TECNOLOGIA
Cooperação científica entre o BRICS fortalece pesquisas oceânicas e polares
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realizou, na última semana (dias 21 e 22 de maio), a 7ª Reunião do Grupo de Trabalho do BRICS sobre Ciência e Tecnologia Polar e Oceânica, reunindo representantes de Índia, Rússia, África do Sul, China, Egito e Emirados Árabes Unidos. O encontro foi marcado por uma intensa troca de experiências e conhecimentos, reafirmando o compromisso dos países com o avanço da ciência como ferramenta essencial para enfrentar os desafios climáticos e promover o desenvolvimento sustentável.
Ao longo do primeiro dia, os países apresentaram suas principais ações no monitoramento dos oceanos e das regiões polares, com foco em aspectos meteorológicos, biológicos, medição de fluxos, previsão climática e prevenção de desastres. Segundo os participantes, o diálogo foi produtivo e revelou grande interesse mútuo nas soluções desenvolvidas por cada nação.
“Foi um dia de muitas trocas. Ficou claro o quanto os países estão interessados nos trabalhos que os outros vêm desenvolvendo. De fato, foi um momento de verdadeiro intercâmbio científico e tecnológico”, destacou Leandro Pedron, diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI.
Ciência como solução coletiva
O Grupo de Trabalho do BRICS sobre Ciência e Tecnologia Polar e Oceânica atua como uma plataforma estratégica para fortalecer a cooperação multilateral em pesquisas, desenvolvimento tecnológico, capacitação e compartilhamento de dados. A agenda comum se torna ainda mais urgente diante dos crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela degradação dos ecossistemas marinhos e polares.
“O grupo vem, desde 2018, aprofundando discussões em cinco grandes áreas: sistemas de modelagem oceânica e atmosférica para previsão de desastres; pesquisa polar em altas latitudes, inclusive na Antártica; biodiversidade marinha; processos de fundo marinho e também sobre os ambientes costeiros e estuarinos”, explicou Pedron.
Além de avançar no conhecimento científico, o objetivo do grupo é, também, criar modelos cooperativos capazes de antecipar eventos extremos, como os que recentemente impactaram o estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, e outros países do grupo.
“Quando a gente entende que a conexão com o oceano é a base para a sustentação da vida na Terra, fica evidente a necessidade de investir mais em ciência. E isso só se faz com muita cooperação, porque é uma pesquisa cara, de altíssima complexidade, que exige grandes infraestruturas e mão de obra qualificada”, ressaltou Pedron.
Desafios comuns, soluções compartilhadas
Os desafios enfrentados pelos países são semelhantes: falta de coleta de dados em tempo real, necessidade de melhorar os sistemas de previsão e modelagem e fortalecimento das capacidades técnicas. A Índia, a China e a Rússia, por exemplo, relataram limitações nas suas redes de monitoramento oceânico, o que reforça a importância de fortalecer parcerias no âmbito do BRICS.
“A cooperação científica não é só desejável, ela é essencial. Ciência como meio, ciência como solução. O Brasil tem tido um papel de liderança muito importante, pautando essa agenda e trabalhando de forma articulada com os outros países para trazer soluções que beneficiam não só nossas sociedades, mas também o planeta como um todo”, pontuou Pedron.
A pesquisa oceânica é, por natureza, uma atividade extremamente complexa e de alto custo. São necessários grandes investimentos em transporte marítimo, tanto para a instalação de equipamentos quanto para sua manutenção, que é onerosa e tecnicamente desafiadora. A exposição constante à salinidade e às condições adversas do ambiente marinho acelera o desgaste dos materiais, exigindo mão de obra altamente qualificada e planejamento rigoroso.
Além dos custos operacionais, a realização de pesquisas no ambiente oceânico demanda equipes técnicas especializadas, dedicadas tanto à coleta quanto à análise de dados. Trata-se de processos que exigem tempo de maturação, compreensão profunda dos sistemas marinhos e desenvolvimento de soluções tecnológicas específicas.
Diante desses desafios, a cooperação internacional se torna fundamental. A ciência, nesse contexto, se apresenta não apenas como meio, mas como solução para enfrentar problemas comuns a diversos países. A construção conjunta de respostas, por meio de parcerias científicas, é essencial para lidar com questões que impactam globalmente, como as mudanças climáticas, a alteração nos sistemas marinhos e os deslocamentos de espécies, que podem afetar diretamente as zonas econômicas exclusivas de cada nação.
Sistemas de modelagem oceânica são um exemplo prático desse esforço conjunto, mas há muitos outros desafios que exigem colaboração. Nesse sentido, a cooperação em ciência e tecnologia aplicada aos oceanos não se limita ao setor privado. Ela envolve, de forma estratégica, instituições públicas, que compartilham dados, metodologias e conhecimentos para ampliar a capacidade de monitoramento, prever impactos e propor soluções sustentáveis para a conservação dos oceanos e a proteção das populações que deles dependem.
O encontro também foi palco de um intenso debate sobre o recém-lançado Centro de Pesquisa Internacional de Recursos Marinhos Profundos do BRICS, inaugurado em abril, na China. A iniciativa busca reunir os melhores recursos científicos dos países do grupo para desenvolver soluções inovadoras em áreas estratégicas. Mais do que avançar na pesquisa e na inovação tecnológica, o centro tem como missão promover a formação de talentos, estimular a transferência de tecnologia e fortalecer a atuação conjunta dos países do BRICS na governança global dos oceanos, ampliando sua influência nas decisões que impactam diretamente o futuro dos mares e dos recursos marinhos.
Visita à Marinha e ao Programa Antártico Brasileiro
O último dia da reunião foi marcado por uma visita técnica à Comissão Interministerial de Recursos do Mar (CIRM), da Marinha do Brasil, onde os participantes puderam conhecer o funcionamento do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), ativo desde 1982. Através de uma visita virtual em tempo real, os representantes dos países puderam conhecer as instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz, referência internacional em pesquisa e sustentabilidade.
O Contra-almirante Ricardo Jaques Ferreira destacou a importância da cooperação entre civis e militares no desenvolvimento das atividades na Antártica e apresentou as inovações em eficiência energética e sustentabilidade da estação.
“Nós temos muito orgulho de, há mais de 50 anos, trabalhar de forma integrada para entender e proteger os oceanos e o ambiente antártico. Hoje, nossa estação tem tecnologia de ponta, com energia solar, geradores e 14 laboratórios internos, além de três externos, que possibilitam pesquisas avançadas em condições extremas”, afirmou o contra-almirante.
Os participantes ficaram impressionados com a estrutura da Estação Antártica Comandante Ferraz. O tour virtual despertou surpresa e encantamento ao revelar uma infraestrutura moderna, tecnológica e preparada para enfrentar as condições extremas do continente gelado.
A experiência deixou os participantes impressionados diante da dimensão e da sofisticação das instalações, que refletem o compromisso do Brasil com a pesquisa científica na Antártica. O realismo da visita virtual despertou inúmeros questionamentos sobre a rotina dos pesquisadores, os desafios operacionais e as tecnologias empregadas para garantir a segurança e a continuidade dos estudos em um dos ambientes mais inóspitos do planeta.
Compromissos renovados
Os países reafirmaram seus compromissos de continuar promovendo a cooperação científica nas áreas oceânica e polar, fortalecendo ações conjuntas entre governos, universidades, instituições de pesquisa e setor produtivo.
A reunião também reforçou a importância de ampliar a conscientização pública sobre a relevância dos oceanos e das regiões polares para a sustentabilidade global e para a vida no planeta.
TECNOLOGIA
MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos
Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.
A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.
Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.
O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.
A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.
Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.
Minerais críticos
“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.
Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.
Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.
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