POLITÍCA NACIONAL
Mineração é essencial na transição energética, apontam debatedores
POLITÍCA NACIONAL
Em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR), na terça-feira (17), representantes do poder público e do setor privado de mineração afirmaram que a extração de minerais é essencial para a transição energética, mas, segundo eles, no Brasil, falta apoio público suficiente para isso.
A reunião atendeu a requerimento da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), presidente da CDR (REQ 20/2025 – CDR). Dorinha afirmou que um orçamento baixo para a atuação estatal no setor “beira à falta de lógica”. É o caso, segundo ela, dos recursos destinados ao Serviço Geológico do Brasil (SGB), empresa estatal de mapeamento de minerais no país, considerados baixos pela senadora.
— É um potencial de grande riqueza que não é enxergado como estratégico. O retorno [do investimento] é seguro para os estados. Hoje o Tocantins tem cinco membros na Comissão de Orçamento. Inclusive, eu estou na Comissão, para que a gente possa tentar ajudar, mas entendo que isto aqui é estratégico para o país — disse a senadora.
Transição energética
O diretor de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Rodrigo Toledo Cabral Cota, explicou que os chamados minerais críticos são essenciais para a fabricação de baterias e motores elétricos, por exemplo. Segundo ele, o Brasil tem reservas estratégicas de seis dos minerais, que têm a produção atual principalmente na China. Segundo Cota, a demanda por minerais tenderá a buscar a produção de outros países.
— O Brasil quer e vai atender à demanda global por minerais estratégicos. Existe uma busca dos países ocidentais por diversificação geográfica dessa indústria de refino, para que a gente tenha cadeias de valor cada vez mais resilientes e sustentáveis. Pouquíssimas empresas no mundo estão dispostas a fazer esse processamento, porque a indústria chinesa é muito forte, tem uma escala enorme, tem preços muito baixos, e isso significa que, para a gente desenvolver isso, a gente precisa dar apoio público a essa indústria — disse.
Cota apresentou os seguintes minerais como estratégicos para o Brasil contribuir para a transição energética, inovações tecnológicas e outras atividades econômicas que se utilizam dos recursos:
- Cobre: maior gargalo da transição energética. A demanda insuficiente já poderá ser sentida a partir de 2030;
- Lítio: utilizado na fabricação dos polos positivos das baterias, o mineral terá aumento de demanda a partir de 2030, sem expectativa de crescimento de produção;
- Níquel: também utilizado na fabricação dos polos positivos das baterias, com expectativa de aumento de demanda a partir de 2030. O Brasil possui a terceira maior reserva de níquel do mundo;
- Grafita: utilizado na fabricação dos polos negativos das baterias, o aumento de produção será insuficiente para acompanhar a demanda após 2030. O Brasil possui a segunda maior reserva do planeta;
- Terras raras: utilizado em motores elétricos, no setor espacial e de robótica. A produção será suficiente para a demanda. No entanto, a China produz mais de 75% e restringe sua exportação. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo;
- Cobalto: também utilizado na fabricação dos polos positivos das baterias, deve ter menor extração a partir de 2035.
Tempo limitado
Diretor-geral substituto da Agência Nacional de Mineração (ANM), Tasso Mendonça Júnior explicou que todo o processo de autorização para permitir a exploração dos minérios (que são bens da União) por empresas privadas costuma demorar mais de dez anos. Mendonça afirmou que o órgão, responsável pela regulação do setor, investe na simplificação de processos de licenciamento, registro de extração e concessão de lavra. Ainda assim, para ele, será um desafio o país se aproveitar do potencial mineral no contexto da transição energética.
— Como atender à crescente demanda desses minerais a tempo, considerando projeções e metas climáticas para horizontes de curto e médio prazo? Se considerar que um empreendimento mineral demora 15 anos para, se a gente não acelerar o nosso processo de autorização, concessão, início de lavra e desenvolvimento da mina, nós vamos perder o bonde.
Mendonça ainda criticou o baixo orçamento do órgão para realizar suas atividades de fiscalização e regulação. Segundo ele, o órgão conta com R$ 115 milhões para 2025, dos quais R$ 28 milhões tiveram uso bloqueado (contingenciamento) para o governo cumprir a meta fiscal, e deve terminar o ano com déficit em suas contas.
