TECNOLOGIA
Você sabe qual é a participação do Brasil no programa Artemis?
TECNOLOGIA
A missão Artemis II marcou o início de uma nova etapa da exploração lunar e reposicionou a atuação internacional no setor espacial. A ação reacendeu o sonho antigo de retorno ao satélite da Terra e faz parte de um programa de longo prazo. Mas você sabe qual é o papel do Brasil nessa missão histórica? O País é parte signatária da iniciativa global desde 2021 por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os acordos Artemis buscam viabilizar a presença humana sustentável na Lua, abrir caminho para futuras missões a Marte e impulsionar o desenvolvimento de tecnologias com aplicação tanto no espaço quanto na Terra.
A exploração espacial e o avanço da astronomia se tornaram parte prioritária de grande parte do planeta. Sem eles, não haveria serviços como GPS, previsão do tempo moderna e grande parte da infraestrutura de comunicação global. O acordo já foi assinado por 61 países e é estruturado como uma iniciativa internacional com diretrizes para a cooperação na exploração pacífica do espaço.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) estruturou, em parceria com instituições nacionais, iniciativas para a participação do País em futuras etapas do programa, abrindo um novo eixo de atuação científica e tecnológica. Duas delas já estão em andamento, o projeto Space Farming, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a AEB, e o nanossatélite SelenITA, do Instituto Brasileiro de Aeronáutica (ITA), em parceria com a AEB e a Financiadora de Projetos (Finep). Tanto a AEB quanto a Finep são vinculados ao MCTI.
“A principal contribuição do Brasil no acordo Artemis é ciência de qualidade para agregar valor a essa iniciativa num marco de cooperação internacional”, afirma o diretor da AEB, Rodrigo Leonardi.
Alimentação lunar
Entre as iniciativas em desenvolvimento, está a Frente de Agricultura Espacial do Brasil, conduzida pela Embrapa em parceria com a AEB. A proposta busca desenvolver sistemas de produção de alimentos capazes de operar em condições extremas, como baixa gravidade, alta radiação e ausência de solo, com foco na viabilização da permanência humana em ambientes como a Lua.
As pesquisas são conduzidas no âmbito da Rede Space Farming Brazil, que reúne instituições nacionais e internacionais e atua no desenvolvimento de tecnologias adaptáveis tanto ao ambiente espacial quanto a cenários críticos na Terra. “É o cultivo de plantas fora da Terra, com o objetivo também de geração de tecnologias e produtos a serem utilizados no nosso planeta em benefício da sociedade”, explica a coordenadora da rede, Alessandra Fávero.
A iniciativa tem como base o desenvolvimento de cultivos adaptados a condições adversas, com destaque para espécies como batata-doce e grão-de-bico, selecionadas por sua resiliência e potencial nutricional. Além disso, envolve o uso de tecnologias como sensores, automação e aprendizado de máquina, com foco em sistemas de produção mais eficientes no uso de água e energia.
Os avanços esperados não se restringem ao ambiente espacial. As soluções desenvolvidas podem ser aplicadas em contextos terrestres, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, como a produção de alimentos em ambientes urbanos, regiões com escassez hídrica e áreas vulneráveis a eventos extremos. “Espera-se avanços tecnológicos no cultivo em ambiente fechado, com economia no uso de água e energia, o que pode ser aplicado tanto na Terra quanto no espaço”, destaca a pesquisadora.
SelenITA
Outra frente de atuação brasileira é o desenvolvimento do nanossatélite SelenITA, projeto conduzido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de investigação do ambiente dinâmico da superfície da Lua e sua interação com o espaço ao redor.
A missão tem como foco a caracterização de fenômenos como o comportamento do plasma, a movimentação da poeira lunar e suas interações elétricas, além de aspectos relacionados à geologia e à estrutura interna do satélite natural.
Com cerca de 30 quilos e arquitetura do tipo 16U — formada por módulos cúbicos de 10 centímetros —, o satélite foi projetado para operar em órbita lunar e gerar dados sobre variações entre o dia e a noite na Lua, incluindo condições que representam riscos para equipamentos e futuras missões tripuladas.
“O Brasil está inserido no seleto grupo de países que vai investigar a Lua com o Programa Artemis, participando com a contribuição de nossos pesquisadores no mais importante empreendimento científico do século XXI, a exploração e ocupação da Lua”, afirma o gerente da missão, Luís Loures.
Do ponto de vista científico, os objetivos do SelenITA estão alinhados a frentes estratégicas do programa Artemis, como o estudo de processos planetários — que busca compreender a composição interna e os campos magnéticos da Lua —, os ciclos de poeira e voláteis na superfície lunar e a mitigação de riscos associados à exploração, especialmente aqueles relacionados à radiação e à carga elétrica do ambiente.
O projeto encontra-se em fase de Revisão Preliminar de Projeto (Preliminary Design Review – PDR), etapa que avalia a viabilidade técnica da missão e consolida os principais sistemas do satélite. Entre os próximos passos estão o fortalecimento de parcerias internacionais e industriais e a negociação, conduzida pela Agência Espacial Brasileira (AEB), para viabilizar o transporte do equipamento até a órbita lunar.
A iniciativa também tem papel estratégico na formação de recursos humanos e no fortalecimento da base tecnológica nacional. O projeto envolve a formação de estudantes em nível de pós-graduação, com treinamento prático no desenvolvimento de sistemas espaciais, e contribui para a inserção do Brasil em cadeias de alta complexidade tecnológica associadas à exploração espacial.
Além dos projetos em desenvolvimento, a participação no programa Artemis abre novas perspectivas para o setor espacial brasileiro. Segundo a AEB, a iniciativa representa uma oportunidade de consolidar a inserção do País em atividades de exploração espacial, ampliando o escopo do Programa Espacial Brasileiro. “A principal oportunidade é incluir, de forma contínua, no Programa Espacial Brasileiro, atividades de exploração espacial”, afirma Leonardi.
