SAÚDE
Saúde lança painel de doenças e agravos na população por raça e cor
SAÚDE
O Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica do Ministério da Saúde lançou o Painel Epidemiologia e Desigualdades: Doenças e Agravos na População para Raça/Cor. A ferramenta reúne informações detalhadas sobre o quesito raça/cor sobre casos de tuberculose, TB-HIV, hepatite B, hepatite C, sífilis adquirida, sífilis em gestantes, sífilis congênita, violência autoprovocada e violência interpessoal.
As desigualdades raciais e sociais têm impactado negativamente a saúde da população negra, resultando em maior morbimortalidade e dificuldades no acesso aos serviços de saúde. Em 2023, a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) deu um passo importante ao retomar o Boletim Epidemiológico Saúde da População Negra, interrompido desde 2015, reforçando o compromisso com a equidade na saúde.
O painel revela que a população negra (preta e parda) concentra a maior parte dos casos das doenças monitoradas. Em 2023, cerca de 60% dos casos de tuberculose foram registrados nessa população, enquanto a população branca representou 23,38% dos casos. Além disso, a análise do desfecho de tratamento indica que as pessoas pretas e pardas interrompem o tratamento com maior frequência entre os casos novos de tuberculose.
No mesmo período, mais de 50% dos casos de hepatite B foram registrados entre as populações preta e parda, enquanto 37,09% ocorreram na população branca. Em relação à hepatite C, a população branca apresentou o maior percentual de casos no mesmo ano (46,86%), seguida pela população negra (44,01%).
Ao analisar os casos de sífilis congênita desde o início da série histórica, em 2012, observa-se que a população parda concentra mais de 50% dos casos. Em 2023, essa porcentagem atingiu 60,63%. Já em relação à violência autoprovocada e à violência interpessoal, entre 2011 e 2023, a população negra foi a mais impactada por essas violências, enquanto os casos envolvendo a população branca diminuíram ao longo do período.
Esse panorama evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas que promovam a equidade no acesso à saúde e incentivem ações direcionadas para reduzir as desigualdades raciais. A implementação do Painel Equidade Étnico-racial é um passo crucial para monitorar e enfrentar as disparidades, fornecendo subsídios para intervenções mais eficazes e inclusivas.
Painel Saúde da População Negra
A Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi), por meio da Sala de Apoio à Gestão Estratégica (SAGE), disponibiliza o Painel Saúde da População Negra, uma ferramenta que apresenta informações detalhadas sobre as disparidades de saúde entre grupos étnicos e raciais no Brasil.
O painel é estruturado em três eixos principais que visam oferecer uma visão ampla e integrada sobre os desafios enfrentados por essa população:
- Indicadores de Enfrentamento ao Racismo;
- Características Sociodemográficas da População;
- Morbidade da População Negra.
Segundo o diretor do Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Dados e Informações Estratégicas em Saúde, Paulo Sellera, “o conjunto inicial de indicadores apresentados no painel teve por base o levantamento e análise de informações sobre a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), apresentado na Nota Técnica nº 9/2024-CGMA/DEMAS/SEIDIGI/MS”.
Acesse o Painel Epidemiologia e Desigualdades: Doenças e Agravos na População para Raça/Cor
João Vitor Moura e Terciane Alves
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Legados que transformaram a saúde brasileira: Ministério da Saúde homenageia 12 personalidades
A cantora, compositora e enfermeira Dona Ivone Lara, que incorporou práticas de terapia ocupacional que inspiram o cuidado psicossocial; Anna Nery, pioneira da enfermagem no Brasil e símbolo do cuidado humanizado; e a psiquiatra Nise da Silveira, referência na humanização da assistência em saúde mental, estão entre as 12 personalidades homenageadas in memoriam pelo Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (5), durante as celebrações do Dia Nacional da Saúde.
Instituída em homenagem ao médico e sanitarista Oswaldo Cruz, a data reforça a importância da saúde pública, do bem-estar, da prevenção de doenças e da valorização do SUS. A cerimônia ocorreu na Galeria de Honra da Saúde, no Edifício-Sede da Pasta, em Brasília, com a presença do ministro Alexandre Padilha, e de familiares dos homenageados.
“Os homenageados de hoje tiveram um papel decisivo na construção e na implementação prática do SUS, consolidando valores com o compromisso, com a vida, com o cuidado e com a reforma sanitária. Fizemos questão de reconhecer importantes nomes que abriram caminhos para o que aprendemos e aplicamos até hoje na saúde do país”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Durante a agenda, o ministro observou que a curadoria da galeria teve a missão de homenagear mais mulheres nesse grupo, já que a galeria possui mais homens entre as personalidades até hoje celebradas. “As mulheres são a maioria da população, as principais usuárias da nossa rede pública e as que mais acompanham a família nos atendimentos”, afirmou o ministro.