Poucos recursos
O representante do SGB Francisco Valdir Silveira afirmou que a estatal possui apenas 577 geólogos responsáveis por mapear todo o território nacional. Ele afirmou que, antigamente, os estados possuíam suas próprias entidades do gênero, mas, atualmente, a atividade fica a cargo apenas do SGB.
— Sem orçamento, não se faz [o trabalho]. Temos uma licitação em vigor para a gente fazer [o mapeamento de] um milhão de quilômetros para a gente avançar no conhecimento e, pasmem, nós não temos orçamento para executar. A gente não pode nem pedir mobilização para a empresa vir para iniciar o trabalho.
Silveira afirmou que a empresa, que depende dos recursos da União para se sustentar, é responsável pelos primeiros passos nos estudos que viabilizaram a exploração mineral de uma área. Além disso, a SGB aplica conhecimentos geológicos para o meio ambiente e para a prevenção de riscos geológicos, entre outras frentes de atuação.
A diretora-presidente da Companhia de Mineração do Tocantins (Mineratins), empresa estatal do estado, sugeriu que a existência de um ministério específico para a mineração no governo federal poderia levar mais recursos e visibilidade para o setor.
Empresas privadas
Representante do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Cinthia Rodrigues criticou os impostos sobre o setor. Ela afirmou que há casos de estados e municípios que criam efeitos multiplicadores para as taxas de fiscalização de mineração (TFRM) já cobradas. Rodrigues apontou que o crescimento do setor também significará, automaticamente, aumento na arrecadação de impostos.
— É uma crescente: se você tem um faturamento crescente para mineração, eu tenho certeza que a arrecadação de tributos acompanha. Uma coisa está totalmente ligada a outra. Não queremos exportar imposto, queremos ser competitivos globalmente — disse.
Rodrigues também apontou como prejudiciais projetos de leis como o PL 3.707/2024, que aumenta a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) distribuída aos estados e municípios, e a criação do Imposto Seletivo na reforma tributária, que cobrará até 0,25% sobre minérios.
Também participaram da audiência pública o representante do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Minas e Energia (FNSME), Antônio Rocha, e o presidente da Agência de Mineração do Estado do Tocantins (AME-TO), Milton Neres de Santana.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLITÍCA NACIONAL
Congresso derruba veto e possibilita redução de penas pelo 8 de janeiro
Condenados nos atos de 8 de janeiro de 2023 poderão ser beneficiados com redução de penas e flexibilidade na progressão da pena — a possibilidade de transferência gradual do regime fechado para o aberto. É o que decidiu nesta quinta-feira (30) o Congresso Nacional ao derrubar parcialmente o veto da Presidência da República (VET 3/2026) ao chamado PL da Dosimetria (PL 2.162/2023), do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). O texto vai à promulgação.
Foram 49 senadores e 318 deputados favoráveis à derrubada, o que fará com que o texto vetado pelo presidente Lula passe a ser lei. Para derrubar um veto presidencial são necessários os votos contrários da maioria absoluta de ambas as Casas, isto é, de 257 deputados e 41 senadores.
A votação começou pela Câmara. O placar foi 318 (não) contra 144 (sim), com 5 abstenções. Na sequência, foi a vez dos senadores: 49 votaram “não” (pela derrubada), 24 votaram “sim” (pela manutenção do veto).
Os parlamentares analisaram apenas parte do veto, pois interpretou-se que a transformação em lei do PL da Dosimetria na íntegra poderia anular parte da Lei Antifacção (Lei 15.358/2026), sancionada em março.
Durante a sessão, senadores e deputados discutiram principalmente as condenações feitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e as tensões do novo texto com a Lei Antifacção — que endureceu a progressão da pena em crimes hediondos e violentos. Apesar do foco dos parlamentares no debate sobre os atos de 8 de janeiro, a nova norma, em tese, poderia beneficiar futuros infratores.
Redução de pena
Quando os crimes de golpe de Estado forem praticados “em contexto de multidão”, pelo texto, o juiz reduzirá a pena entre um terço e dois terços. O mesmo vale para o crime de “abolição violenta do Estado democrático”. Em ambos os casos, o infrator não pode ter financiado ou exercido papel de liderança.
O senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou que o STF julgou os envolvidos nos atos para “garantir a condenação”, chamada de excessiva por ele.
