TECNOLOGIA
Ministra Luciana Santos participa da Aula Inaugural do Bolsa Futuro Digital
TECNOLOGIA
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou nesta sexta-feira (1º) da aula inaugural do programa Bolsa Futuro Digital, em evento realizado pela Softex Pernambuco. A atividade marcou o início da formação de milhares de jovens dos estados do Pará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás em tecnologia da informação e comunicação, por meio da iniciativa Formação de Profissional Online, voltada especialmente para estudantes da rede pública.
A ministra abriu o encontro de forma virtual destacando o impacto estratégico do programa para o país. “Estamos investindo, no total, R$ 54,5 milhões para formar 10 mil novos programadores nos próximos 24 meses. Essa capacitação é importante porque abre uma janela de oportunidades para vocês, mas também porque posiciona melhor o nosso país para os desafios do nosso tempo”, destacou.
O Bolsa Futuro Digital é uma ação do programa Conecta e Capacita, política pública do MCTI voltada à formação tecnológica, financiada com recursos dos Programas e Projetos Prioritários (PPIs) da Lei de Informática. Nesta primeira etapa, serão ofertadas 5 mil vagas presenciais em 12 estados (Goiás, Maranhão, Pará, Paraiba, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais, Sergipe) e no Distrito Federal. Outras 5 mil oportunidades serão disponibilizadas em seis meses, ampliando o alcance da ação.
A iniciativa vai além da capacitação: os estudantes receberão apoio financeiro durante o curso, que terá nove meses de duração, com trilhas formativas em Desenvolvimento Front-end ou Back-end. Ao final, os alunos com melhor desempenho poderão participar de uma residência tecnológica em empresas parceiras.
O objetivo do programa é conectar jovens em busca de uma chance de entrar no mercado de tecnologia com empresas que precisam de profissionais qualificados. Além da formação, o projeto visa democratizar o acesso à tecnologia, ampliar a inclusão digital e social e fortalecer a soberania nacional.
“Não haverá desenvolvimento sem domínio tecnológico; nem justiça social sem democratização do saber. Precisamos nos inserir nas cadeias mais dinâmicas da economia, nas tecnologias portadoras do futuro. E, para isso, precisamos ter profissionais preparados para atuar nessas áreas. É isso que estamos fazendo aqui”, explicou Luciana Santos.
Aula marca compromisso com a transformação digital
O coordenador-geral do projeto, Eduardo Paiva, destacou o caráter nacional e transformador do Bolsa Futuro Digital.
“Esse projeto, como o próprio nome diz, traz no seu nome o futuro. A bolsa é o apoio, mas o que importa aqui é o futuro”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa tem como foco formar jovens e adultos para o mercado de tecnologia, com duas trilhas formativas — front-end e back-end — e uma abordagem pedagógica diferenciada, voltada para a prática e a inovação.
Paiva também explicou a estrutura da execução do programa, coordenado pela Softex Pernambuco, entidade do terceiro setor com mais de 30 anos de atuação no setor de TI. “Nós atuamos como hub de inovação, criando conexões entre empresas e o mercado. Isso impulsiona negócios, emprego e renda”, ressaltou.
Além da SoftexPE, o projeto é executado em parceria com o Instituto HBR, sediado no Distrito Federal, e com o CEPEDI, da Bahia, formando uma rede que abrange 12 estados e o Distrito Federal.
Confira o evento na íntegra:
TECNOLOGIA
MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos
Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.
A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.
Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.
O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.
A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.
Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.
Minerais críticos
“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.
Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.
Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.
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