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Mariangela Hungria: A microbiologista que semeia futuro e colhe reconhecimento

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Mariangela Hungria personifica a paixão pela ciência, a força da maternidade e a resiliência de uma mulher que nunca desistiu de seus sonhos. Aos 66 anos, a pesquisadora da Embrapa Soja, premiada na categoria Trajetória do Prêmio Mulheres e Ciência, colhe os frutos de uma carreira dedicada à microbiologia do solo, com um impacto gigantesco na agricultura brasileira e mundial.

“Ganhar esse prêmio tem um enorme significado para mim, como mulher, mãe e como cientista”, revela Mariangela, com a emoção de quem relembra os desafios superados e as conquistas alcançadas.

Do livro de infância à liderança científica

A fascinação pelos microrganismos nasceu na infância, com o livro “Caçadores de Micróbios”, presente de sua avó. Aos oito anos, Mariangela já sabia que seria cientista, um sonho incomum para uma menina na década de 1960.

“Decidi ser cientista, estudar microbiologia, algo incomum para uma criança do sexo feminino nascida no final da década de 1950, na pequena cidade onde eu morava”, recorda Mariangela, com um sorriso de satisfação.

A trajetória acadêmica, iniciada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo ( ESALQ-USP), foi marcada pela persistência em estudar o papel dos microrganismos na nutrição de plantas, mesmo diante do ceticismo de muitos colegas e professores.

“Mesmo desencorajada pela grande maioria dos professores e profissionais da área, insisti em iniciar a carreira científica em estudos sobre o papel dos microrganismos na nutrição de plantas, com ênfase no processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN)”, conta Mariangela. 

Maternidade e ciência: uma jornada de superação

“No segundo ano de universidade, engravidei acidentalmente e, logo depois, o destino colocou uma segunda filha com necessidades especiais em minha vida, o que reforçou meu desejo de contribuir para um mundo melhor, com maior diversidade, mais sustentável, com oportunidades para todos”, conta a cientista, que passou a vida administrando escolhas entre maternidade e carreira.

A maternidade trouxe desafios e aprendizados e Mariangela precisou tomar decisões difíceis, como deixar um laboratório de ponta na Embrapa Agrobiologia para buscar tratamento especializado para sua filha, em Londrina (PR). “Jamais tive dúvidas de que, como mãe, a prioridade tinha que ser minha filha, mas graças ao MCTI/CNPq eu pude seguir com o sonho de ser cientista. Ser mãe e ser cientista são essenciais para mim”, afirma Mariangela, com a emoção de quem equilibrou com maestria a maternidade e a carreira científica.

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“Em minha carreira, enfrentei muitos preconceitos e ouvi comentários desmerecedores pelo fato de ser mãe, ter problemas de saúde em casa, criar as filhas sozinha. Mas após minha primeira palestra, passei a receber dezenas de e-mails e mensagens de mulheres afirmando que agora se sentiam confiantes para ir em frente”, relembra a cientista.

Uma “Microrrevolução Verde”

A chegada à Embrapa Soja, em 1991, após três anos de trabalho nos Estados Unidos, marcou o início de uma nova fase na carreira de Mariangela. Com um laboratório vazio e a determinação de quem não desiste, ela construiu um grupo de pesquisa de referência nacional e internacional.

“Fui escrevendo projetos, pedindo ajuda aqui e ali e jamais esquecerei o primeiro projeto aprovado pelo CNPq, quando comprei o primeiro fluxo laminar, item básico de um laboratório de microbiologia do solo. Até hoje tenho carinho especial por esse fluxo, vivem pedindo para eu aposentá-lo, mas eu não deixo…”, relembra Mariangela, com nostalgia.

As pesquisas de Mariangela revolucionaram a agricultura brasileira, com o desenvolvimento de tecnologias de inoculação que dispensam o uso de fertilizantes químicos, beneficiando o meio ambiente e a economia do país. “Se nos anos 1970 a ‘Revolução Verde’, de Norman Borlaug, promoveu um aumento impressionante na produção de plantas por meio do uso de fertilizantes químicos, principalmente nitrogenados, agora a estratégia é utilizar microrganismos promotores do crescimento de plantas (MPCP), em uma nova era de ‘Microrrevolução Verde’”, explica Mariangela, com a visão de quem semeia futuro e colhe reconhecimento.

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Um legado para as futuras gerações

Com mais de 380 publicações científicas, 150 documentos técnicos, 250 orientações e 30 tecnologias lançadas, Mariangela é uma referência na microbiologia do solo. Seu trabalho impacta mais de 30 milhões de hectares no Brasil, com economia para o agricultor, para o país e menor poluição ambiental.

Orgulhosa de seu trabalho, Mariangela conta que “o sucesso crescente com a soja levou os agricultores a pedirem soluções para outras culturas e foi assim que, no final da década de 1990, inclui nos estudos uma nova linha de pesquisa, de bactérias promotoras do crescimento de plantas (BPCP) para não leguminosas”.

Mariangela também se dedica à divulgação científica e à formação de jovens pesquisadores, inspirando meninas e mulheres a seguirem seus sonhos na ciência. Com generosidade, a cientista compartilha sua experiência com outras pessoas. “Tornei-me porta-voz dos pais com filhos com necessidades especiais na Embrapa e agora sempre cito minhas limitações e lutas nas palestras, sendo tocante os agradecimentos que recebo em troca disso, inspirando e dando confiança às mulheres (e homens também) sobre seguir em frente mesmo com limitações”, revela.

Um futuro com mais sustentabilidade

Para os próximos anos, Mariangela pretende continuar liderando o INCT MicroAgro, um projeto que reúne pesquisadores de todo o Brasil em busca de soluções biotecnológicas para a agricultura sustentável.

“O INCT contribuirá para colocar o Brasil na liderança de uso e em inovação em bioinsumos”, afirma Mariangela, com a convicção de quem acredita no potencial da ciência brasileira.

Mariangela Hungria é uma cientista que semeia futuro e colhe reconhecimento. Desde 2020, compõe a lista da Universidade de Stanford como uma das 100.000 cientistas mais influentes do mundo. Sua história é um exemplo de que a paixão pela ciência, a força da maternidade e a resiliência podem transformar o mundo.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico

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Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.  

Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.  

O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.  

A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.  

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Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.  

Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.  

O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.  

Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.  

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A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).  

Ciência garante presença internacional  

A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.  

Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.  

Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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