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Secretário de Saúde fala sobre concurso de 2024
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Na manhã desta terça-feira (1), a Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso ouviu em audiência pública o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, sobre a situação dos concursados de 2024, que ainda não foram convocados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).
Durante a reunião, o secretário explicou as razões para os atrasos na convocação e destacou as medidas que estão sendo adotadas para resolver a situação e, com isso, garantir o fortalecimento da rede de saúde no estado. O concurso foi realizado em abril de 2024, e obteve o total de 33 mil inscrições. Das 406 vagas disponíveis, a SES já chamou 249 aprovados.
De acordo com o secretário Gilberto Figueiredo, a convocação gerou um impacto financeiro de 41,4 milhões ao orçamento da Secretaria de Saúde. Do total de 429 chamados, 216 servidores estão em efetivo exercício. “A medida que a secretaria necessitar vai nomear, mas de forma prudente. As nomeações dependem de avaliações de outras secretarias como, por exemplo, de Planejamento, de Fazenda e da Casa Civil. São elas que avaliam os impactos das nomeações”, explicou Figueiredo.
O secretário explicou que a nomeação dos aprovados no concurso de cadastro de reserva não é exclusiva da SES. Segundo ele, nasce na SES, mas depende de outras pastas para ser concretizada. “Por isso não vou dar a data e nem o dia da convocação, porque não depende de mim. Se dependesse, muitos seriam chamados. Não sou dono do Estado, não sou dono da SES, sou servidor de carreira”, disse Gilberto Figueiredo.
Foto: Luiz Alves/ALMT
O deputado Lúdio Cabral (PT) afirmou que em 2011 o déficit de servidores na SES era de 7.800 cargos vagos. Mas em 2019, de acordo com Cabral, o Ministério Público do Estado acionou o Estado para assinar um Termo de Ajustamento de Conduta para a realizar concursos públicos na SES.
“Mas a resposta do governo veio com a realização de um ‘concurso de cadastro de reserva’, em 2024. Mas apenas para 406 vagas. Isso representa 5% da necessidade que o Estado tinha em 2011. Cadastro de reserva é apenas expectativa de nomeação, não é direito líquido e certo para aqueles aprovados no concurso público”, explicou Lúdio Cabral.
Desde 2019, Lúdio disse que em todos os hospitais regionais, creca de 90% dos quadros de pessoa são contratados por processo seletivo ou por empresas terceirizadas. “A legislação estadual estabelece que os contratos temporários são emergenciais e há um limite na lei que é de 12%. Mas de agosto de 2024 até fevereiro de 2025 houve 680 contratações temporárias de enfermeiros. Tudo isso após a homologação do concurso de 2024”, explicou Cabral.
O presidente da Comissão de Saúde e Previdência, Paulo Araújo (PP), afirmou que a nomeação dos aprovados não é fácil para o Executivo estadual, porque depende de dotação orçamentária, mas que o governo vive um momento excepcional na arrecadação financeira para que o governo faça a nomeação à SES. Araújo disse que vai trabalhar para o governo prorrogar o certame.
“Acredito que, para 2025, vai haver um superávit muito grande, diante das condições econômicas, porque o agronegócio vai ‘bombar’. Por isso, o Estado vai arrecadar muito mais daquilo que está previsto dentro do orçamento. Assim como fez em anos anteriores. A Comissão de Saúde vai negociar de forma direta com o governador Mauro Mendes para o chamamento dos aprovados nesse último concurso”, afirmou Paulo Araújo.
No Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) desde 2008, a representante dos concursados, Joiele da Costa Amorim, disse que faltou ao governo do estado planejamento para a realização do concurso público. Segundo ela, não se constrói uma casa sem planejamento e muito menos sem pessoas dentro dela.
“Quando se fala em orçamento público, é como construir uma casa. Mas cadê o acabamento. Cadê os móveis para colocar dentro das unidades de saúde. Isso tem que estar no planejamento. Como constroem vários hospitais e não colocam no planejamento o pessoal que vai trabalhar. O pessoal ficou por último? Infelizmente somos os últimos no orçamento”, disse Joiele Amorim.
Outro que falou em nome da Comissão dos concursados foi Matheus Andrade. Segundo ele, há uma série de incoerências no planejamento do governo do estado para chamar os aprovados no concurso. Ele afirmou ainda que há um acordo entre o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o governo que solicita um estudo para dizer o que é demanda temporária e o que é demanda permanente.
“Mas até hoje eles não responderam. Hoje, os hospitais atendem demandas eletivas. Infelizmente há uma demanda muito grande de temporários na SES. Mas a lei de servidores de carreira de saúde estabelece que é no máximo de 12% de temporários em relação aos servidores efetivos. Hoje, existe o dobro de temporários em relação aos efetivos”, disse Andrade.
Em 2025, o governo fez duas convocações, totalizando 129 profissionais aprovados no concurso público da SES. De acordo com o governo, o certame teve o objetivo de compor um cadastro de reserva. Das 406 vagas, o governo já fez a convocação de 249 aprovados no concurso público.
A média mensal da folha de pagamento da SES é da ordem de R$ 95,3 milhões. Com a nomeação dos 249 servidores, o governo vai desembolsar por mês a quantia de R$ 3,452 milhões e, por ano, a despesa chega a casa dos R$ 41,4 milhões. Para área assistencial foram chamadas 190 pessoas e para área meio outras 59.
A prova foi aplicada em cinco polos de Mato Grosso: Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Sinop e Rondonópolis. Trinta e três mil candidatos estavam concorrendo a 406 vagas para cadastro de reserva em cargos de profissional técnico de nível médio e técnico de nível superior em Serviços de Saúde do SUS para atuarem nas unidades da SES.
Fonte: ALMT – MT
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Comissão de Fiscalização debate resultados do Relatório Anual de Gestão de 2025 em audiência pública
A Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO) da Assembleia realizou audiência pública para apresentação do Relatório Anual de Gestão (RAG) de 2025 na tarde desta quinta-feira (25). A exposição foi feita pelo representante da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Executivo estadual, Sandro Brandão.
O documento avalia anualmente a execução dos programas, indicadores e ações previstos no Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 e integra a prestação de contas do governo estadual. Durante a audiência, foram apresentados os resultados consolidados da gestão referentes ao exercício de 2025, abrangendo áreas como educação, saúde, infraestrutura, meio ambiente, segurança pública, transformação digital e responsabilidade fiscal.
Segundo Sandro Brandão, o relatório apresentado representa o acompanhamento de metade do ciclo do atual PPA e permite verificar o cumprimento das metas estabelecidas para o período. “A gente vai conseguir identificar as atividades, as ações e as entregas que foram realizadas no ano de 2025. É um acúmulo de um grande planejamento que é feito até 2027”, afirmou.
Brandão destacou que o documento demonstra como o Estado vem articulando políticas públicas para ampliar sua capacidade de entrega à população. “O que a gente vai mostrar é como o [governo do] estado criou capacidade envolvendo a articulação dessas políticas públicas para poder entregar valor para a sociedade”, explicou.
Entre os destaques apresentados estão os avanços na educação, apontada pelo secretário adjunto como uma das áreas de melhor desempenho do governo. Segundo ele, os resultados são consequência de um conjunto de ações voltadas à melhoria da infraestrutura escolar, qualificação dos profissionais e ampliação do acesso à tecnologia. “Hoje Mato Grosso está numa posição muito mais favorável do que quando nós iniciamos. É o resultado de todas as políticas que foram feitas na Secretaria de Educação”, avaliou.
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Os dados do relatório mostram que o governo alcançou 98% das metas dos indicadores estratégicos previstos para o período, executou 91% das ações planejadas e atingiu 97% de execução financeira dos recursos previstos para 2025. O documento também registra resultados em áreas como regularização fundiária, infraestrutura rodoviária e digitalização dos serviços públicos.
Presidente da comissão, o deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) destacou que o RAG é uma ferramenta essencial para acompanhar a execução do planejamento governamental. “O relatório apresenta para a sociedade quais são essas mudanças e qual é o rumo para os quatro anos de uma gestão. É assim que a sociedade vai acompanhando todos os resultados”, afirmou.
Avallone também ressaltou a importância do trabalho técnico desenvolvido pelas equipes de planejamento do Estado. “As pessoas não veem, não reconhecem, mas essas equipes trabalham pensando em como alcançar as metas anunciadas. Elas têm que colocar tudo isso no orçamento, em ações e metas, e fazem isso com muita competência”, declarou.
O parlamentar ainda destacou o esforço para aproximar a população das discussões orçamentárias. Segundo ele, iniciativas como o Orçamento Mulher ajudam a tornar um tema técnico mais acessível. “O orçamento é uma peça muito distante da sociedade. O que nós temos tentado fazer é transformar uma peça técnica em um entendimento popular, para que as pessoas possam participar mais dela”, disse.
A audiência contou com a participação de representantes da sociedade civil. A presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica, Tânia Regina de Matos, apresentou questionamentos relacionados ao Orçamento Mulher e às políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Segundo ela, o interesse pelo tema surgiu após um processo de capacitação voltado ao controle social do orçamento público. “Nós buscamos entender o orçamento para que as mulheres pudessem dominar essa ferramenta e exercer efetivamente o controle social”, explicou.
Tânia afirmou que, após a análise prévia do relatório, o grupo identificou pontos que merecem maior esclarecimento. Entre eles, os indicadores relacionados à violência de gênero. “O feminicídio foi o único indicador que aumentou. Não faz sentido um estado que se diz campeão de prosperidade não planejar políticas públicas, ou planejar mal políticas públicas, para diminuir a violência contra a mulher”, argumentou.
Ela também relacionou o debate aos avanços registrados na área da educação e defendeu a criação de indicadores que permitam medir os resultados das ações de conscientização nas escolas. “A gente quer saber qual vai ser o indicador de que realmente essa temática está sendo absorvida pelos alunos das escolas públicas aqui do Estado de Mato Grosso”, questionou.
Transparência – Outro destaque da audiência foi a apresentação de uma plataforma digital baseada em inteligência artificial, desenvolvida pela Seplag para facilitar o acesso da população ao conteúdo do relatório. De acordo com Brandão, a ferramenta permite que qualquer cidadão consulte informações sobre políticas públicas em linguagem simples. “Qualquer cidadão mato-grossense pode perguntar o que foi feito para as mulheres, para os idosos, para a saúde ou para determinada região, e a plataforma apresenta essas informações de forma simples e acessível”, explicou. Acesse neste link.
Brandão definiu o Relatório Anual de Gestão como uma das principais ferramentas de avaliação da administração estadual. “O RAG fecha o ciclo do planejamento. Ele mostra o que foi planejado, o que recebeu orçamento e o que efetivamente foi realizado. É, na minha opinião, o documento mais importante que o governo entrega à sociedade”, concluiu.
Fonte: ALMT – MT


