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Povos originários e saberes medicinais ancestrais: Brasil e México fortalecem parceria

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Os países Brasil e México compartilham da mesma riqueza: uma grande diversidade de povos originários e saberes ancestrais. Na última semana, uma série de agendas técnicas promoveram um aprendizado mútuo e uma aproximação entre políticas de saúde pública. Na capital Cidade do México, o parceiro apresentou sua relevante experiência intercultural. O Brasil, por sua vez, levou a experiência do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), entre outras, por meio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.

Entre os dias 21 e 23 de setembro, a Sesai apresentou como o país organiza a atenção diferenciada à saúde dos povos indígenas do Brasil, executando a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Pnaspi). A secretaria atende mais de 821 mil indígenas, falantes de 274 línguas e habitantes de mais de sete mil aldeias. Trata-se de um atendimento que considera as especificidades socioculturais dos povos indígenas, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“A diversidade é a razão de existir de um sistema de saúde diferenciado: cada povo tem língua, território, organização social e formas próprias de entender e cuidar da saúde”, reforçou a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. Entre os indígenas atendidos de todas as regiões do país, estão povos de recente contato, povos isolados e povos em contexto urbano. Para a Sesai, perfis epidemiológicos e culturais diversos exigem respostas específicas, não padronizadas.

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Além de apresentar a realidade brasileira, a delegação da Sesai participou de agendas voltadas ao intercâmbio de experiências entre os dois países. O diálogo abordou temas como medicina tradicional indígena, participação de parteiras nos sistemas de saúde, direitos humanos, formação de profissionais e cuidado intercultural. A programação incluiu reuniões com instituições mexicanas, visita técnica a um serviço de saúde no estado de Querétaro, além do intercâmbio cultural dos serviços de saúde.

Medicina tradicional mexicana

Na Cidade do México, os técnicos brasileiros integraram reunião técnica no Centro Especializado en Medicina Integrativa (CEMI), do IMSS-Bienestar, espaço dedicado à medicina tradicional, à atuação de parteiras tradicionais e ao desenvolvimento intercultural.

A delegação conheceu, ainda, a estrutura do CEMI e o trabalho realizado com plantas medicinais. Outro tema destaque da reunião foi a apresentação de experiências mexicanas de organização dos serviços de parteria, incluindo o Centro de Excelência em Partería, Salud Sexual y Reproductiva, em San Miguel de Allende, na condução de modelos de cuidado que articulam diferentes práticas e conhecimentos.

A Sesai foi acompanhada de representantes da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (Sstes), da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

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Agenda em Querétaro

No último dia da missão, a comitiva da Sesai seguiu para o estado de Querétaro, onde visitou o Centro de Salud con Servicios Ampliados (CESSA) de Amealco de Bonfil. A unidade desenvolve uma experiência de cuidado que reúne profissionais da medicina convencional e terapeutas tradicionais, como parteiras, erveiros e hueseros.

A delegação brasileira conheceu a organização dos atendimentos e a forma como os diferentes profissionais atuam de maneira coordenada. A visita também incluiu uma recepção tradicional, com elementos simbólicos da cultura local, realizada para dar as boas-vindas à delegação brasileira.

Números do SasiSUS

Atualmente, o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena conta com uma estrutura ampla e um modelo diferenciado, composto por 34 Distritos Sanitários Especiais Indígena (Dsei), 70 Casas de Apoio a Saúde Indígena (Casai), 1.211 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI), 388 Polos Base (PB) e 22 mil trabalhadores da saúde indígena, responsáveis por levar atendimento a mais de 821 mil indígenas, em todas as cinco regiões do país. Na última semana, o SasiSUS completou 27 anos de criação.

Leidiane Souza
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Ministério da Saúde autoriza início das obras de ampliação do Hospital Universitário de Roraima

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O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, e a secretária de Saúde Indígena da pasta, Lucinha Tremembé, assinaram nesta segunda-feira (28) a ordem de serviço para a construção do Bloco C do Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima (HU-UFRR). A obra conta com investimento federal de R$ 70 milhões, com execução pela HU Brasil (Hospitais Universitários Federais).

Primeiro hospital universitário de Roraima, o HU-UFRR terá sua capacidade de atendimento ampliada com a construção do novo bloco, fortalecendo a oferta de atenção especializada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Atualmente, a unidade conta com 128 leitos, sendo 36 destinados à população indígena.

 “Essa ampliação vai ter mais leitos, mas também vai ter mais capacidade resolutiva. São seis salas cirúrgicas, com capacidade de realizar procedimentos de alta complexidade e leitos de unidade de terapia intensiva para atender casos de maior complexidade, beneficiando a população de Roraima, especialmente os povos indígenas”, destacou Massuda.

Referência no atendimento aos povos indígenas

O HU-UFRR desempenha um papel estratégico no atendimento à população indígena. Entre abril de 2025 e julho de 2026, o hospital registrou 2.056 internações, das quais 572 foram de pacientes indígenas. No atendimento ambulatorial, entre novembro de 2025 e julho de 2026, foram atendidos 2.846 pacientes, sendo 355 indígenas. A unidade recebe pessoas de cerca de 13 etnias, incluindo pacientes provenientes da Guiana e da Venezuela.

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O hospital conta com a Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas, que oferece acolhimento e assistência diferenciados, respeitando as especificidades culturais dessa população. A estrutura inclui leitos redários e espaços destinados às práticas culturais indígenas.

O HU-UFRR também participa de mutirões articulados pela HU Brasil e pelo Ministério da Saúde para atender pacientes encaminhados pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e pelas Casas de Saúde Indígena (CASAIs).

 “O cuidado em saúde indígena precisa considerar as especificidades socioculturais dos povos indígenas. A ampliação do hospital fortalece o acesso à atenção especializada e a possibilidade de oferecer uma assistência equânime, garantindo a qualidade do cuidado, o respeito às necessidades dos povos indígenas e acolhimento culturalmente adequado”, destacou a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé.

Novo tomógrafo

Além da ampliação da estrutura hospitalar, o Ministério da Saúde está adquirindo um novo tomógrafo para o HU-UFRR, com chegada prevista para o primeiro semestre de 2027. O equipamento substituirá o aparelho atual, pertencente ao governo estadual, e reforçará a capacidade de realização de exames de imagem na própria unidade.

CAPS de Pacaraima

Em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, o secretário-executivo visitou as obras do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município. A construção conta com investimento de R$ 2,145 milhões e está com 92% de execução física. A conclusão está prevista para 1º de outubro de 2026.

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Habilitado pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria GM/MS nº 4.089, de 28 de maio de 2024, o serviço vai fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial em uma região marcada pela intensa circulação de pessoas.

Operação Acolhida

A agenda também incluiu o acompanhamento das ações de saúde da Operação Acolhida, que garantem vacinação e atenção primária à população migrante desde sua chegada ao Brasil.

Por meio do Projeto Saúde nas Fronteiras, executado pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), 38 profissionais atuam em Boa Vista e Pacaraima. Desde agosto de 2025, as equipes realizaram 41.925 atendimentos individuais de atenção primária. Também foram registrados 861 teleatendimentos desde outubro de 2025. O investimento previsto no projeto é de R$ 5,66 milhões.

Entre 2023 e agosto de 2026, foram aplicadas mais de 677 mil doses de vacinas em Pacaraima e mais de 54 mil em Boa Vista. O abastecimento das salas de vacinação está regular.

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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