MATO GROSSO
SES realiza exames oftalmológicos com aparelho portátil que facilita diagnóstico de doenças oculares
MATO GROSSO
O objetivo da SES é adquirir 250 aparelhos retinógrafos portáteis e disponibilizar para os municípios parceiros do programa de Saúde Digital. O equipamento permite que os atendimentos sejam realizados fora do ambiente hospitalar, com o apoio das equipes municipais.
Em parceria com a Prefeitura de Várzea Grande, a SES ofertou, na última segunda-feira (06.05), 30 exames oftalmológicos com o aparelho de retinografia aos munícipes de Várzea Grande. O número corresponde a 10% da demanda existente no município.
Na terça-feira (07), também houve a realização do exame na Unidade Prisional Ana Maria Couto. Ainda haverá demonstrações do aparelho na reunião da diretoria do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems), que ocorrerá nesta quarta-feira (08), e na reunião da Comissão Bipartite do Estado de Mato Grosso (CIB-MT), prevista para ocorrer na quinta-feira (09).
O superintendente de Atenção à Saúde da SES, Diógenes Marcondes, enfatiza a importância da aquisição dos 250 aparelhos ultra tecnológicos, que permitem o diagnóstico em poucas horas.
“A evolução da medicina é sempre focada em oferecer atendimentos mais rápidos, eficazes e precisos aos pacientes. Na busca por esse objetivo e com uma demanda alta em Mato Grosso por exames oftalmológicos, decidimos estudar, testar e adquirir, o aparelho de retinografia, que vai auxiliar médicos e profissionais da saúde. O exame será feito no paciente e em 12 horas já se saberá o diagnóstico ocular completo”, explicou.![]()
O gestor informou que os laudos serão emitidos em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFGO). “A parceria prevê que a UFGO fique responsável por emitir os laudos, via online, ou seja, tudo gratuitamente para o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescentou.
Os aparelhos retinógrafos portáteis são de fácil operação e podem ser operados por diversos profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros, socorristas e radiologistas. Para isso, serão ofertadas capacitações para o manuseio do aparelho.
O objetivo da aquisição é, inicialmente, facilitar o acesso à saúde e a rapidez nos resultados de exames e diagnósticos.
Programa de Saúde Digital
A aquisição dos retinógrafos portáteis integra programa de Saúde Digital da SES, cujo objetivo é otimizar e modernizar os serviços de saúde em diversas especialidades. O programa oferta teleconsultas, mediadas por médicos generalistas e com especialistas através das tecnologias da informação e comunicação. As ações do programa não só ampliam e agilizam o acesso aos serviços de saúde, mas também diminui os custos associados.
Com 25 especialidades cobertas por 46 médicos especialistas, o programa não se limita apenas às teleconsultas, mas também oferece telediagnósticos e webaulas para aprimorar a capacitação dos profissionais de saúde envolvidos.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
O Objeto Direto somos nós…
Há figuras de linguagem que passaram a viver muito além das salas de aula. Durante muito tempo, elas pareciam existir apenas entre apostilas, poemas, romances e professores de Português, armados de giz, paciência e ritual pedagógico. A metáfora, por exemplo, frequentava sonetos e arranjos de poesias. A hipérbole, por sua vez, aparecia nos amores adolescentes, para atestar que tudo se passava fora de dúvidas. Já longe do ambiente escolar, o eufemismo surgia em cartas adredes delicadas ou em diagnósticos cautelosos, com a missão de dourar a pílula. Havia certo pudor linguístico: as palavras ainda mantinham algum compromisso mínimo com aquilo que se pretendia fosse a expressão da verdade.Hoje, não mais.As figuras de linguagem perderam importância discretamente nos livros didáticos e assumiram funções estratégicas na vida em sociedade, nos ambientes públicos e privados. Não ornamentam apenas o discurso. Administram a realidade.A metáfora, nas