SAÚDE
Ministério da Saúde inaugura Policlínica Cone Sul em Dourados (MS)
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O secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, inaugurou nesta segunda-feira (27) a Policlínica Cone Sul, em Dourados, Mato Grosso do Sul (MS). A nova unidade, que integra o Hospital Regional de Dourados (HRD) Olga Castoldi Parizotto, vai beneficiar cerca de 870 mil pessoas de 34 municípios da macrorregião do Cone Sul, incluindo oito cidades de fronteira com o Paraguai.
Estiveram presentes na cerimônia a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, do governador Eduardo Riedel, do prefeito de Dourados Marçal Filho, do secretário estadual de saúde Maurício Simões Corrêa, e do superintendente estadual do Ministério da Saúde, Ronaldo Costa.
“Importante destacar o esforço do presidente Lula, que fortaleceu a saúde em todo o país, especialmente aqui no Mato Grosso do Sul. São 47 unidades básicas para fortalecer a nossa atenção básica, oito centros de atenção psicossocial, duas maternidades, três policlínicas, 111 kits de telessaúde, e renovação de 34 unidades do SAMU. Além disso, há investimentos em unidades móveis odontológicas. Aqui, também inauguramos recentemente o primeiro SAMU indígena do Brasil”, detalhou o secretário Massuda.
A ampliação da estrutura da rede pública de saúde no Mato Grosso do Sul integra o Programa Agora Tem Especialistas, uma das principais estratégias do Governo Federal, que conta com um conjunto de ações para aumentar a capacidade de atendimento do SUS, a fim de reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias.
A Policlínica Cone Sul terá capacidade inicial de 6,9 mil atendimentos mensais, sob gestão da organização social Agir Saúde, e oferecerá consultas em cardiologia, neurologia, cirurgia geral, ginecologia e ortopedia, além de exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia, mamografia, tomografia e colonoscopia. A policlínica recebeu mais de R$ 6,8 milhões em emenda parlamentar e do governo estadual.
O fortalecimento da rede de média e alta complexidade no Mato Grosso do Sul é resultado de uma política nacional de ampliação do acesso e de investimentos federais crescentes. Para o estado, o teto MAC com incentivos passou de R$ 142 milhões em 2022 para R$ 229,1 milhões em 2025, um aumento de 61,3% nos repasses do Governo Federal.
Até julho de 2025, já foram realizadas 2.878 cirurgias eletivas, 20% acima da meta planejada (2.399). O estado também recebeu uma Carreta da Mulher, estacionada em Campo Grande desde 10 de outubro, onde permanece por 30 dias oferecendo atendimentos itinerantes e exames preventivos. Em setembro de 2025, foram 527 médicos especialistas alocados em todo o país, com dois destinados ao estado do Mato Grosso do Sul.
“Uma das prioridades do presidente Lula é o programa Agora Tem Especialistas, que tem várias iniciativas em andamento, como as policlínicas e as carretas da saúde da mulher. Essas carretas já estão em operação em todo o Brasil, e aqui no Mato Grosso do Sul também. Começamos com uma carreta em Campo Grande, e a próxima cidade a recebê-la é Dourados. Com o programa, o nosso objetivo é apoiar o SUS nos estados e municípios, fortalecendo a rede pública”, disse Adriano Massuda.
A inauguração da Policlínica Cone Sul marca um passo importante na consolidação de uma rede de atenção especializada mais próxima, resolutiva e regionalizada, reduzindo deslocamentos e garantindo acesso equitativo aos serviços de saúde.
Outros investimentos estruturantes no Mato Grosso do Sul
O Novo PAC Saúde destinará R$ 627 milhões a 288 projetos em 77 municípios do Mato Grosso do Sul — incluindo três policlínicas, oito CAPS, duas maternidades e 47 novas UBSs.
O estado também foi beneficiado pelo SAMU Indígena (SAMUi) do Brasil, em Dourados, um projeto-piloto inaugurado em agosto na reserva da Aldeia Jaguapiru. Com funcionamento 24 horas para urgência e emergência e investimento de R$ 341 mil anuais de repasse federal, o SAMUi conta com profissionais fluentes em português e guarani. Cada espaço da base também recebe o nome do ambiente em guarani.
Até o último mês, o SAMUi já atendeu 153 pessoas. Condutores-socorristas, enfermeiros e técnicos de enfermagem revezam os turnos para prestar serviço à comunidade, que possui 25 mil habitantes.
O SAMU Indígena integra o esforço do Ministério da Saúde para universalizar o SAMU 192 até o fim de 2026. Para Dourados, de janeiro a agosto, foram destinados R$ 1,5 milhão para custear a manutenção da Central de Regulação de Urgência, duas Unidades de Suporte Básico, uma Unidade de Suporte Avançado e duas motolâncias.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Brasil atinge metas para eliminar transmissão da hepatite B de mãe para filho e solicita certificação à OPAS/OMS
O Brasil atingiu, por dois anos consecutivos, os critérios internacionais para eliminar a transmissão da hepatite B de mãe para filho como problema de saúde pública. Nesse período, menos de 0,1% das crianças de até cinco anos apresentaram infecção ativa pelo vírus, resultado que atende ao parâmetro internacional estabelecido para a certificação. Nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, o país entregará à OPAS/OMS o dossiê com as evidências que embasam o pedido de certificação.
“O dia de hoje é muito importante para uma luta que travamos há décadas contra as hepatites virais. Hoje estamos entregando formalmente ao diretor da OPAS e ao diretor-geral da OMS o relatório do Ministério da Saúde e do Sistema Único de Saúde brasileiro que demonstra, com base no nosso monitoramento, que o Brasil alcançou as metas para eliminação da transmissão vertical da hepatite B”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Um dos principais indicadores é a prevalência de infecção ativa pelo vírus em crianças de até 5 anos, identificada pelo exame HBsAg. Para a eliminação da transmissão como problema de saúde pública, esse índice deve ser inferior a 0,1%. Essa meta considera o último ano completo de dados, 2025, quando a prevalência estimada foi de 0,0111% — abaixo do limite de 0,1% estabelecido para a eliminação. A modelagem matemática atualizada em 2026 também confirma que o país atende a esse critério.
Outro indicador é a cobertura de pré-natal, que deve ser igual ou superior a 95%. No Brasil, mais de 98% das gestantes realizaram acompanhamento pré-natal em 2024 e 2025. Os resultados refletem medidas de cuidado ofertadas no SUS durante a gestação e após o nascimento.
Segundo critérios da OPAS/OMS, as metas de cobertura vacinal precisam ser mantidas por pelo menos dois anos consecutivos. A vacinação contra a hepatite B nas primeiras horas de vida alcançou cobertura de 97% em 2024 e 100% em 2025, acima do mínimo de 90% estabelecido. Na infância, a proteção é ampliada com a vacina pentavalente, administrada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade. A cobertura da terceira dose foi de 90,4% em 2024 e de 88,7% em 2025, dado ainda preliminar que deve superar a meta.
A eliminação da transmissão vertical da hepatite B faz parte de uma estratégia internacional de enfrentamento às infecções. Após receber, em dezembro de 2025, a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV, o Brasil assumiu o compromisso de, até 2030, eliminar como problemas de saúde pública as demais quatro infecções de transmissão vertical: hepatite B, sífilis, doença de Chagas e HTLV, consolidando o país como referência mundial na prevenção dessas doenças.
A elaboração do dossiê brasileiro foi concluída em julho de 2026. Com a entrega, o pedido será submetido à avaliação interna da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), à revisão de um comitê externo de especialistas e, posteriormente, à análise do Comitê Global de Validação da OMS.
Como o Brasil chegou a esses resultados
A eliminação da transmissão vertical da hepatite B resulta de uma rede de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento no SUS. A testagem para hepatite B é realizada durante o pré-natal, com testagem na maternidade para gestantes que não fizeram o exame. Quando necessário, o SUS oferece tratamento antiviral para reduzir o risco de transmissão durante a gravidez.
Após o nascimento, os bebês recebem a vacina contra a hepatite B, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Filhos de mães com hepatite B também recebem imunoglobulina (HBIG) no mesmo período. A combinação das duas medidas evita cerca de 99% das infecções perinatais.
Desde 2016, 100% das doações de sangue realizadas no SUS são testadas para hepatite B por meio de testagem molecular (NAT), tecnologia desenvolvida pela Fiocruz.
Em 2024, a notificação obrigatória foi ampliada para casos de hepatite B em gestantes, puérperas e crianças expostas ao risco de transmissão vertical, permitindo o acompanhamento dos casos e a adoção das medidas necessárias.
A prevenção e o cuidado também incluem vacinação, testes rápidos, tratamento e capacitação de profissionais de saúde. As medidas são ofertadas em diferentes contextos, incluindo áreas remotas e populações em situação de maior vulnerabilidade.
Novo boletim aponta avanços no cenário epidemiológico
Nos últimos dez anos, o Brasil registrou redução no número de casos e óbitos por hepatites virais, segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026.
Entre 2015 e 2025, os casos de hepatite B diminuíram 25,5%, de 14,8 mil para 11 mil registros. Na hepatite C, a redução foi de 34%, de 25,8 mil para 17 mil casos. Já os registros de hepatite D caíram 57,9%, de 202 para 85 notificações.
No mesmo período, o número de óbitos por hepatite B caiu 31,9%, de 451 para 307 mortes. Na hepatite C, a redução foi de 61,5%, de 2.028 para 780 óbitos.
Prevenção e tratamento
O SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B e tratamento para as hepatites B e C. A vacina contra a hepatite B está disponível para toda a população, com vacinação iniciada ao nascer e continuidade conforme o esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação. Pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto também podem receber a vacina.
A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário infantil e é aplicada em dose única aos 15 meses. Também é indicada para pessoas com condições específicas, como doenças crônicas do fígado, hepatites B ou C, coagulopatias, pessoas vivendo com HIV, em uso de PrEP, imunodeprimidas e candidatas ou submetidas a transplante, entre outras situações previstas nos protocolos do Ministério da Saúde.
Para a hepatite C, o SUS oferece antivirais de ação direta (DAA) para adultos e crianças a partir de 3 anos. O tratamento apresenta taxas de cura superiores a 95%.
Para a hepatite B, o SUS oferece tratamento contínuo às pessoas com indicação clínica, reduzindo o risco de progressão da doença e de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
Deborah Novais
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde


