SAÚDE
Ministério da Saúde capacita mais de 17,3 mil profissionais para fortalecer a saúde mental no SUS
SAÚDE
O Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz Brasília, promoveu o 2º ciclo do projeto Nós na Rede, com 17,3 mil profissionais que atuam na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), em mil municípios de 23 unidades federativas do Brasil. A formação, que ocorrerá entre abril e setembro, tem como objetivo promover práticas em saúde mental na perspectiva do cuidado em liberdade, por meio da atuação em equipe e em rede nos territórios. A aula inaugural “O trabalho em rede no SUS e a potência do território na Atenção Psicossocial” ocorreu nesta quinta-feira (16) e foi ministrada pela apoiadora educacional Renata Pimentel.
Serão 120 horas de carga horária, sendo 90 horas em formato a distância e 30 horas presenciais nos territórios, em parceria com as escolas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). O curso está dividido em quatro unidades: Atenção Psicossocial e Cuidado em Liberdade; Acolhimento e cuidado às pessoas com transtorno mental e em conflito com a lei; Atenção Psicossocial e cuidado no território; e cooperação e fortalecimento da RAPS.
A coordenadora-geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Erika de Almeida, reforça o caráter descentralizado do curso e a importância da formação permanente no campo da saúde mental, intensificada pela pandemia de COVID-19, além do aumento da demanda por cuidados psicossociais decorrente dos efeitos do isolamento social.
“Desde que o projeto foi lançado, ele se constitui como uma estratégia que surgiu da necessidade de olhar para a saúde mental como uma pauta estratégica e necessária. A política de saúde mental no Brasil, entre 2016 e 2022, enfrentou retrocessos, provocados por transformações no cenário político e democrático. Agora, o Ministério da Saúde tem o desafio de reconstruir políticas públicas alinhadas aos princípios da reforma psiquiátrica e da atenção psicossocial territorializada”, enfatizou.
A última formação em larga escala para a RAPS ocorreu entre 2013 e 2015, no governo da presidenta Dilma, denominada Caminhos do Cuidado. A iniciativa capacitou presencialmente 237 mil agentes comunitários de saúde, auxiliares e técnicos em enfermagem em todo o Brasil, com foco em temas relacionados à saúde mental, ao crack e a outras drogas. O programa foi posteriormente incorporado ao PACD, quando de sua criação, em 2014.
Na ocasião, a coordenadora Erika afirmou ainda que os atores e atrizes que atuam no território estão “cuidando das pessoas em um projeto de formação que se constitui como uma grande estratégia para a saúde mental”.
A execução do projeto é do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz), Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e Rede de Escolas Técnicas do SUS (RET-SUS). A indicação do quantitativo dos trabalhadores foi feita por meio da adesão de estados e municípios pós envio de ofício circular para o Ministério da Saúde.
O SUS e a saúde mental
A política de saúde mental no Brasil faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e é organizada por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Essa rede reúne diferentes serviços e formas de cuidado, que vão desde a atenção básica até o atendimento especializado e hospitalar, buscando atender as pessoas de forma integrada. São 17 diferentes pontos de atenção definidos na portaria GM/MS 3.088/2011.
O principal objetivo dessa política é garantir acesso igualitário a serviços de saúde mental de qualidade e promover o cuidado psicossocial. Ela segue os princípios do SUS, como o acesso universal, a integralidade do cuidado, a equidade, a descentralização e a participação da sociedade. Além disso, busca apoiar a reinserção social das pessoas atendidas, contribuindo para sua autonomia e qualidade de vida.
Confira a portaria com os pontos de atenção à saúde mental no SUS
Nádia Conceição
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Da ciência ao cuidado: Ministério da Saúde debate estratégias para acelerar o acesso à inovação nos serviços do SUS
Inovação em saúde, pesquisas clínicas, inteligência artificial, terapias avançadas e tecnologias de ponta ocuparam o centro do debate público durante a realização da Feira SUS Inova Brasil. O evento foi promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, na capital carioca nesta sexta-feira (17/04). A programação contou com espaços de conexões e painéis temáticos que reuniu representantes da sociedade civil e especialistas do setor público e privado.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, ressaltou que o evento soma-se aos esforços do Governo do Brasil para acelerar o caminho entre o que é produzido no país e a disponibilização no sistema público. O debate, destacou a secretária, precisa ser feito com a participação direta de gestores municipais e estaduais para construir estratégias cada vez mais integradas e colaborativas.
Entre as medidas já adotadas, está o apoio às pesquisas clínicas. “É a partir delas que a gente vai conseguir testar essas novas tecnologias que estão sendo feitas. E, quanto mais a gente for eficiente nesse processo, mais a gente consegue aproximar e trazer essas tecnologias para o uso efetivo no sistema de saúde lá na ponta”, enfatizou.
Outra ação destacada por Fernanda De Negri foi a implementação do Programa Nacional de Inovação Radical. Realizado em conjunto com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a inciativa tem o objetivo de impulsionar o conhecimento científico em soluções concretas, por meio de medicamentos, tratamentos e dispositivos que atendam às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). “As ações são justamente para acelerar e reduzir esse gap entre a pesquisa e a inovação, e o uso dessa inovação no sistema público de saúde”, concluiu.
Caminhos da inovação aplicada
Quatro outros painéis também integraram o evento. O primeiro foi dedicado à saúde digital. Nele, especialistas discutiram como o uso eficiente de dados, da inteligência artificial e da medicina de precisão podem apoiar a modernização do SUS e, consequentemente, contribuir para a diminuição de custos. O debate mostrou que a análise qualificada dessas informações já orienta a criação de políticas públicas e apoia gestores locais a tomar decisões mais rápidas, seguras e eficientes, impulsionando novas formas de inovar na saúde pública.
O segundo painel destacou a importância de transformar resultados de pesquisas em soluções reais para o SUS, por meio da pesquisa clínica, da avaliação de novas tecnologias e da inovação em saúde. Os debatedores apontaram oportunidade para avançar em questões regulatórias, de organização dos serviços e de parcerias estratégicas para que essas inovações sejam adotadas em larga escala.
Tecnologia que transforma
A discussão sobre inovação em saúde avançou com o debate sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e seu papel na redução das desigualdades regionais no país. Especialistas destacaram que políticas públicas orientadas às características de cada território podem impulsionar o desenvolvimento produtivo local, fortalecer cadeias estratégicas do SUS e gerar impacto social direto nas comunidades. A aposta em soluções que dialogam com as realidades das regiões brasileiras foi apontada como caminho para ampliar a equidade, promover autonomia tecnológica e consolidar um modelo de inovação capaz de responder às necessidades concretas da população.
O último painel foi em torno de como o cuidado com pacientes com câncer está mudando com a novas tecnologias, que vão desde exames mais precisos, como os que usam biomarcadores e biossensores, até tratamentos avançados, como a terapia CAR-T, que usa as próprias células de defesa do paciente para atacar o tumor. O diálogo reforçou que unir diagnósticos mais confiáveis a terapias inovadoras é fundamental para que o SUS consiga adotar essas novidades de forma sustentável e para um número cada vez maior de pessoas.
Conexões
A programação contou ainda com espaços de conexão. Foi nesse ambiente que a mestranda em Gestão de Competitividade e Saúde, Ariane Volin, de 44 anos, natural do Pará e atualmente morando em São Paulo, encontrou oportunidade de compreender melhor os estágios da inovação no Brasil, especialmente no que diz respeito à pesquisa e à aplicação de práticas de governança.
Para ela, a feira é uma vitrine e um momento oportuno para aprofundar seu olhar sobre gestão. “O conteúdo apresentado contribui diretamente para minha pesquisa sobre governança pública em projetos. Estou acompanhando temas como privacidade, segurança da informação e a aplicação prática do conhecimento”, ressaltou Ariane.
Assista aos debates da Feira SUS Inova Brasil
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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