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POLITÍCA NACIONAL

Homenagem aos físicos inclui defesa de mais investimentos em C&T e educação

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O Senado promoveu nesta segunda-feira (26) sessão especial para homenagear os físicos — já que na semana passada, em 19 de maio, foi comemorado o Dia do Físico. Durante a sessão, senadores e convidados defenderam mais investimentos em ciência e tecnologia, além de uma maior disseminação do ensino de física em escolas e universidades.

A homenagem aconteceu a pedido do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que foi ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações. 

— O que distingue os países desenvolvidos não é língua, não é posição geográfica, não é cultura, não é religião, nada disso. O que distingue é o bom senso em investir, de forma consistente e em nível adequado, no desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação no país, assim como na educação focada e no ambiente de negócios para que as empresas de tecnologia floresçam — declarou ele, acrescentando que, além disso, é necessário haver “empregos para que as pessoas formadas na área possam trabalhar”.

Pontes é autor de duas propostas de emenda à Constituição que beneficiam a área: a PEC 31/2023, que prevê o aumento gradual dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação até que os investimentos atinjam, no mínimo, 2,5% do PIB a partir de 2033; e a PEC 26/2025, que proíbe o contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que é preciso fazer uma revolução na educação para que haja incentivo à ciência e à tecnologia. Ao defender mais investimentos no setor, ele disse ser “brincadeira” o valor de apenas R$ 2,5 mil para uma bolsa de dedicação integral pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

— Nós precisamos popularizar a ciência. Ninguém sabe para que serve a ciência, o que é a ciência. Os jovens não têm a mínima noção disso, porque em muitas escolas não há mais laboratórios de ciência, não há internet, não há esporte, não há cultura — disse Izalci.

Física

Marcos Pontes salientou que a física é mais do que uma disciplina acadêmica: “É progresso e desenvolvimento social”. E que está presente em toda parte: na radioterapia, no para-raios, no laser, no radar, no GPS, no circuito integrado, na internet, na telefonia celular, no aparelho de micro-ondas, na máquina de ressonância magnética “e em muitas outras coisas que, além de facilitar a vida, também salvam vidas”.

O senador homenageou físicos brasileiros como César Lattes, Marcello Damy, José Leite Lopes, Jayme Tiomno, Mário Schenberg, Joaquim da Costa Ribeiro e Sonja Ashauer (que foi a primeira brasileira a concluir um doutorado em física no Brasil, abrindo caminhos para a presença feminina na ciência brasileira).

— Celebramos mentes, mentes brilhantes dedicadas ao avanço e à transformação do mundo por meio da ciência. Celebramos a vida daquelas pessoas que investigam os mistérios do universo e salvam vidas por meio do conhecimento. (…) Meu desejo é que a nobre comunidade científica brasileira seja cada vez mais prestigiada pela atenção deste Parlamento e dos nossos governantes, e que possa levar adiante projetos importantíssimos para o Brasil, como, por exemplo, o do acelerador de partículas Sirius, da Universidade de Campinas, principal projeto de pesquisa do governo federal — destacou Marcos Pontes.

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Comunidade científica

Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão ressaltou que a ciência brasileira também enfrenta outros problemas, além das questões orçamentárias, como o relacionado à área de colaborações internacionais.

Ele explicou que o CNPq tem uma cota que permite a redução do imposto a pagar por equipamentos científicos. Essa cota era de US$ 400 milhões, mas neste ano foi reduzida para US$ 220 milhões.

— Essa redução, desculpem-me, mas é de uma estultice paradigmática. Isso são recursos que o governo dá para que se faça pesquisa, e cobra a importação depois. Não tem sentido! Isso está impossibilitando desenvolvimentos importantíssimos para o país — protestou Galvão.

O presidente do CNPq também enfatizou a necessidade de que a “semente da física” seja colocada na alma do jovens:

— Nós temos de ter, cada vez mais — e também aí, neste ponto, o Congresso é muito importante —, iniciativas para estimular nos jovens o apreço pela ciência. Não só eventos, demonstrações, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e todas as outras; temos também de fornecer bolsas para estudantes do ensino médio se dedicarem à ciência — argumentou ele.

Diretora do CNPq, Débora Peres Menezes ressaltou que a física é fundamental para o desenvolvimento sustentável e para a economia do país. Ela lembrou que dados do Censo da Educação Superior apontam que, no ano de 2019, o Brasil formou 2,4 mil professores de física e quase 30 mil professores de educação física. Para ela, isso é “um retrato que faz parecer que as academias de ginástica têm mais valor, no Brasil de hoje, do que o ensino de ciência nas escolas”.

