TECNOLOGIA
Em Campinas (SP), CTI-Tec oferece capacitação a startups lideradas por mulheres
TECNOLOGIA
O CTI-Tec, parque tecnológico do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, em Campinas (SP), abriu inscrições para o programa Mulheres na Tecnologia. A iniciativa vai oferecer capacitação e fomento a startups em ciência e tecnologia com liderança feminina. As inscrições vão até 8 de maio, pela internet. A participação é gratuita.
Natália Sanches, da equipe responsável pela coordenação do programa, explica que a iniciativa é aberta a mulheres maiores de 18 anos, com ou sem empresa formalizada, que estejam à frente de projetos nas áreas de ciência, tecnologia ou inovação.
“Não é necessário já ter uma startup constituída: o programa é voltado também para quem está na fase inicial, seja com uma ideia estruturada, um projeto de pesquisa aplicada ou um desenvolvimento tecnológico em estágio inicial. O requisito central é que a mulher seja a proponente e liderança do projeto, podendo contar com equipe, inclusive com participação de homens, desde que vinculados à iniciativa”, explica.
O programa vai capacitar 50 mulheres no desenvolvimento de competências empreendedoras e tecnológicas. As ações de capacitação serão híbridas e promovidas pelas instituições parceiras do CTI Coalizão pelo Impacto, IAprendi e Sebrae Campinas de forma.
Na etapa seguinte, os dez projetos de maior potencial serão convidados para a fase de aceleração e poderão ter acesso à infraestrutura do CTI Renato Archer por três meses. Também nessa fase, até cinco participantes selecionadas receberão um incentivo de R$ 5 mil para ser aplicado no desenvolvimento do projeto.
“A proposta do programa é oferecer uma jornada completa, que combine capacitação, desenvolvimento tecnológico e conexão com o ecossistema, criando condições concretas para que projetos liderados por mulheres avancem com consistência técnica, rigor científico e visão de negócio, contribuindo para o fortalecimento das deep techs no Brasil”, pontua Sanches.

- Divulgação CTI Renato Archer
Programa Mulheres na Tecnologia do CTI-Tec
Inscrições: até 8 de maio
Link para inscrição: Portal | CTI-Tec
Datas da capacitação: de 12 de maio a 20 de junho, em formato híbrido
Investimento: gratuito
Veja íntegra do edital.
TECNOLOGIA
MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos
Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.
A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.
Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.
O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.
A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.
Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.
Minerais críticos
“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.
Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.
Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.
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