CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

SAÚDE

Brasil recebe lançamento de série especial da revista Lancet sobre ultraprocessados, com destaque ao Guia Alimentar

Publicados

SAÚDE

Nesta quarta-feira (3), a série Alimentos Ultraprocessados e Saúde Humana foi lançada no Brasil. A edição especial da revista The Lancet, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo, foi apresentada no Reino Unido em 18 de novembro, em inglês, e agora foi traduzida para o português. Um dos artigos destaca o Guia Alimentar para a População Brasileira pelo pioneirismo na promoção da alimentação adequada e saudável.

Acesse os artigos na íntegra

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, destacou que o aumento mundial no consumo de alimentos ultraprocessados exige políticas de Estado intersetoriais, pois a saúde é apenas onde a questão se torna mais evidente e as desigualdades precisam ser consideradas. “O Brasil é reconhecido por avanços importantes que são inspiração pelo mundo. A gente enfrentou a indústria do tabagismo com regulamentação e com a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), pensando na prevenção, na promoção da saúde, no controle e na assistência. Agora é hora de enfrentar essa questão com ações articuladas globalmente”, defendeu.

Os três artigos da série incluem a classificação Nova, a mesma utilizada no Guia Alimentar brasileiro, que separa os alimentos pela extensão e propósito de processamento: in natura ou minimamente processados (como verduras, frutas, arroz, feijão e ovos); ingredientes culinários processados (sal, óleo, açúcar); alimentos processados (pão caseiro e queijos, por exemplo); e ultraprocessados (macarrão instantâneo, biscoito recheado, refrigerante, etc). A edição especial da The Lancet investigou o impacto dos ultraprocessados no aumento de doenças crônicas não transmissíveis; as políticas para conter o avanço da produção, do marketing e do consumo desses alimentos; e determinantes comerciais e poder corporativo.

Evidências científicas

A classificação Nova foi criada pelo pesquisador brasileiro Carlos Monteiro, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP). Ele é um dos 43 autores que participaram da edição especial da The Lancet, e apresentou, no evento, o primeiro artigo, contextualizando a evolução do debate sobre ultraprocessados na ciência.

A tese central da pesquisa brasileira era que substituir padrões tradicionais de se alimentar pelo padrão ultraprocessado é um determinante-chave para as doenças crônicas relacionadas à alimentação não saudável. A partir disso, foram testadas três hipóteses: o crescimento do consumo de ultraprocessados leva à diminuição do consumo de opções alimentícias mais saudáveis, causando um desbalanço nutricional; a exposição a esse padrão deteriora a qualidade da dieta relacionada a doenças crônicas (com aumento da ingestão calórica e consequente ganho de peso); e o hábito amplia o risco de diversas doenças crônicas.

Leia Também:  Mais Médicos abre três mil vagas para ampliar atendimento e reduzir tempo de espera no SUS

Todas as hipóteses foram testadas e confirmadas no Brasil e, posteriormente, testadas em outros países – nos últimos cinco anos, houve um crescimento de mais de 90% na produção de artigos sobre ultraprocessados globalmente – com dezenas de estudos respaldando a tese e justificando a necessidade de uma resposta global.

Guia Alimentar para a População Brasileira

O segundo artigo, apresentado no evento pela pesquisadora Patrícia Jaime (Nupens/USP), aborda estratégias nacionais para a questão dos ultraprocessados. Ele cita que, em 2014, o Brasil se tornou o primeiro país a recomendar a restrição de alimentos ultraprocessados no Guia Alimentar nacional, uma decisão que influenciou iniciativas importantes no território, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a reforma tributária. A partir da experiência brasileira, hoje, as recomendações para a redução do consumo de ultraprocessados estão sendo incluídas em um número crescente de Guias Alimentares pelo mundo.

A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Kelly Alves, lembrou que a publicação foca em recomendações de padrões alimentares, e não de alimentos específicos, além de trazer uma linguagem acessível. “É muito importante traduzir as recomendações do Guia como ‘prefira’ e ‘evite’, e não a partir de imposições que desconsideram as realidades das pessoas nem da supervalorização de nutrientes, que confundem mais do que informam e são reducionistas”, ressaltou.

Patrícia Jaime reforçou que tirar o foco dos nutrientes e colocar nos ultraprocessados também impacta as políticas, que passam a ir além da reformulação dos alimentos e a considerar, também, os ambientes alimentares (como é a oferta e o acesso de alimentos adequados e saudáveis nos territórios, principalmente entre populações mais vulnerabilizadas), o marketing das corporações, a cadeia de abastecimento e o consumo.

Mais ações do governo federal

Atualmente, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que abastece as escolas públicas e foi lembrado por vários palestrantes, incorporou recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, com 90% das refeições com base em alimentos in natura e minimamente processados, além de 30% dos alimentos serem adquiridos da agricultura familiar. Ainda no âmbito escolar, o secretário executivo destacou o Programa Saúde na Escola (PSE), que tem entre as ações prioritárias a promoção da alimentação saudável e a prevenção da obesidade.

Leia Também:  Ministério da Saúde e Caixa anunciam avanços em linha de crédito "CAIXA Hospitais"

A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição lembrou que o Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho e emprego estão trabalhando juntos na construção de uma nova normativa para o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), alinhada às recomendações do Guia Alimentar.

Já o pesquisador da Universidade de Sidney Philip Baker, que apresentou o terceiro artigo da série, focado em ações globais para a restrição dos ultraprocessados a partir da compreensão dos interesses corporativos, citou a Constituição Federal do Brasil, que prevê o direito à alimentação, e as políticas de enfrentamento à fome, como o Bolsa Família. “O Brasil está liderando a luta contra a insegurança alimentar, má nutrição e alimentos ultraprocessados”, opinou.

Após as exposições dos pesquisadores, a programação seguiu com um debate sobre soluções práticas para reduzir a influência dos alimentos ultraprocessados com especialistas de organismos internacionais e da sociedade civil organizada. A conversa foi mediada pela cozinheira e apresentadora Rita Lobo, que abordou a relação entre os ultraprocessados e a sobrecarga feminina. “Para tirar os ultraprocessados da mesa, a gente tem que cozinhar mais, e para cozinhar mais, as pessoas vão falar ‘poxa, mas as mulheres não têm tempo’. Mas quem disse que tem que ser as mulheres as que têm que cozinhar?”, provocou. Ela reforçou que cozinhar não é dom, é aprendizado, e todas as pessoas precisam saber.

O lançamento da versão em português da série Alimentos Ultraprocessados e Saúde Humana foi organizado pelo Ministério da Saúde, a Fiocruz Brasília, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Programa Mundial de Alimentos (WFP Brasil) e o Nupens/USP. O evento também contou com representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da ACT – Promoção da Saúde, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ministério da Saúde do Peru (o último, por videochamada).

Laísa Queiroz
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

Propaganda

SAÚDE

Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil

Publicados

em

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.

PROIBIÇÃO DAS BETS

Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.

Confira o cronograma das medidas:

  • Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
  • Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
  • A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
  • Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
  • De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
  • A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.

INTERESSE PÚBLICO

A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.

FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL

O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.

Leia Também:  MS lança miniapp para ampliar o acesso à informação e valorizar ações da Saúde do Trabalhador no SUS

A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.

As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.

PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES

Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:

  • exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
  • divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa); 
  • uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
  • facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
  • fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
  • localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).

SAÚDE PÚBLICA

As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.

“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.

Leia Também:  Dia de Combate ao Fumo: Ministério da Saúde convida amapaenses a compartilhar os desafios de parar de fumar

O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.

Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.

A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.

Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.

Conheça o canal de denúncias

Fonte: Ministério da Saúde

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA