POLITÍCA NACIONAL
UIP enviará delegação ao Brasil para tratar de restrições a direitos de Marcos do Val
POLITÍCA NACIONAL
Após análise das denúncias feitas pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES) à União Interparlamentar (UIP), a organização decidiu enviar uma delegação ao Brasil para visitar as autoridades envolvidas e intermediar uma resolução rápida para o caso. Marcos do Val relatou à UIP estar há quase dois anos com restrições ao exercício de seu mandato. As limitações são decorrentes de decisões judiciais que determinaram suspensão de seu salário, bloqueio de redes sociais e apreensão de passaporte. As medidas foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto envolvimento do senador com atos antidemocráticos e fake news.
Em sua decisão de vir ao Brasil, a UIP reconheceu as preocupações crescentes do senador com questões que envolvem os limites institucionais da atuação dos Poderes Judiciário e Legislativo no país. A organização também reconheceu que as autoridades do Legislativo brasileiro têm agido de forma diligente na garantia das prerrogativas constitucionais do senador.
Em entrevista à Agência Senado na quarta-feira (14), o senador informou que a UIP defende os direitos humanos de parlamentares em todo o mundo:
— Eles souberam do meu caso e começaram uma investigação em 2023, concluíram agora em abril que houve uma série de violações de direitos humanos que o ministro Alexandre de Moraes cometeu. Uma comitiva virá ao Brasil e isso é raríssimo de acontecer, só acontece quando o caso é grave — disse o senador.
De acordo com a decisão, tomada na assembleia de número 150 da entidade, no começo de abril, a UIP diz esperar que as autoridades brasileiras ajudem na “resolução satisfatória deste caso, em consonância com os valores democráticos universais fundamentais que unem todos os membros da comunidade interparlamentar; e espera receber sugestões de datas para que as autoridades parlamentares brasileiras possam receber uma visita do comitê”.
— Eles seguem primeiro o passo diplomático e, depois, caso não haja resultados, eles acionam a ONU. Eles virão ao Brasil, não disseram quando, para confirmar se eu já não estou sofrendo a perseguição política que eles comprovaram. Caso eu ainda permaneça como perseguido político, como eu ainda estou, sai da diplomacia e vai para a questão jurídica. O relator do caso na UIP fez contato comigo e disse que foi confirmado que meus direitos estão sendo violados e explicou que o presidente do Senado seria comunicado que a comissão virá ao Brasil — afirmou Marcos do Val.
União Interparlamentar
A União Interparlamentar (UIP) foi fundada em 1889 e é considerada a mais antiga entidade política internacional, servindo como organização global dos Parlamentos nacionais. Atualmente, conta com 182 parlamentos membros. Ao longo de sua história, diversos membros e personalidades ligadas à UIP foram laureados com o Prêmio Nobel da Paz, incluindo os fundadores Frédéric Passy e Randal Cremer, no início do século 20.
Desde 2002, a UIP tem status de observador permanente na Organização das Nações Unidas (ONU), o que permite a participação da entidade nas assembleias gerais e em outras instâncias da ONU.
A UIP já acompanhou diversos casos de violação de direitos de parlamentares e de perseguição política em países como Filipinas, Venezuela, Paquistão, Turquia, Tunísia, Congo, Chile, Argentina, Israel, Líbia, Quirguistão, Mianmar, Senegal, Somália e Uganda, entre outros. O Comitê de Direitos Humanos da UIP é o encarregado de apurar denúncias de violação dos direitos de parlamentares. Composto por membros de diversos países, esse comitê examina centenas de casos por ano, envolvendo desde ameaças e intimidações até prisões arbitrárias e tortura de parlamentares.
Direitos humanos de parlamentares
A Agência Senado entrou em contato nesta semana com o secretário do Comitê de Direitos Humanos dos Parlamentares da UIP, Rogier Huizenga. Ele explicou que o comitê examina denúncias de fontes qualificadas, como o próprio parlamentar envolvido ou seu representante legal. O comitê promove verificação cruzada de informações com as autoridades do país, o denunciante e outras fontes e pode realizar audiências, missões ou acompanhar julgamentos. O objetivo é encontrar uma solução satisfatória, em conformidade com as leis nacionais e internacionais de direitos humanos.
Huizenga afirmou que a UIP continuará acompanhando o caso do senador Marcos do Val na busca por diálogo com as autoridades brasileiras. Ele também disse que a entidade poderá solicitar informações adicionais, emitir declarações públicas ou recomendar ações específicas para remediar a situação. O caso permanece aberto até que seja alcançada uma resolução satisfatória, acrescenta.
“A UIP mantém diálogo com as autoridades nacionais, inclusive com os órgãos judiciais, para buscar esclarecimentos e incentivar soluções. Embora não tenha poder de imposição, a UIP pode solicitar informações e defender o cumprimento das normas de direitos humanos. Caso a missão ao Brasil se concretize, será importante que a delegação da UIP se reúna com o Supremo Tribunal Federal”, escreve Huizenga em resposta à reportagem.
Relembre o caso
Em fevereiro de 2023, o telefone celular de Marcos do Val foi apreendido, a pedido do ministro do STF Alexandre de Moraes, por suposto envolvimento do senador com os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Em junho do mesmo ano, a Polícia Federal promoveu busca e apreensão no gabinete e na residência do senador.
Os mandados contra do Val foram expedidos por Alexandre de Moraes, que alegou que o senador teria obstruído a investigação dos atos golpistas e teria divulgado documentos sigilosos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre os atos do 8 de janeiro. As contas das redes sociais do senador também foram suspensas. Até hoje Marcos do Val está com suas redes sociais e salário bloqueados, contando apenas com parte da verba de gabinete.
Em agosto de 2023, o senador pediu a devolução de suas redes sociais e disse que estava sendo vítima de censura. Em setembro do mesmo ano, Marcos do Val afirmou que o bloqueio de suas contas em redes sociais prejudicava sua prestação de contas junto à população e voltou a falar em censura.
Em julho de 2024, o senador afirmou que decisões de Alexandre de Moraes estariam violando a Constituição. Dois meses depois, o senador chegou a dormir no Senado em virtude do bloqueio de seu salário e acusou o STF de abuso de poder e chantagem. O passaporte do senador foi bloqueado em agosto de 2024.
Na semana passada, Marcos do Val discursou na tribuna do Plenário para divulgar que a UIP havia reconhecido a violação de seus direitos.
— A decisão foi tomada de forma unânime e confirmou o que já vínhamos denunciando há meses e que muitos insistiam em ignorar. Essa organização condenou por ameaça e atos de intimidação, ausência do devido processo legal, violação da liberdade de opinião e de expressão, violação da liberdade de circulação, suspensão e obstrução indevida do exercício do mandato parlamentar. (…) A UIP deixou claro que a ação promovida pelo ministro Alexandre de Moraes — como o confisco arbitrário do meu passaporte diplomático, o bloqueio injustificado das minhas redes sociais, a retenção do meu salário, multas diárias abusivas e até busca e apreensão na minha residência sem fundamentos e negados pela PGR — caracterizaram perseguição política. Não há como usar outro termo — disse o senador na ocasião.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLITÍCA NACIONAL
Especialista propõe análise de custo-benefício para priorizar investimentos públicos em saúde e educação
O Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados promoveu, nesta quarta-feira (13), uma conferência com o acadêmico dinamarquês Björn Lomborg. O debate girou em torno de como governos podem “fazer mais com menos”, utilizando a análise de custo-benefício para priorizar investimentos que tragam o maior retorno social possível. Segundo Lomborg, o que gestores públicos devem se perguntar é onde o dinheiro investido trará o maior benefício.
Lomborg apresentou um ponto de vista polêmico sobre as mudanças climáticas, questionando se o investimento maciço nessas políticas é a forma mais eficaz de melhorar o bem-estar humano. Embora reconheça que o aquecimento global é um problema real, ele afirmou que o cenário não representa o “fim do mundo” diante da capacidade de adaptação humana.
O pesquisador ilustrou a ideia comparando o impacto de desastres naturais em diferentes contextos econômicos. “Um furacão que atinge o Haiti, que é muito pobre, traz muita destruição. Mas um furacão que atinge a Flórida, que é rica, o problema é limitado e não é tão desastroso”, comparou.
A partir desse exemplo, Lomborg justificou que o investimento em crescimento econômico gera prosperidade e, consequentemente, resistência contra eventos climáticos.
Números e prioridades
Björn Lomborg apresentou ainda dados comparativos para sustentar a tese de priorização. Segundo ele, as políticas atuais de “zero líquido” de emissões de carbono até 2050 podem custar anualmente cerca de US$ 27 trilhões para gerar um benefício de apenas 4,5 trilhões. “É como gastar R$ 7 para fazer R$ 1 de benefício”, afirmou.
Em contraste, o acadêmico apontou a educação e a saúde como investimentos de alto retorno. No caso da educação, ele defende intervenções como a pedagogia estruturada e o uso de softwares educativos poderiam entregar R$ 65 de benefício social para cada real investido. Na saúde, políticas simples, como a ressuscitação neonatal para bebês que não conseguem respirar ao nascer, poderiam salvar milhares de vidas a um custo muito baixo, de acordo com Björn Lomborg.
Questionamentos
Durante o evento, o discurso de Lomborg enfrentou questionamentos do público sobre sua aplicabilidade na realidade brasileira, onde desastres ambientais frequentemente deixam pessoas desalojadas e geram clamor público por soluções imediatas. A dúvida levantada foi se esse tipo de lógica de longo prazo conseguiria emplacar em um cenário de urgência humanitária.
Outro ponto de divergência surgiu quanto ao valor do bem-estar de outras espécies. Lomborg respondeu que, apesar de as pessoas se preocuparem com as baleias nos oceanos, por exemplo, a vida humana deve ser a preocupação central.
“Se as pessoas morrerem de desastres naturais, de frio, de calor, nós vamos nos preocupar sobre as mudanças climáticas. Isso será nossa preocupação central, não virá da biodiversidade”, disse Lomborg. “A minha pergunta seria: quanto você gastou no seu apartamento e quanto você gastou com as baleias?”.
Critérios
Representantes da Câmara e especialistas destacaram a relevância de qualificar o debate sobre o gasto público.
O deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), presidente do Cedes, disse que governos precisam tomar decisões orientadas por evidências. “Fazer mais com menos deve ser um compromisso inadiável, com a eficiência do gasto público e a melhoria real da vida das pessoas.”
O ministro Nauê Bernardo Azevedo, do Tribunal Superior Eleitoral, ressaltou a importância de entender o desenho das políticas para que o investimento chegue efetivamente à ponta, beneficiando quem mais precisa.
Já o consultor-geral da Câmara, José Evande Araújo, reforçou que a análise de custo-benefício não é um exercício abstrato, mas um “instrumento concreto para melhorar a vida das pessoas”.
A consultora-geral adjunta, Elisangela Moreira Batista, lembrou que, diante da escassez de recursos, as escolhas possíveis devem ser fundamentadas em critérios transparentes e técnicos.
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
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