— Pessoas receberam pena de 14 a 16 anos por estarem no dia 8 de janeiro na Praça dos Três Poderes. Ninguém concorda com invasão de prédio público, mas também não pode haver uma condenação dessas pessoas que não quebraram um copo d’água.
Transição para liberdade
Quem cometer crimes contra o Estado democrático de direito poderá ter progressão após cumprir um sexto da pena, se houver bom comportamento.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o relator do PL da Dosimetria no Senado, senador Esperidião Amin (PP-SC), defenderam a aprovação e afirmaram que o texto é o primeiro passo e que vão seguir batalhando pela anistia geral.
— Esse é o primeiro passo necessário e muito aguardado pelos mais aflitos. Nós queremos prosseguir a caminhada. A próxima etapa é a anistia. E depois a revisão do inquérito do 8 de janeiro — afirmou Amin.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) avaliou que diversos presos do 8 de janeiro já estarão habilitados a deixar a prisão.
— [A norma] vai fazer com que muitas famílias possam voltar para casa e reconstruir suas vidas. A solução ideal seria a anistia, mas não deu para aprovar.
São 413 pessoas presas preventivamente e 111 presas definitivamente no regime fechado, segundo relatório de abril do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o 8 de janeiro. O regime fechado representa a grande maioria dessas prisões.
Soma das penas
O texto proíbe a soma das penas nos crimes contra as instituições democráticas previstos no Código Penal. Para ser beneficiado, o infrator deve ter os crimes no mesmo contexto. Assim, quem tentar abolir o Estado democrático de direito e, ao mesmo tempo, tentar depor o governo receberá apenas a pena mais elevada, com um aumento proporcional.
Atualmente, o juiz pode somar penas de diferentes crimes cometidos por meio de uma única ação, caso praticada com essa intenção. Também é possível somar penas de crimes cometidos mediante mais de uma ação. Foi o que os ministros do STF fizeram com os condenados pelos atos de 8 de janeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As novas regras em benefício do réu valem inclusive para aqueles que já foram condenados definitivamente pela Justiça.
Anistia
O senador Rogerio Marinho (PL-RN) afirmou que os condenados de 8 de janeiro “foram à praça pública mostrar descontentamento”, mas “que descambou para a depredação”. Para o líder da oposição no Senado, a anistia na ditadura militar já beneficiou aqueles que hoje são contra o PL da Dosimetria.
— [Foram] beneficiados por assalto a banco, por sequestro, por pegar em armas contra o governo daquela ocasião… E assacam a dosimetria e anistia para idosos e mulheres.
Já o líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), apontou que os atos de 8 de janeiro representaram a “acumulação de um processo golpista”. O senador classificou de “triste tradição” a tentativa de anistiar “quem atenta contra a democracia”.
— A nossa democracia está sendo julgada na apreciação desse veto. O que aconteceu, presidente, no 8 de janeiro, aqui, não foi um passeio no parque, foi a culminância de um processo golpista. O que querem não é beneficiar aqueles que atentaram contra o Estado democrático de direito, utilizados como boi de piranha no 8 de janeiro. Querem, na prática, caminhar para uma anistia— disse.
Remição
Pessoas em prisão domiciliar poderão utilizar o trabalho como forma de reduzir a pena a ser cumprida — a chamada remição. Atualmente, apenas o estudo pode remir a pena na modalidade domiciliar, segundo publicação de 2023 da Defensoria Pública do Distrito Federal sobre execução penal. O texto altera a Lei de Execuções Penais e o Código Penal.
Trecho retirado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retirou da votação trechos que facilitariam a liberdade de condenados por crimes hediondos, comando de milícias e feminicidas e que contradiziam a Lei Antifacção, que, desde março, passou a exigir que condenados nesses crimes passem mais tempo em regimes mais severos antes de migrar para os mais brandos. Já o PL da Dosimetria é um projeto mais antigo e repetia os percentuais anteriores. Para comando de facções criminosas, por exemplo, o cumprimento mínimo seria de 50% no regime mais rigoroso, em vez dos atuais 75%.
Para Alcolumbre, os parlamentares não desejavam flexibilizar a progressão de pena.
— Este cenário representaria uma invalidação da recente manifestação de vontade do Congresso, bem como significaria um passo atrás nas ações de combate à criminalidade, em especial ao feminicídio e ao crime organizado.
Deputados governistas, que defenderam a manutenção do veto, pediram que o texto fosse analisado inteiramente, o que foi recusado por Davi.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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