Nesse contexto, a cooperação internacional é apontada como elemento central para viabilizar o avanço das iniciativas brasileiras, tanto pela complexidade técnica quanto pelos custos envolvidos em missões desse tipo. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento dessas capacidades tende a gerar impactos em outras áreas estratégicas. “Esses desafios vão nos permitir desenvolver novas tecnologias e soluções, com potencial de aplicação também aqui na Terra”, completa o representante da AEB.
Artemis
A Artemis II foi a primeira missão tripulada do programa e teve como objetivo voar ao redor da Lua, sem pouso, para testar sistemas essenciais de navegação, comunicação e suporte à vida em ambiente de espaço profundo. A operação utilizou o foguete Space Launch System (SLS) para o lançamento e a cápsula Orion para o transporte da tripulação. Além da Nasa, o programa conta com contribuições de parceiros internacionais, como a Agência Espacial Europeia, responsável pelo módulo de serviço da Orion, entre outras agências envolvidas em diferentes frentes tecnológicas e científicas. A missão retornou com sucesso à Terra em 11 de março.
Os quatro astronautas voltaram saudáveis e em segurança. A amerissagem (pouso no mar) da cápsula Orion ocorreu no Oceano Pacífico, próximo à Califórnia, depois de uma jornada que durou dez dias ao redor da Lua.
TECNOLOGIA
Unidade vinculada do MCTI integra novo conselho de apoio ao empreendedorismo feminino
Apesar das dificuldades e preconceitos, as mulheres estão cada vez mais ocupando espaços que antes eram majoritariamente masculinos, como o empreendedorismo. Ainda que o movimento tenha avançado nos últimos anos e seja uma grande conquista, a diretora da Lunagreen Bioativos, Nathália Pedroso, conta que o desafio continua. “Nós precisamos nos provar o tempo inteiro, mostrar que somos capazes, que somos tão boas quanto qualquer homem ou empresa liderada por um homem. Mesmo que isso canse, eu amo tanto o que faço, que essa luta já virou rotina”, explica.
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 2024, cerca de 10,4 milhões de mulheres eram donas do seu próprio negócio — contra os quase 20 milhões de homens na mesma posição. Com o intuito de apoiá-las e diminuir as desigualdades, o consórcio internacional Enterprise Europe Network Brasil (EEN) criou o Conselho Nacional de Empreendedorismo Feminino, Governança e Sustentabilidade Socioambiental. “Nós precisamos e queremos ver mulheres crescendo, ajudando umas às outras. Nós precisamos desse crescimento, não para provar para a sociedade a nossa capacidade, mas para mostrar para nós mesmas que podemos realizar os nossos sonhos e conquistar a nossa independência”, continua a empreendedora.

- Em 2024, cerca de 10,4 milhões de mulheres eram donas de seu próprio negócio
De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), nove entre dez mulheres relataram práticas para aumentar a sustentabilidade ambiental de seus negócios e, quatro, entre cinco, para objetivos de sustentabilidade social. A Lunagreen é uma empresa de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de insumos naturais e biotecnológicos para a indústria de cosméticos.
“Eu brinco que toda a parte natural que os cosméticos têm, a Lunagreen faz. Nós nascemos de um projeto muito especial, que é um beneficiamento de rejeitos. Hoje, todos os nossos insumos e processos são focados em obter biotecnologia com muita responsabilidade social e ambiental, sempre pensando em todos os elos da cadeia produtiva, de modo que todo mundo se beneficie e que o nosso trabalho não prejudique o meio ambiente”, explica Nathália.
Ainda segundo o GEM, as empreendedoras ganham em média 20% menos que os homens. Mesmo com os constantes desafios, Nathália Pedroso considera que o prêmio final ainda vale o caminho. “Para mim, a mulher é tão boa como empreendedora porque, além de ser boa já pelo trabalho que faz, ela ainda coloca o coração nas coisas. E, quando a gente coloca o coração nas coisas, as coisas saem muito melhor”, finaliza.
O conselho
O conselho terá seus trabalhos desenvolvidos em sintonia com a Comissão de Combate às Desigualdades do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, da Secretaria de Relações Institucionais ligada à Presidência da República. O comitê será formado por instituições do ecossistema do EEN, como o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo a vice-presidente da EEN Brasil e coordenadora-geral de Informação Tecnológica e Informação para a Sociedade (CGIT) do Ibict, Cecília Leite, a iniciativa nasce como uma plataforma estratégica de transformação. “O objetivo é impulsionar uma nova agenda de desenvolvimento para o País, ancorada na inclusão produtiva, na sustentabilidade e, sobretudo, no protagonismo feminino. Mais do que reduzir desigualdades, o conselho busca reposicionar as mulheres como líderes nos negócios, inclusive no cenário internacional, reconhecendo que fortalecer a liderança feminina é acelerar a inovação, a competitividade e o crescimento econômico do Brasil”, afirma.
O conselho funcionará principalmente em ambientes digitais, com inteligência informacional e estratégias de comunicação inovadoras. “É nesse ponto que o Ibict assume um papel decisivo: como indutor de um ecossistema de informação e inovação, o instituto desenvolve e disponibiliza plataformas, ferramentas e conteúdos estratégicos que democratizam o acesso ao conhecimento. Isso permite que mais mulheres — em diferentes regiões e contextos — tenham acesso a informações qualificadas, oportunidades de capacitação e inserção em cadeias produtivas globais”, explica Leite.
Também participam do consórcio a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec), Organização Brasileira de Mulheres Empresárias, Enrich in Lac e Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação.
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