POLITÍCA NACIONAL
Debatedores apoiam a criação do Sistema Nacional de Educação, mas cobram ajustes em propostas
POLITÍCA NACIONAL
Debatedores defenderam nesta terça-feira (5), durante seminário na Câmara dos Deputados, a aprovação de proposta que institui o Sistema Nacional de Educação (SNE). Embora favoráveis, todos cobraram ajustes na versão em análise.
O evento foi sugerido pelo deputado Rafael Brito (MDB-AL), relator na Comissão de Educação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 235/19, do Senado e outras sete iniciativas semelhantes. Ele pediu que as sugestões sejam enviadas por escrito.
“Não temos mais muito tempo para esgarçar a discussão, está na hora de votar, é o momento de resolver de uma vez por todas essa pendência, que o Congresso Nacional tem para com o Brasil desde a Constituição de 1988”, disse o relator.
As propostas de SNE buscam alinhar, harmonizar e articular políticas e programas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Entre outros pontos, tratam ainda da normatização, da avaliação e do financiamento da educação.
“Temos milhares de escolas, milhões de estudantes e uma legislação sólida, mas falta um sistema que organize responsabilidades, distribua recursos com justiça e promova a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios”, disse o ex-deputado Israel Batista (DF), integrante do Conselho Nacional de Educação. “É por isso que o SNE se impõe como uma necessidade histórica”, comentou ele.
Durante o debate, integrantes dos conselhos de educação estaduais, distrital e municipais solicitaram que essas instituições normativas tenham participação e voz nas instâncias do SNE, além de manter atribuições que possuem atualmente.
Universidades federais e institutos de ensino científico e tecnológico cobraram um reforço na autonomia para escolha de reitores e a garantia de verbas. Além de recursos, as universidades estaduais e municipais pediram reconhecimento.
Particulares
Apesar de favoráveis à criação do Sistema Nacional de Educação, representantes de universidades e escolas particulares voltaram a defender nesta terça-feira que as iniciativas do Congresso Nacional enfoquem apenas a educação básica pública.
“Eu defendo que a educação superior não integre o SNE porque já temos um sistema regulatório próprio”, explicou a presidente do Conselho Deliberativo da Associação das Universidades Particulares (Anup), Elizabeth Guedes.
“O SNE perderá energia, eficácia e resultados se ocupando de educação superior. O ponto nevrálgico hoje no Brasil é formação de professores, é desde a educação infantil até o final do ensino médio, e essa deve ser a prioridade”, continuou ela.
Já o promotor de Justiça Lucas Carneiro, da Comissão Permanente de Educação do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), alertou que uma eventual exclusão do setor privado do SNE tornará qualquer proposta inconstitucional.
Reportagem – Ralph Machado
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Conselho de Ética aprova 60 dias de suspensão para três deputados por ocupação do Plenário
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).
Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.
Durante a ocupação, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.
Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.
Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.
As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.

Defesa de Zé Trovão
Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. “O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”
Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.
O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.
Defesa de Marcel van Hattem
Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de “perseguição política” e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.
Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma “punição política”.

Defesa de Marcos Pollon
Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como “ilegais” e o cenário jurídico atual do Brasil como um “estado de exceção”. “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.
Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.
Debate
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”.
Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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