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SUS realiza primeira cirurgia cardíaca teleorientada em Pernambuco

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O Ministério da Saúde realizou, nesta quinta-feira (31), a primeira cirurgia cardíaca pediátrica com teleorientação no estado de Pernambuco. O procedimento, realizado em uma criança de 6 anos, aconteceu no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), em Recife, com orientação em tempo real pela equipe do Hcor, em São Paulo. A iniciativa reforça o Programa Agora Tem Especialistas e a estratégia do Telessaúde do Ministério da Saúde, por meio Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

“Essa ação inovadora permitiu que a criança e sua família fossem acompanhadas pelo Hcor em todas as etapas, desde o aconselhamento familiar até os exames diagnósticos e a recuperação, em seu próprio estado de residência. Isso é possível graças à articulação do Ministério da Saúde, à parceria do programa Proadi com hospitais de excelência e ao uso fundamental da telessaúde. Tudo coordenado pelo Agora Tem Especialista, que mobiliza absolutamente tudo, da saúde pública e privada, todas as ferramentas presenciais e remotas, para reduzir o tempo de espera por atendimento, cirurgia ou exame especializado”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.

Isso é possível graças à articulação do Ministério da Saúde, à parceria do programa Proadi com hospitais de excelência e ao uso fundamental da telessaúde. Tudo coordenado pelo Agora Tem Especialistas, que integra recursos da saúde pública e privada, presenciais e remotos, para reduzir o tempo de espera por atendimento, cirurgia ou exame especializado.

O ministro também ressaltou a importância da formação profissional. “Com essa iniciativa, a gente também forma mais médicos especialistas em Pernambuco com a capacidade de fazer essa cirurgia, que só acontecia em São Paulo. Esses profissionais podem ser distribuídos em outras regiões do Nordeste brasileiro e, com isso, conseguimos multiplicar esses pontos de atendimento, reduzindo ainda mais o tempo de espera para a população”, reforçou.

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A Teleorientação do Ato Cirúrgico (TAC) é um sistema criado pelo Núcleo de Inovação do InCor, que permite à equipe do Hcor acompanhar e orientar todo o procedimento em tempo real. O sistema é integrado e interativo, com sinais múltiplos de áudio, vídeo e dados, conectando uma sala cirúrgica remota a um centro de comando de teleorientação.

Expansão para Norte e Nordeste

Com a cirurgia realizada no IMIP, o Ministério da Saúde completou a estruturação do terceiro centro cirúrgico nas regiões Norte e Nordeste. O primeiro está no Hospital Francisca Mendes, em Manaus, e o segundo no Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza (CE). “O trabalho contempla um aperfeiçoamento de toda a linha de cuidado do paciente cardiopata. Acompanhamos os casos de forma contínua e à distância, por meio de recursos como telerounds para monitorar pacientes atendidos no telediagnóstico, teleinterconsulta para orientações antes e depois da cirurgia, além do suporte em UTI e enfermaria”, esclarece a líder médica responsável pelo Serviço de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Hcor, Ieda Jatene.

O IMIP conta agora com a transferência de tecnologia, expertise e monitoramento dos casos atendidos, para melhorar o desempenho em produção e complexidade assistencial como Centro de Referência em Alta Complexidade Cardiovascular.

“Já somos uma instituição de referência em cirurgia cardíaca pediátrica na nossa região, com um serviço que tem 25 anos de existência e realiza cerca de 200 cirurgias por ano. Agora, com o Proadi-SUS, esperamos melhorar ainda mais a qualidade da assistência, implementando novas tecnologias que nos permitirão, de forma planejada, aumentar o volume de pacientes e a complexidade dos casos atendidos por nós”, comemorou a médica cardiologista do IMIP, Luziene Bonates.

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A iniciativa, que faz parte do projeto Apoio ao Desenvolvimento de Centros de Atendimento a Cardiopatias Congênitas, conduzido pelo Hcor por meio do Proadi-SUS, auxilia Redes de Atenção à Saúde (RAS) na ampliação da capacidade de atendimento a crianças com cardiopatia congênita. São oferecidos capacitação de profissionais, melhoria de processos assistenciais e compartilhamento de soluções digitais, reduzindo de forma significativa as filas cirúrgicas.

Cardiopatia congênita

A cardiopatia congênita é uma malformação na estrutura do sistema cardiocirculatório que surge nas primeiras oito semanas de gestação. Essas alterações podem comprometer a circulação e a respiração do bebê, exigindo, em muitos casos, intervenção precoce.

No Brasil, estima-se que a cada mil nascidos vivos, 10 apresentem algum tipo de cardiopatia congênita — totalizando cerca de 29 mil casos por ano. Aproximadamente 80% dessas crianças precisam de cirurgia, muitas no primeiro ano de vida.

O SUS oferece, gratuitamente, o Teste do Coraçãozinho — exame simples e indolor capaz de identificar problemas cardíacos logo após o nascimento. O atendimento especializado também é garantido por unidades que realizam cirurgias cardiovasculares pediátricas em 20 estados e no Distrito Federal.

Como funciona a TAC

A Teleorientação do Ato Cirúrgico (TAC) é uma tecnologia criada pelo Núcleo de Inovação do InCor que permite o acompanhamento remoto, em tempo real, de cirurgias cardíacas pediátricas. O sistema realiza a transmissão simultânea de dados, vídeo e áudio, conectando salas cirúrgicas de hospitais participantes a um centro de referência, possibilitando orientação técnica durante todas as etapas do procedimento.

 Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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