SAÚDE
CIT pactua medidas para fortalecer a assistência farmacêutica oncológica, qualificar informações em saúde e ampliar o acesso no SUS
SAÚDE
A 6ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada nesta quinta-feira (25), em Brasília, reuniu o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) para pactuar um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento da gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os principais avanços estão a implantação da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), a criação do Conjunto Mínimo de Dados (CMD) da Atenção à Saúde, a modernização da regulação da alta complexidade, o aperfeiçoamento do cadastro de usuários do SUS e novos investimentos para qualificar a assistência farmacêutica.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, destacou que as pactuações aprovadas representam mais um passo na modernização da gestão do SUS e na ampliação do acesso da população aos serviços de saúde. “Hoje pactuamos um conjunto de medidas estruturantes para fortalecer o SUS, com avanços na implantação da Assistência Farmacêutica Oncológica, na qualificação do cadastro de usuários, reduzindo burocracias e facilitando o acesso da população aos serviços, e na implementação do Conjunto Mínimo de Dados, que será fundamental para aprimorar o registro da produção assistencial e fortalecer a gestão da informação em saúde.”
Durante a reunião, foi pactuado um pacote normativo para estruturação e implementação do componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), com o objetivo de organizar o acesso e o financiamento de medicamentos oncológicos no SUS. A estratégia do Ministério da Saúde padroniza a oferta de terapias contra o câncer, de quimioterápicos a imunoterapias, visando um tratamento integral e igualitário em todo o país. O pacote contempla a aprovação de portarias para o funcionamento da nova Autorização de Procedimento Ambulatorial de Alta Complexidade (APAC) exclusiva para oncologia, os critérios para autorização prévia de dispensação de determinados medicamentos para câncer e a institucionalização dos centros de diluição.
As medidas também foram apresentadas como parte das normativas relacionadas à Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), especialmente das portarias que disciplinam a APAC Onco Exclusiva, a Autorização Prévia e as Centrais de Diluição. O conjunto fortalece a rastreabilidade dos medicamentos, qualifica os processos assistenciais, amplia a segurança dos pacientes em tratamento oncológico no SUS, reduz desperdícios e otimiza a gestão dos recursos destinados à atenção oncológica.
Saúde digital
Na área da assistência farmacêutica, também foi pactuado incentivo financeiro de R$ 40 milhões para apoiar estados e municípios na implementação e no uso do e-SUS Assistência Farmacêutica (eSUSAF), sistema que substituirá o Hórus. A ferramenta foi criada para aprimorar a gestão da assistência farmacêutica no SUS, com qualificação dos processos, dos registros de dispensação e fornecimento de medicamentos, do controle de estoque e do cuidado aos pacientes. Os recursos serão transferidos na modalidade fundo a fundo ainda em 2026, no âmbito do Eixo Informação do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica (Qualifar-SUS).
“Essa ferramenta, o eSUSAF, vem para trazer maior facilidade para gestão e comunicação de informações e fortalecer a Bnafar e a RNDS”, enfatizou o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), Nélio de Aquino.
Dados
Outro dos principais destaques da reunião foi a apresentação e pactuação da proposta que institui o Conjunto Mínimo de Dados (CMD) da Atenção à Saúde. A iniciativa moderniza o modelo nacional de informações em saúde ao estabelecer um padrão de modelo de informação em todo o território brasileiro, promovendo maior integração, rastreabilidade e possibilidades de compartilhamento de dados. A implantação será realizada de forma gradual, começando pelas unidades vinculadas ao programa Agora Tem Especialistas, alcançando a Saúde Suplementar e, posteriormente, a Atenção Primária e a substituição dos atuais sistemas nacionais de informação hospitalar e ambulatorial.
“O Conjunto Mínimo de Dados representa uma mudança estrutural na forma como as informações em saúde são produzidas e compartilhadas no SUS. Ao implantarmos um padrão nacional para registrar a atenção à saúde, elevamos a qualidade dos dados, fortalecemos a tomada de decisão e criamos condições para uma gestão cada vez mais integrada e eficiente”, destaca Daiane Ellwanger Araujo, coordenadora-geral de Gestão de Sistemas de Informações em Saúde da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES).
A SAES também apresentou e pactuou a atualização da normativa da Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade (CNRAC), responsável por intermediar a referência interestadual de pacientes que necessitam de assistência eletiva de alta complexidade nas especialidades de cardiologia, neurologia, oncologia e ortopedia. A normativa fortalece a CNRAC ao promover sua integração ao componente cirúrgico do programa Agora Tem Especialistas, viabilizando melhor remuneração dos procedimentos realizados, com o objetivo de ampliar a oferta de serviços especializados e contribuir para a redução do tempo de espera por cirurgias e outros procedimentos.
“A CNRAC fortalece a capacidade de articulação nacional do SUS ao organizar os fluxos de regulação entre os estados, ampliando o acesso da população aos serviços de alta complexidade. Integrada ao programa Agora Tem Especialistas, essa estratégia contribui para reduzir o tempo de espera e garantir que o paciente seja atendido no serviço mais adequado às suas necessidades”, ressalta Juliana Lujan, diretora do Departamento de Regulação Assistencial e Controle (DRAC/SAES).
Cadastramento
Ainda durante a reunião, foi aprovada a alteração da Portaria de Consolidação nº 1, de 28 de setembro de 2017, para aperfeiçoar os mecanismos de identificação e cadastramento de usuários do SUS. A atualização normativa foi elaborada em resposta ao Acórdão nº 2.758/2025 do Tribunal de Contas da União (TCU) e busca eliminar barreiras burocráticas que dificultam o acesso de pessoas sem documentação civil aos serviços de saúde.
A nova regulamentação harmoniza as normas com a Lei nº 14.534/2023, que institui o CPF (Cadastro de Pessoa Física) como número único de identificação, mas reforça que a ausência de documentos não deve impedir o atendimento de pacientes em situação de vulnerabilidade. A medida estabelece diretrizes claras para os profissionais de saúde e fortalece o cadastro de usuários no CadSUS com informações mínimas obrigatórias, como nome e data de nascimento, garantindo o acompanhamento do histórico de saúde e tornando o sistema mais acessível e eficiente.
Também foi apresentada proposta de atualização do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), criando critérios específicos para o cadastramento de unidades de vigilância sanitária que atuam de forma autônoma. A medida aperfeiçoa a organização dessas estruturas no sistema, evita sobreposição com serviços assistenciais e confere maior precisão às informações cadastrais.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Roraima inicia atendimentos de radioterapia com primeiro acelerador linear do SUS no estado
Os pacientes oncológicos de Roraima passam a contar com o primeiro acelerador linear para tratamento de radioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O equipamento poderá beneficiar até 739 mil habitantes dos 15 municípios do estado, com previsão de atender 500 pacientes por ano. Com a chegada da tecnologia na região, a rede pública de saúde garante a oferta do tratamento em todas as unidades da federação.
Instalado no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista, o centro radioterápico recebeu investimento de R$ 17 milhões do Ministério da Saúde e permitirá que os pacientes realizem o tratamento mais perto de casa, sem precisar viajar para outros estados. Antes, era necessário percorrer milhares de quilômetros para ter acesso à radioterapia, com deslocamentos para outras localidades, como Amazonas e São Paulo.
A radioterapia é uma das principais formas de tratamento contra o câncer e utiliza radiação direcionada ao tumor para preservar os tecidos saudáveis ao redor. Só em 2025, o Brasil registrou mais de 190 mil procedimentos desse tipo. Para facilitar o acesso a esse tratamento, a Lei do Agora Tem Especialistas prevê prioridade na assistência de pessoas com câncer nos serviços especializados.
“Hoje é um marco para Roraima. O paciente que precisar de cirurgia, quimioterapia e, agora, também de radioterapia vai poder contar com esse cuidado integrado dentro do próprio estado, perto de casa e da família. E isso faz toda a diferença, porque o tratamento do câncer não envolve só o paciente, mas também toda a família que acompanha esse processo”, destaca a diretora de Programa da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, do Ministério da Saúde.
Cenário Nacional
O serviço em funcionamento em Roraima integra os esforços do Ministério da Saúde para fortalecer a rede pública de radioterapia em todo o país. Entre 2023 e 2026, foram viabilizados 105 aceleradores lineares para hospitais de diferentes regiões do país, dos quais 55 já foram entregues. Entre os estados contemplados estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Piauí, Maranhão, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Amapá. A previsão é chegar a 70 equipamentos entregues até o fim de 2026, fortalecendo a oferta de tratamento oncológico pelo SUS.
Do diagnóstico ao tratamento
O SUS oferece assistência gratuita às pessoas com câncer, desde consultas, exames e biópsias para diagnóstico até o tratamento, a reabilitação e os cuidados paliativos. O cuidado pode incluir, além da radioterapia, cirurgias, quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea, além de internações, apoio multiprofissional e acompanhamento para aliviar sintomas e preservar a qualidade de vida.
Para reduzir o tempo de espera entre a suspeita da doença e o início do tratamento, o Ministério da Saúde investe em novas tecnologias e na organização da rede de atendimento. Uma das iniciativas é o Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, que utiliza patologia digital e telepatologia para agilizar a análise de amostras e a emissão de laudos. Em 2026, mais de 24 mil pacientes de todas as unidades da Federação foram beneficiados, com tempo médio de oito dias para emissão dos resultados, frente a cerca de 30 dias anteriormente.
Bruna Queiroz
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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