SAÚDE
Filantropias Globais destinam US$ 300 milhões para acelerar soluções em clima e saúde
SAÚDE
Mais de 35 organizações filantrópicas se uniram para enfrentar a crescente crise de saúde pública provocada pelas mudanças climáticas — que colocam em risco pelo menos 3,3 bilhões de pessoas, especialmente em países de baixa e média renda. A Coalizão de Financiadores de Clima e Saúde vai destinar inicialmente US$ 300 milhões para ações integradas que enfrentem tanto as causas das mudanças climáticas quanto suas consequências para a saúde, acelerando soluções onde elas são mais necessárias.
O esforço inaugural da Coalizão, anunciado nesta quinta-feira (13) durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) no Brasil, apoia a implementação do Plano de Ação de Saúde de Belém, que coloca a saúde humana no centro da ação climática global. Lançado pelo Ministério da Saúde do Brasil, é o primeiro plano internacional de adaptação dedicado exclusivamente à saúde e representa um marco da COP30. A iniciativa traz propostas concretas para os países enfrentarem os efeitos das mudanças climáticas na saúde das populações.
O foco imediato dos recursos será acelerar soluções, inovações, políticas e pesquisas relacionadas ao calor extremo, poluição do ar e doenças infecciosas sensíveis ao clima. Os recursos também fortalecerão a integração de dados críticos de clima e saúde para apoiar sistemas de saúde resilientes, capazes de proteger vidas e meios de subsistência.
A Coalizão reúne financiadores institucionais e individuais que atuam em níveis internacional, nacional e regional, com o objetivo de melhorar a saúde e salvar vidas. Entre os financiadores estão: Bloomberg Philanthropies, Children’s Investment Fund Foundation, Gates Foundation, IKEA Foundation, Quadrature Climate Foundation, The Rockefeller Foundation, Philanthropy Asia Alliance (Temasek Trust) e Wellcome.
“Aqui em Belém, no coração da Amazônia, a COP30 nos coloca diante de um dilema: permanecer nos discursos e promessas ou transformar compromisso político em ação concreta. A resposta do Brasil é clara – é tempo de passar da reflexão para a ação. O desafio que apresentamos nesta COP30 é enfrentarmos juntos, em um verdadeiro mutirão, os desafios entrelaçados entre clima e saúde. Precisamos de uma estratégia de adaptação coordenada, que reconheça as necessidades e os contextos locais e valorize a força do multilateralismo e da cooperação internacional”, destacou o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha.
A Coalizão reconhece a necessidade de agir com urgência. Os últimos dez anos foram os mais quentes já registrados, e as temperaturas devem permanecer em níveis recordes pelos próximos cinco anos. Especialistas alertam que o aquecimento superior a 1,5°C pode desencadear impactos climáticos mais severos e eventos extremos com grandes consequências para a saúde humana.
O aumento das temperaturas está levando a ondas de calor fatais, maior poluição do ar, piora na nutrição, ameaças à saúde materna e neonatal e à expansão de doenças como malária e dengue. Eventos climáticos extremos também estão interrompendo cadeias de alimentos e água e sobrecarregando sistemas de saúde — especialmente em regiões vulneráveis. Esses impactos afetam de forma desproporcional as populações mais vulneráveis, agravando desigualdades em saúde.
Sem uma ação urgente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fortalecer os sistemas de saúde, a emergência climática continuará a ampliar riscos à saúde e a dificultar o acesso a cuidados em todo o mundo.
O Relatório Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas 2025, publicado em outubro, constatou que:
- As mortes relacionadas ao calor aumentaram 23% desde a década de 1990, totalizando 546 mil por ano.
- Um número recorde de 154 mil mortes foi associado à poluição do ar causada por fumaça de incêndios florestais em 2024.
- O potencial global de transmissão de dengue aumentou até 49% desde a década de 1950.
“Os alertas dos cientistas sobre as mudanças climáticas se tornaram realidade. E está claro que nem todas as pessoas são afetadas da mesma forma”, afirma John-Arne Røttingen, CEO da Wellcome Trust. “Os impactos do aumento das temperaturas atingem com mais força as pessoas mais vulneráveis — crianças, gestantes, idosos, trabalhadores ao ar livre e comunidades com menos recursos. Todos os países do mundo já são afetados pelas mudanças climáticas, e precisamos desenvolver e implementar soluções rapidamente para salvar vidas e meios de subsistência.”
Para enfrentar a crise climática e apoiar o Plano de Ação de Saúde de Belém, a Coalizão de Financiadores de Clima e Saúde está:
- Alinhando e ampliando esforços de financiamento para enfrentar os desafios mais urgentes de clima e saúde — mobilizando investimentos de longo prazo de fontes públicas, privadas e multilaterais.
- Estabelecendo metas comuns e utilizando dados e evidências científicas robustas para projetar, implementar e ampliar soluções.
- Transferindo recursos e poder para as comunidades mais afetadas pelas mudanças climáticas, garantindo que as soluções cheguem onde são mais necessárias.
Plano de Ação de Saúde de Belém
O investimento de US$ 300 milhões também apoiará a execução do Plano de Ação de Saúde de Belém, que tem como objetivo construir sistemas de saúde resilientes ao clima e priorizar equidade e justiça em saúde.
O Plano de Ação de Belém se concentra em:
- Fortalecer sistemas de vigilância e monitoramento de saúde para responder de forma eficaz a ameaças relacionadas ao clima, como surtos de doenças e calor extremo.
- Implementar soluções comprovadas, políticas baseadas em evidências e capacitação profissional.
- Investir em pesquisa, tecnologia e infraestrutura para apoiar as populações mais vulneráveis.
“As mudanças climáticas são a mais grave ameaça à saúde do nosso tempo, e nenhuma organização, comunidade ou país pode enfrentá-la sozinho”, afirma Naveen Rao, vice-presidente sênior de Saúde da The Rockefeller Foundation. “Ao unirmos prioridades e recursos, podemos acelerar soluções, alcançar mais comunidades e gerar maior impacto. Esse é o poder da colaboração: agir com urgência para proteger vidas, fortalecer sistemas de saúde e construir resiliência em todo o mundo.”
“Proteger o meio ambiente também significa proteger a saúde e os meios de subsistência das pessoas”, declarou Antha Williams, líder do Programa de Meio Ambiente da Bloomberg Philanthropies. “Por meio da Coalizão de Financiadores de Clima e Saúde, a filantropia está se unindo para agir mais rápido, reduzir a poluição, melhorar vidas e tornar as cidades lugares melhores para viver e trabalhar.”
“Se você está comprometido em melhorar a saúde das crianças, precisa se comprometer a combater as mudanças climáticas e limitar o aumento da temperatura global”, disse Sonia Medina, diretora-executiva de Clima da Children’s Investment Fund Foundation. “Quase metade das crianças do mundo vive em países com risco extremamente alto. Mas, se tratarmos saúde e clima de forma integrada, podemos melhorar a saúde das pessoas e do planeta.”
“Toda pessoa deve ter a oportunidade de viver uma vida saudável e produtiva, não importa onde tenha nascido”, afirmou Steve Davis, assessor sênior da Gates Foundation. “Mas um mundo mais quente, com eventos climáticos mais imprevisíveis e extremos, ameaça esse futuro. A filantropia tem um papel único em acelerar soluções inovadoras que protejam a saúde e ajudem comunidades a se tornarem mais resilientes.”
Jessica Anderen, CEO da IKEA Foundation, acrescentou: “Proteger a saúde das pessoas e o clima são metas inseparáveis. Estamos orgulhosos de fazer parte dessa coalizão e de apoiar a inovação, o empoderamento comunitário e um futuro mais saudável e resiliente.”
