TECNOLOGIA
O oceano é visto por especialistas como grande aliado na preservação do meio ambiente
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Em mais uma mesa redonda da Casa da Ciência, pesquisadores internacionais se reuniram para discutir o legado do Oceans20 no âmbito do G20 Social e potenciais futuras contribuições no enfrentamento às mudanças do clima. Para o professor do Instituto Oceanográfico da Universidade São Paulo (USP), Alexander Turra, a inclusão dos oceanos nos debates do G20 foi de extrema importância. “Dessa forma, nós conseguimos mostrar que os oceanos são os nossos maiores aliados na busca pela preservação do meio ambiente”, disse.
Ao assumir a 19ª Cúpula de Líderes do G20, em 2024, o Brasil criou o G20 Social, onde foi criada uma dinâmica de inclusão da sociedade civil nos debates de temas importantes, buscando levar esse discurso social para as lideranças. No âmbito deste, foi criado o Oceans20, um grupo de engajamento da sociedade civil.
A pesquisadora da Rede de Observação Ambiental da África do Sul (em inglês South African Environmental Observation Network, Saeon), Tamaryn Morris, por sua vez, trouxe a visão da África sobre o oceano. “Através do nosso continente, o oceano é uma linha da vida que conecta todas as áreas e todos os povos. Para nós o oceano é a promessa de crescimento sustentável, inclusivo e profundamente ligado às nossas raízes.”
O Oceans20 propôs uma economia justa para o oceano; o avanço de uma transição energética ambiciosa, justa e inclusiva; e a promoção da segurança alimentar e a prática da pesca sustentável. Ainda de acordo com Turra, o grupo aproximou a sociedade dos debates sobre o oceano. “Agora nós temos o desafio de criar uma estratégia para engajar a sociedade civil e criar um legado para o trabalho que foi feito”, finalizou.
No G20, a agenda do oceano foi um dos quatro pilares do grupo de trabalho sobre sustentabilidade climática e ambiental, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, e permeia outros grupos de trabalho, dada a característica transversal do tema. O Oceans20 é coordenado pela Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano da Universidade de São Paulo, em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo) — vinculado ao MCTI —, o Fórum Econômico Mundial, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e Ocean Stewardship Coalition e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
Moderados pela diretora de Infraestrutura e Operações do Inpo, Janice Trotte-Duhá, a mesa ainda contou com a presença do diretor do Centro de Política Marinha do Instituto Oceanográfico Woods Hole (em inglês Woods Hole Oceanographic Institution, WHOI), Kilaparti Ramakrishna.
Casa da Ciência
O debate ocorreu nesta sexta-feira (14), na Casa da Ciência do MCTI. O espaço fica no Museu Paraense Emílio Goeldi, é um local de divulgação científica, com foco em soluções climáticas e sustentabilidade, além de ser um ponto de encontro de pesquisadores, gestores públicos, estudantes e sociedade. Até o dia 21, ela será a sede simbólica do ministério e terá exposições, rodas de conversa, oficinas, lançamentos e atividades interativas voltadas ao público geral. Veja a programação completa.
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MCTI e CNPq abrem chamada pública de R$ 8 milhões para apoiar eventos nacionais da SNCT
Estão abertas as inscrições para a chamada pública de apoio aos eventos de divulgação e popularização da ciência da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). As inscrições vão até 3 de julho. Serão R$ 8 milhões em recursos, provenientes do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo a secretária de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social, Germana Coriolano, a chamada é uma forma de ampliar ainda mais o alcance das ações pelo país. “A chamada reforça o compromisso do governo federal com uma ciência mais diversa, inclusiva e representativa da sociedade brasileira. Garantir recursos para todas as regiões do Brasil é fundamental para democratizar o acesso ao conhecimento e valorizar a produção científica em diferentes territórios”, disse.
Neste ano, o maior encontro de divulgação científica do País terá como tema Ciência Delas. “Esse tema é um convite para reconhecer a contribuição histórica das mulheres na ciência e, principalmente, incentivar novas gerações de meninas a ocuparem esses espaços.”, explica a secretária. Nesta edição, as atividades nacionais da SNCT estão previstas para ocorrerem de 20 de outubro e 1º de novembro. Já o evento em Brasília (DF) será de 10 a 15 de novembro.
Para participar da chamada, os encontros, em âmbito municipal, estadual, distrital e intermunicipal, devem se enquadrar no tema Ciência Delas. “Nós estamos muito animados com a possibilidade de ver mais trabalhos sobre as mulheres cientistas e com a participação ainda maior das meninas. Com a chamada, nós vamos conseguir que a sociedade seja mobilizada a pensar na importância das mulheres e meninas para a ciência”, comemora a diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, Juana Nunes.
Cada unidade da Federação deverá ser contemplada com pelo menos uma proposta em cada linha de financiamento. Ainda assim, cada uma deverá ter seu mérito atestado e recomendado pelo comitê julgador. No mínimo 30% do valor deverá ser direcionado para propostas a serem executadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A chamada ainda determina que, dos projetos contemplados, 30% deverão ter como proponentes pessoas negras ou indígenas, de acordo com a autodeclaração constante no currículo lattes.
Os eventos participantes deverão obrigatoriamente ser gratuitos e estimular o livre acesso a todos.
Veja a íntegra do edital e o texto-base dos eventos.
SNCT
Instituída em 2004 por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é promovida anualmente pelo MCTI em parceria com unidades de pesquisa, agências de fomento e entidades vinculadas, comunidade científica, universidades, instituições de ensino de pesquisa, escolas, museus e jardins botânicos, secretarias estaduais e municipais, empresas de base tecnológica e entidades da sociedade civil.
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