SAÚDE
Em pronunciamento, ministro Alexandre Padilha reforça a vacinação contra a gripe e ações voltadas à saúde da mulher
SAÚDE
Em pronunciamento em rede nacional na noite desta sexta-feira (27), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, convocou a população para a vacinação contra a gripe, que começa neste sábado, quando será realizado o Dia D de mobilização em todo o país. Devem se vacinar prioritariamente crianças, gestantes e idosos.
Padilha destacou as ações do Ministério da Saúde para a retomada da vacinação no país, diante do risco de reintrodução de doenças após anos de negacionismo. “Recebemos um país ameaçado pela volta da paralisia infantil, que havia sido erradicada no passado, mas que, por conta do descaso e do negacionismo, voltou a preocupar o Brasil. Em três anos, o Governo do Brasil reverteu a queda na vacinação. Com o apoio de todos os profissionais do SUS e das famílias brasileiras, juntos, aumentamos o número de crianças vacinadas em todas as 16 vacinas do calendário infantil”, ressaltou o ministro.
Além do crescimento na cobertura vacinal, a atual gestão do Ministério da Saúde ampliou a oferta de vacinas. No ano passado, o SUS passou a disponibilizar gratuitamente duas vacinas de alto custo que antes estavam disponíveis apenas na rede privada: a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que protege gestantes e bebês da bronquiolite e de pneumonias; e a ACWY, que protege contra meningites.
Maior mutirão da história do SUS atendeu exclusivamente mulheres
O ministro também informou a população sobre o maior mutirão de exames e cirurgias já realizado no país, especialmente voltado às mulheres, por meio do programa Agora Tem Especialistas, com mais de 230 mil atendimentos realizados. Ao todo, mais de 940 hospitais públicos, universitários, privados e filantrópicos abriram as portas no sábado (21) e domingo (22), em 516 municípios.
“Pelo programa Agora Tem Especialistas, mobilizamos hospitais públicos e Santas Casas, junto com os estados e municípios. A saúde das mulheres é prioridade absoluta no SUS. As mulheres são a maioria da população, as que mais usam o SUS e também a maioria dos profissionais de saúde”, destacou.
No ano passado, o programa Agora Tem Especialistas, criado pelo presidente Lula, alcançou um recorde histórico de 14,7 milhões de cirurgias eletivas, 40% a mais que em 2022.
O Agora Tem Especialistas trouxe inovações ao ampliar o acesso à saúde com a adesão de hospitais privados, que passaram a atender gratuitamente pacientes do SUS. A iniciativa também leva atendimento itinerante por meio de carretas equipadas para realizar tomografias, exames de mama e pequenas cirurgias, já presentes em 140 regiões de saúde. A expectativa é expandir ainda mais essa cobertura, com 150 carretas em operação em todo o país até 2026.
Para mulheres vítimas de violência, o SUS ampliou o atendimento em saúde mental, inclusive por chamadas de vídeo, com a telessaúde, e aumentou a oferta de reconstrução dentária gratuita. A oferta desse atendimento é resultado da expansão do Brasil Sorridente, iniciativa voltada ao atendimento odontológico, com 800 novas Unidades Odontológicas Móveis em distribuição por todo o país para chegar aonde a população está. “São consultórios de dentistas móveis mais perto da sua casa, na sua comunidade, na sua igreja, nas escolas e nos distritos rurais”, disse.
Dia D de vacinação contra a influenza
Até o momento, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 15,7 milhões de doses da vacina contra a influenza, capaz de reduzir em até 60% o risco de internação.
A vacina está disponível, de forma gratuita, em todas as Unidades Básicas de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste e prioriza crianças, gestantes e idosos com 60 anos ou mais, grupos mais vulneráveis a formas graves da doença. Também contempla profissionais da saúde, da segurança, do transporte e a população indígena. Na Região Norte, a estratégia ocorre no segundo semestre, antes do período de maior circulação do vírus, que coincide com o “inverno amazônico”, no fim do ano, época mais chuvosa e com aumento das síndromes respiratórias.
“Vale repetir: amanhã tem Dia D de Vacinação contra a Gripe. Sou médico infectologista, que é quem trata das doenças infecciosas, e também sou pai. Cumpro, junto com a minha família, o compromisso de sempre manter em dia a vacinação. Não negue ao seu filho um direito que nossos pais não nos negaram. Vacinar é também um ato de amor à sua família. Vá até um posto de saúde para se vacinar, vacinar quem você ama e cuidar da sua saúde para que possamos viver um futuro seguro”, finalizou.
Confira o pronunciamento na íntegra
Saiba mais sobre a Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe
João Vitor Moura
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Brasil atinge metas para eliminar transmissão da hepatite B de mãe para filho e solicita certificação à OPAS/OMS
O Brasil atingiu, por dois anos consecutivos, os critérios internacionais para eliminar a transmissão da hepatite B de mãe para filho como problema de saúde pública. Nesse período, menos de 0,1% das crianças de até cinco anos apresentaram infecção ativa pelo vírus, resultado que atende ao parâmetro internacional estabelecido para a certificação. Nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, o país entregará à OPAS/OMS o dossiê com as evidências que embasam o pedido de certificação.
“O dia de hoje é muito importante para uma luta que travamos há décadas contra as hepatites virais. Hoje estamos entregando formalmente ao diretor da OPAS e ao diretor-geral da OMS o relatório do Ministério da Saúde e do Sistema Único de Saúde brasileiro que demonstra, com base no nosso monitoramento, que o Brasil alcançou as metas para eliminação da transmissão vertical da hepatite B”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Um dos principais indicadores é a prevalência de infecção ativa pelo vírus em crianças de até 5 anos, identificada pelo exame HBsAg. Para a eliminação da transmissão como problema de saúde pública, esse índice deve ser inferior a 0,1%. Essa meta considera o último ano completo de dados, 2025, quando a prevalência estimada foi de 0,0111% — abaixo do limite de 0,1% estabelecido para a eliminação. A modelagem matemática atualizada em 2026 também confirma que o país atende a esse critério.
Outro indicador é a cobertura de pré-natal, que deve ser igual ou superior a 95%. No Brasil, mais de 98% das gestantes realizaram acompanhamento pré-natal em 2024 e 2025. Os resultados refletem medidas de cuidado ofertadas no SUS durante a gestação e após o nascimento.
Segundo critérios da OPAS/OMS, as metas de cobertura vacinal precisam ser mantidas por pelo menos dois anos consecutivos. A vacinação contra a hepatite B nas primeiras horas de vida alcançou cobertura de 97% em 2024 e 100% em 2025, acima do mínimo de 90% estabelecido. Na infância, a proteção é ampliada com a vacina pentavalente, administrada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade. A cobertura da terceira dose foi de 90,4% em 2024 e de 88,7% em 2025, dado ainda preliminar que deve superar a meta.
A eliminação da transmissão vertical da hepatite B faz parte de uma estratégia internacional de enfrentamento às infecções. Após receber, em dezembro de 2025, a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV, o Brasil assumiu o compromisso de, até 2030, eliminar como problemas de saúde pública as demais quatro infecções de transmissão vertical: hepatite B, sífilis, doença de Chagas e HTLV, consolidando o país como referência mundial na prevenção dessas doenças.
A elaboração do dossiê brasileiro foi concluída em julho de 2026. Com a entrega, o pedido será submetido à avaliação interna da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), à revisão de um comitê externo de especialistas e, posteriormente, à análise do Comitê Global de Validação da OMS.
Como o Brasil chegou a esses resultados
A eliminação da transmissão vertical da hepatite B resulta de uma rede de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento no SUS. A testagem para hepatite B é realizada durante o pré-natal, com testagem na maternidade para gestantes que não fizeram o exame. Quando necessário, o SUS oferece tratamento antiviral para reduzir o risco de transmissão durante a gravidez.
Após o nascimento, os bebês recebem a vacina contra a hepatite B, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Filhos de mães com hepatite B também recebem imunoglobulina (HBIG) no mesmo período. A combinação das duas medidas evita cerca de 99% das infecções perinatais.
Desde 2016, 100% das doações de sangue realizadas no SUS são testadas para hepatite B por meio de testagem molecular (NAT), tecnologia desenvolvida pela Fiocruz.
Em 2024, a notificação obrigatória foi ampliada para casos de hepatite B em gestantes, puérperas e crianças expostas ao risco de transmissão vertical, permitindo o acompanhamento dos casos e a adoção das medidas necessárias.
A prevenção e o cuidado também incluem vacinação, testes rápidos, tratamento e capacitação de profissionais de saúde. As medidas são ofertadas em diferentes contextos, incluindo áreas remotas e populações em situação de maior vulnerabilidade.
Novo boletim aponta avanços no cenário epidemiológico
Nos últimos dez anos, o Brasil registrou redução no número de casos e óbitos por hepatites virais, segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026.
Entre 2015 e 2025, os casos de hepatite B diminuíram 25,5%, de 14,8 mil para 11 mil registros. Na hepatite C, a redução foi de 34%, de 25,8 mil para 17 mil casos. Já os registros de hepatite D caíram 57,9%, de 202 para 85 notificações.
No mesmo período, o número de óbitos por hepatite B caiu 31,9%, de 451 para 307 mortes. Na hepatite C, a redução foi de 61,5%, de 2.028 para 780 óbitos.
Prevenção e tratamento
O SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B e tratamento para as hepatites B e C. A vacina contra a hepatite B está disponível para toda a população, com vacinação iniciada ao nascer e continuidade conforme o esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação. Pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto também podem receber a vacina.
A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário infantil e é aplicada em dose única aos 15 meses. Também é indicada para pessoas com condições específicas, como doenças crônicas do fígado, hepatites B ou C, coagulopatias, pessoas vivendo com HIV, em uso de PrEP, imunodeprimidas e candidatas ou submetidas a transplante, entre outras situações previstas nos protocolos do Ministério da Saúde.
Para a hepatite C, o SUS oferece antivirais de ação direta (DAA) para adultos e crianças a partir de 3 anos. O tratamento apresenta taxas de cura superiores a 95%.
Para a hepatite B, o SUS oferece tratamento contínuo às pessoas com indicação clínica, reduzindo o risco de progressão da doença e de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
Deborah Novais
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde


