TECNOLOGIA
No Japão, ministra Luciana Santos assina memorando de cooperação em ciência e tecnologia
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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, assinou, em sua visita institucional a Tóquio, Memorando de Cooperação em CT&I com o governo do Japão. O documento formaliza a ampliação da parceria bilateral em temas como transformação digital, bioeconomia, saúde, energias limpas, ciências climáticas, espaço e desastres naturais. O acordo foi anunciado, nesta quarta-feira (26), em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba.
A cooperação se dará por meio de chamadas conjuntas para projetos de pesquisa; intercâmbio de informações relevantes e dados científicos, bem como a troca de boas práticas; intercâmbio de especialistas, técnicos e pesquisadores; realização de workshops, seminários e simpósios conjuntos; promoção do intercâmbio entre instituições de pesquisa e o setor privado; e desenvolvimento de projetos PD&I.
“O memorando reforça o compromisso de Brasil e Japão com o desenvolvimento sustentável e o avanço da cooperação científica, alinhando-se às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB) e consolidando a parceria estratégica entre as nações. Essas iniciativas demonstram o compromisso dos dois países em fortalecer a cooperação tecnológica e científica, promovendo inovação e soluções conjuntas para desafios globais”, detalhou Luciana Santos.
Ela participou, no fim da tarde desta quarta-feira (26), da cerimônia em que o presidente brasileiro e o primeiro-ministro japonês anunciaram 10 acordos e 80 instrumentos de cooperação entre as duas nações, após uma série de agendas da comitiva do Brasil no país asiático.
Fórum Empresarial
Em Tóquio, a ministra Luciana Santos participou também do Fórum Empresarial Brasil-Japão. “Os laços históricos entre nossos povos têm o setor empresarial como um dos seus alicerces e, dentro disso, há um componente essencial da tecnologia e da inovação. No Brasil, vivemos a retomada das políticas industriais no sentido da reinserção do País nas cadeias mais dinâmicas da economia global, o que depende da superação do atraso produtivo e tecnológico e do estímulo e apoio à inovação empresarial através da ação decisiva do Estado”, discursou.
Em sua fala no evento, ela destacou as contribuições do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para a nova política industrial brasileira, a Nova Indústria Brasil, e mencionou o memorando de cooperação assinado com o governo do Japão. “Queremos contar com o apoio das empresárias e dos empresários aqui presentes para implementar essa agenda comum entre Brasil e o Japão, e promover o codesenvolvimento de tecnologias e inovações que fortaleçam e integrem nossas cadeias produtivas”, encerrou.
A comitiva brasileira em Tóquio, composta pelo presidente Lula, a primeira-dama Janja, ministros, parlamentares e empresários, cumpre extensa agenda de diálogos e articulações em busca de reforçar os laços entre os dois países. A agenda da missão presidencial no Japão vai até quinta-feira (27), quando seus integrantes seguem para o Vietnã.
TECNOLOGIA
MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos
Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.
A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.
Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.
O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.
A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.
Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.
Minerais críticos
“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.
Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.
Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.
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