SAÚDE
Ministério da Saúde lança curso para fortalecer a gestão do SUS com inteligência artificial
SAÚDE
Tomar decisões mais rápidas, precisas e baseadas em evidências é um dos caminhos para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e oferecer respostas mais qualificadas às necessidades da população. Com esse objetivo, o Ministério da Saúde lança, nesta terça-feira (1º), o Curso de Aperfeiçoamento “Inteligência Artificial na Gestão do SUS: Saúde Digital, Ética e Implementação Estratégica“, voltado à qualificação de gestores das três esferas de governo para o uso ético, seguro e estratégico da inteligência artificial na gestão pública.
O lançamento será marcado pela assinatura simbólica do Termo de Execução Descentralizada (TED) entre o Ministério da Saúde e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), responsável pela execução da iniciativa.
“Essa formação amplia o potencial do SUS ao preparar gestores para incorporar novas tecnologias ao planejamento e à gestão, contribuindo para serviços de saúde mais eficientes e resolutivos”, afirma o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço.
O curso integra o projeto Sistema de Aprendizado Baseado em Dados e IA para Profissionais do SUS (SABIA-SUS), que também prevê um mestrado interinstitucional (MINTER) e o desenvolvimento de parcerias e de um painel de monitoramento para apoiar a gestão baseada em evidências.
A iniciativa oferecerá 12 mil vagas gratuitas, distribuídas em quatro turmas. Na modalidade de educação a distância (EAD), autoinstrucional, o curso terá carga horária de 180 horas, distribuídas em cinco módulos e um projeto integrador. As inscrições estarão abertas, de 1º de julho a 2 de agosto, ou até o preenchimento das vagas, e as aulas da primeira turma terão início em 20 de julho.
A formação é destinada a gestores do SUS que atuam nas esferas municipal, estadual e federal em cargos de direção, coordenação, chefia, assessoramento ou gerência. O conteúdo abordará o uso da inteligência artificial para apoiar o planejamento, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas, sempre alinhado aos princípios do SUS, à ética, à equidade e à segurança da informação.
A expectativa é fortalecer a capacidade técnica dos gestores para utilizar dados e tecnologias na formulação de políticas públicas, ampliar a integração entre pesquisa e gestão e contribuir para uma administração mais eficiente dos serviços de saúde. Entre os impactos esperados estão a redução das desigualdades regionais, o fortalecimento da cultura do uso ético de tecnologias digitais e a melhoria da capacidade do SUS de responder aos desafios da saúde pública em todo o país.
Inscreva-se no curso de aperfeiçoamento
Priscilla Leonel
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde



