a sua preservação. Entre eles, a ruptura de conectividade hidrológica, a substituição de pontes em córregos por manilhas, o desmatamento e a ocupação irregulares de Áreas de Preservação Permanente (APP), bem como a existência de fontes diferentes de aporte de água, de barragens nos corixos entre as baías e de hidrelétricas no rio Cuiabá.
“A Baía de Chacororé chegou em um ponto que, para recuperá-la, vai ser necessário realizar uma intervenção. Está sendo realizado um estudo para avaliar a possibilidade de remanejamento das águas do Manso e como seria esse nível de intervenção na dinâmica da operação da usina. A Baía não está morta, ela precisa de uma interferência para voltar a ser como antes ”, relatou.
O estudo, segundo Carolina Joana, é fruto de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Governo do Estado, Assembleia Legislativa, Ministério Público Estadual e Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Na oportunidade, a presidente do conselho também defendeu a apresentação de projeto de lei para instituição de uma política de educação climática para a população que residente na região do Pantanal.
Cesar Viana de Brum, secretário-adjunto de Proteção e Defesa Civil, apontou a implantação do Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres, a ampliação da rede de estações hidrometeorológicas automáticas, a emissão de alertas precoces de riscos de desastres e o mapeamento de áreas de riscos susceptíveis a enchentes, alagamentos e inundações como algumas das ações realizadas pela instituição em relação às mudanças climáticas.
Representante do Movimento de Defesa das Áreas do Pantanal e dos povos de São Lourenço, José Félix Campos destacou os prejuízos causados pela construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s) na região do município de Juscimeira e pediu que Assembleia Legislativa ajude a evitar a expansão de usinas.
A relatora da CST das Mudanças Climáticas, Josevane Reis da Fonseca, reforçou a importância da discussão do tema e afirmou que todas as sugestões apresentadas durante as reuniões serão compiladas e analisadas. “A função da CST é primeiro diagnosticar para depois apresentar propostas para solucionar as questões levantadas”, salientou.
Fonte: ALMT – MT
POLITÍCA MT
Wilson Santos quer apoio aos municípios e rigor na aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026 da educação infantil
Após promover audiência pública para debater a aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026, que reconhece os profissionais da educação infantil como integrantes do magistério público da educação básica, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) apresentou, nesta quarta-feira (24), em sessão plenária, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2026 com o objetivo de assegurar a efetivação dos direitos garantidos pela nova legislação em Mato Grosso.
A matéria proposta estabelece que os municípios deverão promover o devido enquadramento desses profissionais na carreira do magistério. Caso a legislação não seja cumprida, quando estiver em vigor, as contas anuais das prefeituras poderão ser reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). “Uma luta de décadas e temos que reconhecer todos os profissionais, independente da denominação, mas que atuam como professores na educação infantil, que deverão ser enquadrados como professores da rede municipal. O município que não o fizer, o Tribunal de Contas do Estado deverá reprovar as contas do prefeito. Essa será uma das penalidades com o descumprimento da lei quando estiver em vigor”, explicou o parlamentar.
Além da PEC, o parlamentar apresentou ao Governo de Mato Grosso a Indicação nº 2.009/2026, propondo a criação do Programa Estadual de Apoio à Adequação dos Planos de Carreira da Educação Infantil. A iniciativa pretende oferecer suporte técnico aos municípios para a implementação da legislação federal, por meio de orientações, modelos normativos, capacitações e acompanhamento institucional, garantindo segurança jurídica e uniformidade na aplicação da norma.
Legislação – A Lei Federal nº 15.326/2026 alterou a Lei nº 11.738/2008, que institui o Piso Nacional do Magistério, e a Lei nº 9.394/1996, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), assegurando o reconhecimento dos profissionais da educação infantil como integrantes do magistério público da educação básica.
Com a mudança, passam a ser considerados profissionais do magistério aqueles que exercem atividades de docência ou de suporte pedagógico na educação infantil, desde que possuam formação em magistério ou curso superior e tenham ingressado por concurso público.
A legislação também beneficia trabalhadores que, em diversos municípios, ainda ocupam cargos com nomenclaturas como educador infantil, agente de desenvolvimento infantil, monitor, recreador e outras denominações equivalentes. Na prática, esses profissionais passam a ter direito ao enquadramento na carreira do magistério, ao piso salarial nacional, aos planos de carreira e às demais garantias previstas em lei.
Apesar da vigência da norma federal, a Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais do Estado de Mato Grosso (FESSPMEMT) alertou, durante a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, que diversos municípios mato-grossenses ainda resistem à adequação da legislação. Segundo a entidade, a demora na implementação tem provocado insegurança jurídica, divergências administrativas e prejuízos aos profissionais da educação infantil.
A expectativa de Wilson Santos é de que as medidas legislativas propostas acelerem a adequação dos municípios, assegurando o cumprimento da legislação federal e a valorização dos profissionais que atuam na educação infantil em Mato Grosso.
Fonte: ALMT – MT


