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Pop Ciência é o ponto de encontro da SNCT, com desafios matemáticos, curiosidades e peças de teatro

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Desde terça-feira (20), a Esplanada dos Ministérios virou uma ilha e, em torno dela, está o oceano. A chegada da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) trouxe consigo um mundo inteiro de cor, vida, informação e curiosidade. O tema deste ano, Planeta Água: a Cultura Oceânica para Enfrentar as Mudanças Climáticas no meu Território, fica espalhado no ambiente e impacta até quem desconhece a linha narrativa da feira. No centro do espaço, o estande Pop Ciência pulsa como um microuniverso. Até domingo (26), todos podem acessar o espaço e ingressar na jornada imersiva. A programação completa está disponível no site do evento.

De um canto, a atriz-divulgadora científica Tainara Cristina Basaglia, de 33 anos, do coletivo Neperfekta, convida adolescentes a “desvendar o grande cálculo” numa peça teatral que mistura Hipátia, Pitágoras, Gauss e conexões com referências pop e atuais. De outro, monitores do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), gerem uma sala de escape (escape room) — uma espécie de jogo interativo em que os participantes precisam resolver enigmas para conseguir sair de lá — com temas ligados à cultura oceânica, como manguezais, El Niño e mudanças climáticas.

Cada vez que o visitante volta à mostra, algo novo o espera: um laboratório, uma exibição, uma música, um cálculo de matemática surpresa. E, ali mesmo, entre risadas, descobertas e aplausos, a matemática, a ciência e a cultura se entrelaçam. Porque, como comentou Tainara: “Você percebe que a mensagem está chegando”.

Logo ao entrar no pavilhão, nota-se uma movimentação abstrata: estandes coloridos se sucedem, monitores engajados em explicações, pequenas rodas de visita guiada e, ao fundo, um palco principal, onde apresentações acontecem ao longo do dia. Tudo é dito nesse lugar, que recebe desde apresentações sobre o espaço a tubarões científicos que dançam, informam e animam o público.

É quando o participante se mistura ao ambiente em disparada exploratória que tudo começa a se conectar. A agenda da SNCT aponta que esse estande — entre outros espaços como o Espaço Conexões, Parque dos Dinossauros Brasileiros e Laboratório das Marés — funciona como polo de atrações variadas. Nesta quinta-feira (23), a arte tomou conta do local. A ciência respirou nas telas, demonstradoras, conversas com o público e até nas luzes que criam um clima quase de instalação artística.

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O Conto das Contas

No Pop Ciência, a peça O Conto das Contas foi apresentada a quem passava. No início, um pequeno público ocupava o espaço para assistir ao espetáculo, mais próximo do final, os espectadores haviam quase dobrado de tamanho. Todos ali acompanharam a jornada de Faustina, uma menina que detesta matemática e faz de tudo para evitá-la.

Depois de ser colocada de castigo por se recusar a estudar, ela adormece sobre o caderno e mergulha em um sonho extraordinário em que é transportada para um mundo habitado pelos grandes nomes da história da matemática. Guiada por Hipátia de Alexandria — uma das primeiras mulheres matemáticas da Antiguidade, cuja trajetória foi apagada dos livros —, Faustina encontra matemáticos antigos, que a ajudam a desvendar um “grande cálculo” misterioso. Cada personagem revela a beleza e a lógica por trás dos números, mostrando que a matemática está presente em tudo.

Para Tainara, responsável pela peça, a união do lúdico com o exato faz com que todos fiquem eufóricos. “Eu sei que está funcionando, porque no final do espetáculo, as crianças aqui estavam fazendo a conta com a Faustina. Não só as crianças, mas os adultos também. Você percebe que o teatro está funcionando quando as crianças querem entrar em cena. É um desafio popularizar a ciência? Sim, é um desafio muito grande. Mas é muito gostoso também”, afirmou.

Outros espetáculos seguiram ao longo do dia, e o mesmo comportamento era observado em todas as oportunidades. O espaço se enchendo de curiosidade, as crianças se aglomerando e a ciência se espalhando. Na SNCT, a constância permanece no aprendizado.

Mostra de trabalhos

Logo ao lado do palco onde as peças emocionam o público, tem uma mostra com trabalhos estudantis, com ideias únicas de alunos vindos de todas as regiões do País. A oportunidade aproxima um aluno de outro, trazendo representatividade para dentro da ciência e mostrando que estudantes também fazem descobertas e trabalhos incríveis. Pulsando como um laboratório vivo, é ali que a curiosidade se transforma em invenção: entre estandes interativos, maquetes, protótipos e projetos de jovens pesquisadores.

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A cada nova rodada de apresentações, o espaço se renova: entram novos expositores, mudam os sotaques, as ideias e os materiais usados. Professores e estudantes se revezam para mostrar que a ciência brasileira nasce também nas escolas públicas, nas feiras estudantis e nas pequenas cidades, com soluções criativas para problemas reais.

Do Acre (AC) veio o grupo que transforma o tronco da bananeira em fibras capazes de virar roupas, bolsas e artesanato sustentável. De Sergipe (SE), um jovem de 20 anos apresenta tijolos feitos com fibra de coco — quatro vezes mais resistentes e mais baratos que os convencionais — e sonha em ver casas populares construídas com o material. Já do Rio Grande do Sul (RS), estudantes desenvolveram um equipamento automatizado de compressão torácica, pensado para baratear e ampliar o acesso a tecnologias de salvamento.

Em outro estande, direto do Distrito Federal (DF), professores de física e robótica demonstram a central de bem-estar: um sistema que mede radiação ultravioleta, umidade, gases poluentes e temperatura, transmitindo os dados por uma rede independente de internet, movida a energia solar. A ideia é simples e poderosa — colocar a tecnologia a serviço da comunidade, em tempo real.

Mais que uma exposição, a SNCT é um retrato do Brasil que experimenta e inventa. É ciência que nasce da sala de aula, da observação e curiosidade do cotidiano e da vontade de transformar o que está em volta. Um convite para ver, ouvir e sentir a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em movimento.

A SNCT é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sob a coordenação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), e conta com o patrocínio de Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Huawei do Brasil Telecomunicações Ltda; Caixa Econômica Federal; Positivo Tecnologia S.A.; Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT); Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB); Conselho Federal de Química (CFQ); Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur); Comitê Gestor da Internet no Brasil / Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (CGI.br e NIC.br) e Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (Aiab).

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

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O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

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Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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