Além de relembrar o legado histórico, a data valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS), os profissionais que atuam na linha de frente do atendimento no país e reforça a necessidade contínua de investimentos em políticas públicas, vacinação e acesso universal aos serviços essenciais.
Memória e reconhecimento
A Galeria de Honra da Saúde está fixada no hall privativo do Edifício Sede do Ministério da Saúde, em Brasília, e é composta por grandes personalidades que contribuíram para a saúde pública no país. Os homenageados compõem um grupo de referências que ajudaram o Brasil a se tornar uma nação comprometida com a saúde do seu povo.
A cerimônia contou com a presença de parentes, amigos e colegas de trabalho dos homenageados, entre eles Solange Fiori Nery, trineta de Anna Nery. “Estou aqui para receber esta homenagem em nome de Anna Nery, cuja maior preocupação sempre foi cuidar do outro e preservar a área da saúde. Esta homenagem exalta tudo o que ela fez em vida”, afirmou emocionada.
Outra participante no evento foi Ana Lima Cecilio, filha de Maria Haydée de Jesus Lima, que agradeceu a homenagem para quem tanto lutou pelo SUS. “Eu e meu irmão crescemos ouvindo-a falar sobre o SUS, que virou quase um parente da nossa família. Minha mãe tinha crença na igualdade entre as pessoas. Para ela, o tratamento desigual era insuportável”, observou.
Quem também esteve presente foi o neto de Dona Ivone de Lara, André Lara. “É uma homenagem maravilhosa à minha avó e a toda a nossa família. Considero essas figuras verdadeiros heróis, que revolucionaram o país e abriram portas. Na música e na saúde, minha avó deu acesso às pessoas, ao trabalhar com a Dra. Nise da Silveira, a um tratamento mais humanizado. Estamos muito orgulhosos e honrados”, agradeceu.
Confira os novos homenageados na Galeria de Honra da Saúde:
- Anna Justina Ferreira Nery
Pioneira da enfermagem no Brasil e símbolo do cuidado humanizado, deixou um legado que inspira os princípios de acolhimento, assistência e valorização dos profissionais que sustentam o SUS.
- Antônio Carlos Figueira
Referência no fortalecimento do SUS, destacou-se por modernizar a assistência materno-infantil, a formação de profissionais e a gestão da saúde pública brasileira.
- Dona Ivone de Lara
Contribuiu para humanizar a saúde mental no Brasil, ao atuar na reforma psiquiátrica e na adoção de práticas de terapia ocupacional que inspiram o cuidado psicossocial promovido pelo SUS.
- Hesio de Albuquerque Cordeiro
Foi uma das principais lideranças da reforma sanitária brasileira. Atuou para a criar e consolidar o SUS e defendeu as políticas públicas e o acesso universal à saúde.
- Ivo de Oliveira Lopes
Defensor do SUS e pioneiro da humanização da assistência obstétrica, promoveu o acesso universal à saúde e trabalhou por um modelo de cuidado centrado na dignidade, no acolhimento e no respeito às mulheres e famílias.
- Madel Therezinha Luz
Vanguardista da Saúde Coletiva no Brasil, atuou em defesa do SUS, valorizando Práticas Integrativas e Complementares e uma assistência mais humanizada e integral à saúde.
- Maria Cecília Ferro Donnangelo
Referência da Saúde Coletiva brasileira, ajudou a consolidar as bases conceituais que orientam as políticas de saúde e os princípios do SUS.
- Maria da Guarda Rocha
Marcou sua trajetória pela defesa dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde. Mesmo após se aposentar do serviço público, seguiu dedicando sua vida à luta social e a defesa dos direitos da pessoa idosa.
- Maria Haydée de Jesus Lima
Destacou-se na defesa do SUS e da participação popular na saúde, além de contribuir para consolidar a gestão pública, a justiça social e os direitos dos usuários em Campinas.
- Maria José von Paumgartten Deane
Se tornou referência na pesquisa de doenças que impactam a saúde pública brasileira e contribuiu para o avanço do conhecimento científico que fortalece o SUS.
- Nise Magalhães da Silveira
Revolucionou o cuidado em saúde mental no Brasil ao defender práticas humanizadas que inspiraram a transformação da assistência psiquiátrica e os princípios de atenção psicossocial adotados pelo SUS.
- Vera Maria Câmara Coelho
Referência na construção e fortalecimento do SUS, com destaque para a expansão da atenção básica, a regionalização da saúde e o aprimoramento da gestão pública no Ceará.
Victor Almeida
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde



