SAÚDE
O ‘sim’ que mudou tudo: como a doação de órgãos devolveu a vida de uma moradora de Brasília (DF)
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Em outubro, Elaine Cristina da Costa Gomes celebra o seu aniversário e, também, dez anos de transplantada. Após mais de uma década lutando contra a doença de Chagas, que comprometeu o coração, a administradora de 48 anos recebeu, em 2015, um transplante realizado no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde então, ela celebra cada gesto simples de sua vida graças à doação de órgãos e do transplante de sucesso realizado na rede pública.
“Já não havia mais opção de tratamento, e uma consulta de rotina trouxe a notícia que mudaria minha vida: eu precisaria de um transplante”, relembra Elaine. Em vista da gravidade do caso, apenas sete dias após entrar na lista de espera, ela soube que receberia um novo coração. “Quando o meu glorioso sim chegou, senti que era a minha chance de recomeçar”, afirmou a moradora de Brasília (DF), que foi transplantada no Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal.
No Brasil, a fila de transplantes é única, organizada nacionalmente e regulada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde. Todos os critérios são técnicos, médicos e estabelecidos por protocolos. Por exemplo, a prioridade depende da combinação entre compatibilidade, urgência clínica e tempo de espera, para garantir que o órgão seja aproveitado da melhor forma e salve a vida de quem mais precisa.
Um gesto que salva vidas
Ela conta que o transplante de coração devolveu sua saúde e também ressignificou sua trajetória. “Hoje faço coisas simples e extraordinárias que antes pareciam impossíveis”, comemora.
Atualmente, ela é voluntária no Instituto Brasileiro de Transplantados (IBTx), onde oferece acolhimento a quem está na fila ou já passou pelo procedimento. “Na minha jornada, senti falta de ouvir alguém que tivesse passado por isso. Agora, busco ser essa voz, esse abraço que conforta”, conta.
Possibilitar que outras pessoas tenham a mesma chance de Elaine é uma das prioridades do Ministério da Saúde, que, recentemente, apresentou o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (PRODOT). Essa iniciativa inédita visa qualificar o diálogo com as famílias e o acompanhamento das doações nos hospitais. O objetivo é o aumento do número de doações.
Elaine destaca a importância de as famílias conversarem sobre a doação, já que 45% das solicitações de doação de órgãos foram rejeitadas por parentes dos doadores. “Quero que todos tenham a oportunidade que tive. O transplante é um ato de amor e solidariedade, que pode transformar não apenas uma vida, mas várias. Precisamos falar sobre isso e dizer sim à doação”, avalia.
O PRODOT integra um conjunto de medidas que somam mais de R$ 20 milhões de investimento federal por ano para fortalecer o SNT. Desse total, R$ 13 milhões são destinados à inclusão de novos procedimentos no SUS, como transplantes de membrana amniótica, para casos graves de queimadura, e o transplante multivisceral, para falência intestinal. Os outros R$ 7,4 milhões são para o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes.
Marcos inéditos e históricos
O SUS coordena o maior programa público de transplantes do mundo, sendo responsável por 86% dos procedimentos no país. No primeiro semestre de 2025, o Brasil atingiu a marca de 14,9 mil transplantes, o maior da série histórica. Um crescimento de 21% em relação a 2022.
Edjalma Borges
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde autoriza início das obras de ampliação do Hospital Universitário de Roraima
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, e a secretária de Saúde Indígena da pasta, Lucinha Tremembé, assinaram nesta segunda-feira (28) a ordem de serviço para a construção do Bloco C do Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima (HU-UFRR). A obra conta com investimento federal de R$ 70 milhões, com execução pela HU Brasil (Hospitais Universitários Federais).
Primeiro hospital universitário de Roraima, o HU-UFRR terá sua capacidade de atendimento ampliada com a construção do novo bloco, fortalecendo a oferta de atenção especializada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Atualmente, a unidade conta com 128 leitos, sendo 36 destinados à população indígena.
“Essa ampliação vai ter mais leitos, mas também vai ter mais capacidade resolutiva. São seis salas cirúrgicas, com capacidade de realizar procedimentos de alta complexidade e leitos de unidade de terapia intensiva para atender casos de maior complexidade, beneficiando a população de Roraima, especialmente os povos indígenas”, destacou Massuda.
Referência no atendimento aos povos indígenas
O HU-UFRR desempenha um papel estratégico no atendimento à população indígena. Entre abril de 2025 e julho de 2026, o hospital registrou 2.056 internações, das quais 572 foram de pacientes indígenas. No atendimento ambulatorial, entre novembro de 2025 e julho de 2026, foram atendidos 2.846 pacientes, sendo 355 indígenas. A unidade recebe pessoas de cerca de 13 etnias, incluindo pacientes provenientes da Guiana e da Venezuela.
O hospital conta com a Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas, que oferece acolhimento e assistência diferenciados, respeitando as especificidades culturais dessa população. A estrutura inclui leitos redários e espaços destinados às práticas culturais indígenas.
O HU-UFRR também participa de mutirões articulados pela HU Brasil e pelo Ministério da Saúde para atender pacientes encaminhados pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e pelas Casas de Saúde Indígena (CASAIs).
“O cuidado em saúde indígena precisa considerar as especificidades socioculturais dos povos indígenas. A ampliação do hospital fortalece o acesso à atenção especializada e a possibilidade de oferecer uma assistência equânime, garantindo a qualidade do cuidado, o respeito às necessidades dos povos indígenas e acolhimento culturalmente adequado”, destacou a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé.
Novo tomógrafo
Além da ampliação da estrutura hospitalar, o Ministério da Saúde está adquirindo um novo tomógrafo para o HU-UFRR, com chegada prevista para o primeiro semestre de 2027. O equipamento substituirá o aparelho atual, pertencente ao governo estadual, e reforçará a capacidade de realização de exames de imagem na própria unidade.
CAPS de Pacaraima
Em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, o secretário-executivo visitou as obras do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município. A construção conta com investimento de R$ 2,145 milhões e está com 92% de execução física. A conclusão está prevista para 1º de outubro de 2026.
Habilitado pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 4.089, de 28 de maio de 2024, o serviço vai fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial em uma região marcada pela intensa circulação de pessoas.
Operação Acolhida
A agenda também incluiu o acompanhamento das ações de saúde da Operação Acolhida, que garantem vacinação e atenção primária à população migrante desde sua chegada ao Brasil.
Por meio do Projeto Saúde nas Fronteiras, executado pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), 38 profissionais atuam em Boa Vista e Pacaraima. Desde agosto de 2025, as equipes realizaram 41.925 atendimentos individuais de atenção primária. Também foram registrados 861 teleatendimentos desde outubro de 2025. O investimento previsto no projeto é de R$ 5,66 milhões.
Entre 2023 e agosto de 2026, foram aplicadas mais de 677 mil doses de vacinas em Pacaraima e mais de 54 mil em Boa Vista. O abastecimento das salas de vacinação está regular.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde



