SAÚDE
Do Riso à Reflexão: Violência Doméstica inserida em Desenho dos Anos 90
SAÚDE
O riso que esconde a dor
Nos anos 90, um desenho de grande audiência trouxe à televisão cenas que marcaram uma geração. Entre elas, o bebê que, para se defender das agressões do pai, empunhava uma frigideira e gritava: “Não é a mamãe!”. À primeira vista, humor inocente; numa análise mais atenta, a dramatização de um problema profundo: a violência que começa no ambiente familiar, base da sociedade. E, quando não começa dentro do lar, a violência é levada para ele — por meio de um aparente inocente desenho, de novelas, filmes ou até das experiências vividas em casas de amigos e familiares.
O peso do trabalho e o ciclo da violência
Earl, o patriarca, trabalhava longas horas em um emprego desvalorizado. Cansado e frustrado, descontava suas tensões na esposa e nos filhos. Essa dinâmica revela algo comum em muitas casas: quando não há equilíbrio entre vida profissional e pessoal, o lar se transforma em um espaço de agressividade.
Ainda que a pressão e o desgaste no ambiente de trabalho jamais possam servir de justificativa para a violência doméstica, é inegável que eles funcionam como gatilhos que potencializam conflitos dentro do lar.
Embora a violência ocorra em todas as classes sociais, o patriarcado enraizado e a pressão pela imagem da “família perfeita” tornam-na muitas vezes oculta nas famílias de classe média, onde a vítima silencia por medo e vergonha.
A invisibilidade feminina
Fran, a esposa, é retratada como a perfeita dona de casa. Sempre dedicada, vive apenas para cuidar do marido e dos filhos. O humor reforça o estereótipo da mulher submissa, mas também escancara como a desigualdade de gênero se repete: a esposa que se anula, suporta e se invisibiliza diante das imposições do patriarcado.
A dança do acasalamento: violência velada no casamento
Um dos episódios mais controversos é a chamada “dança do acasalamento”, apresentada de forma humorística, mas que, em uma leitura crítica, pode ser interpretada como uma metáfora da violência sexual no casamento. A mulher, muitas vezes, se vê obrigada a se sujeitar às vontades do parceiro para evitar conflitos ou agressões.
Esse recurso narrativo, quando analisado sob a lente do Direito e da sociologia, evidencia como a cultura patriarcal perpetua a ideia de que o corpo da mulher é objeto de satisfação conjugal, reforçando padrões de desigualdade e submissão.
A criança que aprende a se defender: a frigideira e o grito de resistência
Baby Sinclair, o caçula, tornou-se ícone da série ao repetir bordões e usar a panela para “brincar” de enfrentar o pai. Mas o que parece engraçado revela o absurdo: a criança, ainda pequena, já naturaliza a agressividade como forma de convivência. O humor escancara a violência simbólica e mostra como o ciclo da violência é aprendido desde cedo, perpetuando-se de geração em geração.
A frigideira, usada como “arma” contra as agressões do pai, e o bordão “Não é a mamãe!” reforçam a ironia do desenho: um bebê que, em vez de receber afeto, precisa se defender.
O menor além de se defender ainda repete a frase: “precisa me amar”. Essa sátira nos convida a refletir sobre a banalização da violência dentro do ambiente familiar, que deveria ser o espaço mais seguro.
Entre humor e denúncia
A série Dinossauros, transmitida nos anos 90 e consumida por crianças, adolescentes e adultos, usava a comédia para revelar verdades incômodas.
O bebê sendo arremessado pelo pai, o uso da frigideira como defesa e a naturalização da agressividade dentro de casa mostram como, por trás da piada, havia uma denúncia velada sobre a violência familiar e um apelo para o Amor (precisa me amar).
A falsa imagem da família feliz
Apesar das brigas, gritos e agressões, a família era apresentada como unida e divertida. Essa contradição representa a realidade de muitas casas onde, por trás da fachada da “família ideal”, há medo, silêncio e dor. É o retrato da violência invisível, que raramente chega à denúncia, mas marca profundamente as vítimas.
Reflexão necessária
O desenho, com sua linguagem satírica, nos faz rir, mas também convida a refletir: quantas vezes o humor serviu para esconder dores reais?
A violência doméstica não é entretenimento, não é “normal” e não é aceitável. É crime previsto em lei, é violação de direitos humanos e precisa ser combatida em todas as frentes: jurídica, social e educacional. O riso que um dia escondeu a dor agora deve dar lugar à consciência: não podemos tolerar o que destrói dentro do lar o que deveria ser espaço de afeto e proteção.
Andrea Maria Zattar, advogada trabalhista, membro da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica – ABMCJ; membro efetivo da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/MT e ativista em causas sociais.
SAÚDE
Ministério da Saúde inicia distribuição emergencial de medicamento oncológico em todo o país
O Ministério da Saúde iniciou, nesta quarta-feira (23), a distribuição, de forma excepcional, do medicamento ciclofosfamida para todas as regiões do país, garantindo a continuidade do tratamento de pacientes com câncer no SUS. A aquisição do fármaco é, em geral, realizada diretamente pelos estados e centros de referência oncológicos. No entanto, após o único fornecedor nacional apresentar dificuldades técnicas na produção, o Governo do Brasil interveio e iniciou a compra internacional de 140 mil unidades, sendo 100 mil comprimidos de 50 mg e 40 mil frascos-ampola de 1 g , utilizando o poder de negociação e compra do sistema público de saúde.
O primeiro lote, com 7 mil ampolas, foi entregue ao almoxarifado do Ministério da Saúde na quinta-feira (22), com investimento federal de mais de R$ 1 milhão. O Instituto Nacional do Câncer (Inca), localizado no Rio de Janeiro, está entre os primeiros contemplados, com 377 frascos-ampola. O envio do medicamento às demais instituições de referência será realizado de forma gradativa, conforme agendamento prévio. Caso necessário, poderão ser adquiridos de forma imediata mais 40 mil comprimidos e 40 mil frascos-ampola, de modo a evitar o desabastecimento da rede pública.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, reforçou que a ação estratégica assegura o abastecimento dos estoques no SUS até julho, prazo estabelecido pela fornecedora brasileira para a regularização da oferta, bem como o cuidado integral e em tempo oportuno às pessoas.
“Para uma aquisição assertiva, realizamos um estudo com base na necessidade apresentada por cada centro de referência e no uso médio mensal do medicamento. Não há desabastecimento na rede pública. O Ministério da Saúde agiu de forma estratégica para assegurar o estoque diante da dificuldade de produção apresentada pela empresa responsável, reforçando o compromisso com o cuidado de todos os pacientes assistidos no SUS”, disse a secretária.
A intervenção emergencial do Ministério da Saúde foi realizada com máxima agilidade, efetivando-se em menos de um mês, por meio do Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A necessidade de cada unidade de saúde para o envio de novas remessas será monitorada em parceria com as secretarias estaduais de saúde e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).
A ciclofosfamida é um quimioterápico indicado para o tratamento de diversos tipos de câncer, como mama, ovário, linfomas e leucemias. Com a regularização do cenário de oferta, a aquisição e a disponibilização do medicamento voltarão a ser realizadas pelos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) e pelas Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons), por meio da Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade (APAC), conforme pactuação estabelecida entre os entes federativos na Comissão Intergestores Tripartite (CIT).
Priorização de Análise na Anvisa
Em conformidade aos esforços de manter a assistência interrupta no SUS e realizar compras do medicamento no mercado externo, o Ministério da Saúde solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) celeridade na análise nos processos de importação excepcional e a avaliação de mecanismos que garantiram a maior celeridade na liberação de lotes importados. A pasta mantém diálogo semanal com o órgão, apresentando o cenário dos estoques e capacidade de oferta do mercado nacional para atender a necessidade da rede pública de saúde.
Reestruturação da assistência oncológica no SUS
O Governo do Brasil vem fortalecendo o cuidado aos pacientes oncológicos por meio de iniciativas estruturantes, com a implementação do Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), que representa uma importante atualização no financiamento e no acesso a medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). O novo modelo substitui o repasse fixo por procedimento por três modalidades de financiamento, com foco em mais eficiência, transparência e cuidado integral ao paciente.
Com a nova política, a aquisição dos medicamentos oncológicos incorporados ao SUS, incluindo o ciclofosfamida, passa a ser realizada diretamente pelo Ministério da Saúde, ampliando o investimento federal e permitindo negociações nacionais para melhores preços. Entre os próximos passos estão a regulamentação dos protocolos prioritários e a adaptação dos sistemas de regulação, com previsão de período de transição para garantir a continuidade da assistência aos pacientes.
Ana Freitas
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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