“As consequências das mudanças climáticas para a saúde estão se acumulando — e recaem mais fortemente sobre as comunidades menos preparadas para responder”, observou Jess Ayers, CEO da Quadrature Climate Foundation. “Apoiando esta Coalizão, estamos ajudando a construir sistemas de saúde resilientes, equitativos e preparados para os desafios que virão.”
“Em toda a Ásia, temperaturas recordes já ameaçam vidas, meios de subsistência e o desenvolvimento de longo prazo”, destacou Shaun Seow, CEO da Philanthropy Asia Alliance. “A região, que abriga mais da metade da população mundial, enfrenta alguns dos maiores riscos climáticos à saúde. Por meio da Coalizão, estamos apoiando soluções ousadas para proteger comunidades vulneráveis, construir resiliência e evitar o aquecimento futuro.”
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde abre inscrições para observatório de boas práticas de equidade no SUS
Uma iniciativa dedicada à troca de experiências dos profissionais de saúde, com foco em fortalecer a equidade na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS): esse é objetivo do Observatório de Boas Práticas de Equidade, lançado pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira (1º). As inscrições para a divulgação das iniciativas de já estão abertas e seguem até 20 de maio.
O observatório possibilitará a análise e a divulgação de projetos de gestão do cuidado já realizados em diferentes localidades. A ideia é que as trabalhadoras e os trabalhadores compartilhem seus conhecimentos produzidos na prática profissional do dia a dia e, assim, contribuam para a melhoria do atendimento e da organização dos serviços.
Para a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, esse espaço valoriza as iniciativas dos profissionais e incentiva o compartilhamento de saberes. “O observatório vai revelar as inovações da atenção primária que acontecem no cotidiano dos serviços. O papel do Ministério da Saúde é justamente dar visibilidade a essas experiências e criar condições para que elas ganhem escala, contribuindo para um SUS mais resolutivo e equitativo”, detalha.
As experiências selecionadas terão seus relatos disponibilizados no site “APS nos territórios”, além de compor uma publicação institucional do Ministério da Saúde.
Eixos temáticos
As iniciativas inscritas, além de apresentarem soluções relevantes para o SUS, deverão estar obrigatoriamente vinculadas a um dos três eixos temáticos seguintes: equidade e acesso; cuidado integral e saúde mental; e participação social.
O primeiro abarcará ações e estratégias para diminuir desigualdades em saúde e superar barreiras geográficas, institucionais e sociais no acesso da população ao cuidado. Já o segundo terá ações intersetoriais de cuidado e acolhimento e de atenção em saúde mental com ênfase para populações em situação de vulnerabilidade. O terceiro reunirá iniciativas de fortalecimento do vínculo entre os serviços de saúde e o território.
Quem pode se inscrever
Todos os profissionais de saúde da atenção primária que trabalham em espaços de saúde cadastrados e ativos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes) poderão participar. As propostas, que devem ser inovadoras e originais, precisam estar adequadas às diretrizes do SUS.
Confira os profissionais que atuam em equipes e serviços da atenção primária à saúde que podem participar:
- equipes de Saúde da Família (eSF);
- equipes Multiprofissional (eMulti);
- equipes de Consultório na Rua (eCR);
- equipes de Atenção Primária Prisional (eAPP);
- equipes de Saúde da Família que atuam com adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas;
- equipes de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR) ou eSF vinculadas às Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF);
- equipes de Saúde da Família que atuam em território quilombola;
- equipes de Saúde Bucal (eSB);
- equipes que atuam nas Unidades Odontológicas Móveis (UOM);
- Centros de Especialidades Odontológicas (CEO*);
- Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD*);
- Serviços de Especialidades em Saúde Bucal (Sesb*).
*Nos casos de experiências realizadas nos CEO, LRPD e Sesb, as inscrições devem ser realizadas por pelo menos um dos profissionais que atuam nesses estabelecimentos.
Acesse a página de inscrição do Observatório de Boas Práticas de Equidade na APS
Acesse também o passo a passo para a inscrição.
Acesse o cronograma completo, critérios de análise e outros detalhes nas orientações.
Agnez Pietsch
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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