— O Dia do Físico nos ajuda a lembrar da importância do investimento em ciência básica e na formação de professores capacitados, para não desestimular a curiosidade de nossas crianças, curiosidade fundamental na vida dos cientistas — declarou ela.

A diretora também enfatizou a importância da participação feminina na ciência:

— Percebendo que a física está caminhando para ser mais inclusiva com os grupos sub-representados, mas que ainda há muito a avançar, finalizo com uma frase de uma das muitas mulheres incríveis que contribuíram de forma indiscutível para o conhecimento da ciência que temos hoje, Madame Marie Curie, que falou: “Na vida não há nada a temer, mas a entender. E, para isso, a física é a mais nobre das ciências”.

A Sociedade Brasileira de Física (SBF), fundada há quase seis décadas, tem como missão promover o avanço da física no Brasil, estimular o ensino de qualidade, apoiar a pesquisa cientifica e contribuir para a formação e a formulação de políticas públicas baseadas em evidência. Nessa linha, o presidente da SBF, Rodrigo Capaz, também fez coro à defesa dos investimentos em educação: ele disse que “o ensino de física na educação básica precisa ser encarado como prioridade estratégica”.

— A recente reforma do ensino médio e as alterações na base comum curricular têm provocado grande apreensão na comunidade científica. É fundamental que mudanças no ensino de física no nível médio e na formação dos professores sejam feitas com extrema cautela, ouvindo especialistas no ensino de física, sob pena de comprometermos o futuro do país — alertou ele.

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O diretor-substituto do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), João Paulo Sinnecker, afirmou que, para apresentar resultados transformadores, a ciência deve ser priorizada como uma política do Estado, “com investimento contínuo, planejado, estratégico e institucional”.

— Isso exige fortalecimento do próprio Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação; de sua sua estrutura, suas políticas, suas equipes técnicas e suas unidades de pesquisa e instituições vinculadas — frisou Sinnecker.

O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Forças Armadas

Diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer), o tenente-brigadeiro do ar Vincent Dang destacou “o essencial papel da física e de seus estudiosos para o progresso e para a independência científica da nação”.

Ele homenageou homens e mulheres que dedicaram suas vidas à experimentação, em especial Alberto Santos Dumont, considerado o pai da aviação e patrono da aeronáutica brasileira, “físico por vocação e inventor por convicção”.

— Atualmente, a Força Aérea Brasileira desempenha papel fundamental em áreas diretamente ligadas à física, como é o caso do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, de onde, recentemente, foi lançado o VSB-30, o primeiro foguete suborbital inteiramente produzido no Brasil — ressaltou ele.

Já o responsável pela Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, o almirante de esquadra Alexandre Rabello de Faria, salientou que nos anos 80 a atuação dos físicos brasileiros foi de grande relevância em projetos estratégicos do programa nuclear da marinha — que, explicou ele, tem por objetivo projetar, construir e operar submarinos com propulsão nuclear.

— Ao desvelar os princípios essenciais dos fenômenos naturais, os físicos contribuem de maneira decisiva para o avanço do conhecimento e para o desenvolvimento de diversas áreas do saber, entre as quais a engenharia, a medicina e a química. São esses fundamentos que possibilitam o desenvolvimento de aplicações práticas, traduzidas em tecnologias e soluções que promovem o bem-estar da sociedade e impulsionam o progresso científico e tecnológico — afirmou o representante da Marinha.

Voto de louvor

Ao final da sessão, o senador Marcos Pontes apresentou voto de louvor aos já falecidos Ronald Cintra Shellard, “por sua inestimável contribuição à ciência brasileira e ao desenvolvimento da física de altas energias no país” (REQ 390/2025), e Rogério Cézar de Cerqueira Leite, “pelo reconhecimento à sua inestimável contribuição à ciência, em especial à física brasileira, bem como ao desenvolvimento de centros de excelência científica e à formação de gerações de pesquisadores” (REQ 391/2025).

Também participaram da sessão especial o presidente da Associação Brasileira de Física Médica (ABFM), Angel da Silva Martinez, e o diretor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), Olavo Leopoldino Filho.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Senado Verifica reforça atuação contra desinformação nas eleições deste ano

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A circulação de vídeos manipulados, áudios clonados, conteúdos fora de contexto e falsas denúncias torna o enfrentamento à desinformação um dos principais desafios das eleições deste ano. Com o avanço da inteligência artificial e o aumento do consumo de notícias pelas redes sociais, conteúdos enganosos alcançam diferentes públicos e se tornam cada vez mais difíceis de identificar.

Nesse cenário, garantir a integridade das eleições também significa assegurar que o cidadão tenha acesso a informações confiáveis para exercer livremente o direito ao voto. O Senado participa desse esforço por meio do Senado Verifica, serviço oficial da Casa de combate à desinformação.

Criado em 2020, o canal recebe dúvidas dos cidadãos, verifica afirmações, consulta fontes oficiais e áreas técnicas e apresenta os esclarecimentos em linguagem simples. Entre os materiais analisados pela equipe do Senado Verifica estão publicações sobre o processo de votação, regras eleitorais e a escolha dos representantes para o Senado.

Parceria com o TSE

Desde 2022, o Senado faz parte do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral, que tem como referência um protocolo de intenções firmado com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A iniciativa busca ampliar a divulgação de informações seguras sobre, por exemplo, urnas eletrônicas, fiscalização do processo eleitoral, apuração dos votos e normas que orientam as campanhas.

Gestora do Núcleo de Assessoria de Imprensa do Senado, Ester Monteiro explica que essa cooperação ocorre principalmente em duas frentes:

  • o monitoramento de conteúdos enganosos e o atendimento às dúvidas da população;
  • a educação midiática (com a produção de reportagens, entrevistas, podcasts e vídeos educativos).

— Nosso objetivo não é apenas desmentir uma informação depois que ela viraliza, mas preparar o cidadão para reconhecer estratégias de manipulação e avaliar a autoria, as evidências e o contexto antes de compartilhar — destaca ela.

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Inteligência artificial

Nas eleições de 2026, uma das principais preocupações é o uso indevido da inteligência artificial. Áudios clonados, vídeos manipulados e imagens sintéticas podem ser utilizados para atribuir a candidatas ou candidatos falas ou situações que nunca ocorreram.

As regras do TSE determinam que conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial na propaganda eleitoral devem ser claramente identificados como tais. Além disso, proíbem o uso de deepfakes (vídeos ou áudios gerados por inteligência artificial que imitam pessoas reais) para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Essas normas também impedem que sistemas de inteligência artificial recomendem, sugiram ou priorizem candidatos, partidos, federações ou coligações.

Onde consultar informações verificadas?

A Justiça Eleitoral ampliou a parceria com plataformas digitais e reformulou a página Fato ou Boato, que reúne checagens e materiais educativos produzidos por instituições e agências parceiras.

O Senado Verifica também responde a dúvidas da população e esclarece informações relacionadas ao Senado e ao processo eleitoral. Mas esse serviço não substitui a Justiça Eleitoral, não investiga crimes e nem aplica sanções. Mande sua dúvida pelo WhatsApp: (61) 98190-0601.

Onde denunciar conteúdos suspeitos?

Conteúdos falsos, manipulados ou fora de contexto que possam comprometer a integridade das eleições podem ser encaminhados para o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral do TSE.

Já as denúncias sobre propaganda eleitoral irregular, nas ruas ou na internet, devem ser enviadas para o Pardal (também do TSE). Sempre que possível, o cidadão deve preservar o link da publicação, registrar a tela e anotar a data, o horário e o perfil responsável.

Antes de compartilhar, verifique

O combate à desinformação também depende da sua participação. Mensagens alarmistas, sem autoria ou que peçam compartilhamento urgente exigem atenção redobrada.

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Antes de encaminhar esse tipo de mensagem, siga este passo a passo:

  • veja quem produziu o conteúdo;
  • busque a fonte/publicação original;
  • confira a data da postagem e o contexto;
  • consulte as fontes oficiais (página ou perfil oficial informado pelo candidato/partido);
  • confira o site do Tribunal Superior Eleitoral: tse.jus.br.

Combater a desinformação não significa impedir críticas, opiniões ou divergências. Significa proteger o direito de cada pessoa de participar do debate público e escolher seus representantes com base em informações confiáveis.

Neste ano, quando escolhermos dois senadores (ou senadoras) por estado e pelo Distrito Federal, esse cuidado é essencial para preservar a liberdade do voto e a integridade das eleições.

Fato ou boato? Veja aqui as últimas checagens publicadas pelo TSE

– É falso que ministros tenham autorizado redes sociais a descumprir ordens da Justiça nas Eleições 2026

 É falso que Eleições 2026 terão novas urnas; presença de observadores internacionais e abertura de código-fonte também não são novidade

– Abertura do código-fonte é realizada desde 2002; ato não é responsabilidade direta do ministro André Mendonça

– Ministros Barroso e Moraes não mandaram fabricar chips em Taiwan para fraudar urnas eletrônicas

– É mentira que mesários votam na urna eletrônica no lugar de eleitores

– É falso que 811 mil chineses poderão votar nas eleições brasileiras

– TSE alerta para golpe com cobrança para regularização de pendências eleitorais

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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