mais das vezes, tornou-se peça essencial de crises sem solução. Já não existem rombos, colapsos ou fracassos monumentais. Tudo virou “desafio conjuntural”, “readequação estratégica”, “oscilações do cenário” ou “ajustes estruturantes”. O desastre iminente ganha maquiagem técnica e reaparece vestido de soluções impossíveis.Dia desses, um cidadão comum acordou devendo até a alma em seus financiamentos, que outrora pensava ser a solução dos seus problemas. Daí, em decorrência, impuseram-lhe uma camisa de força, com ares de negociação: reordenação personalizada do crédito, reestruturação de passivos, e por aí vai o desvio linguístico. Mais uma dívida que aparecesse por aí para renegociar e, provavelmente, teria que parcelar até a própria existência em suaves prestações futuras…O eufemismo, a bem dizer, tornou-se patrimônio institucional do nosso tempo.Isso não tem mais fim. Antigamente, sujeito inadimplia sem retorno e, assim, era reconhecido. Hoje atravessa uma “reestruturação patrimonial assistida”. Empresas não demitem funcionários, apenas promovem “desmobilizações estratégicas de capital humano”. Impostos aumentam e alagam o bolso de todos, de empresas e trabalhadores, e são apresentados como justiça tributária.Nesses círculos, a linguagem moderna não elimina o problema — ela o anestesia.Talvez porque certas verdades se tenham tornado ásperas demais para circular sem embalagem, eis a questão…Vamos em frente. Navegar é preciso, tal qual a orientação de Fernando Pessoa. A hipérbole também prospera. Num mundo saturado de estímulos, o trivial já não consegue sobreviver sozinho. Tudo precisa nascer inflado. O crescimento é histórico. A crise é histórica. O déficit é histórico. O exagero virou pajelança da narrativa. A realidade já sai da fábrica calibrada, resolvida, sem a possibilidade de objeção…E há ainda a anáfora, coisa mais sofisticada nesse ambiente linguístico — aquela repetição insistente no início das frases — funcionando como motor psicológico coletivo:“Agora vai.”“Agora aprendemos com os erros.”“Agora será diferente.”A frase muda de roupa. A esperança permanece inalterada.A metonímia, outra figura glamurosa, talvez seja a mais poderosa de todas. Ela opera verdadeiros milagres na dissolução contemporânea de responsabilidades. É impressionante! Centenas de pessoas reais tomam decisões concretas, produzem consequências concretas e afetam vidas concretas — mas a autoria evapora em abstrações metafísicas, que pairam sobre o noticiário como entidades sobrenaturais.Ninguém decide.“O mercado decidiu.”Ninguém erra.“O sistema apresentou inconsistências.”A linguagem institucional moderna descobriu uma forma elegante de fazer desaparecer o agente da ação. Talvez seja este o verdadeiro novo código de ética do nosso tempo…E o fenômeno atravessa praticamente tudo: governos, empresas, redes sociais, publicidade, mercado financeiro e até relações pessoais. Aos poucos, deixamos de usar a linguagem como descrição da realidade. Passamos, preferentemente, a utilizá-la para amortecer impactos, redistribuir culpas e tornar emocionalmente suportável aquilo que, talvez, não suportasse descrição direta.A ironia, por sua vez, perdeu completamente o controle sobre si mesma. Muitas vezes é substituída por luta corporal para resolver divergências… O convencimento se faz nos braços do mais forte, ora pois…Mas nenhuma figura resume tão bem o espírito do nosso tempo quanto o oxímoro — essa convivência confortável entre ideias incompatíveis que, depois de repetidas muitas vezes, passam a soar perfeitamente normais. Vivemos falando em “privacidade pública”, “autenticidade performática”, “ilusão real”, “gentileza cruel”. A incoerência já não escandaliza. Apenas segue expediente normativo.E existe ainda a elipse — essa arte discreta de retirar da frase aquilo que o contexto supostamente já permite compreender. “Uns preferem o silêncio; outros, o espetáculo.” “Alguns vendem esperança; outros, estabilidade.” O verbo desaparece sem alarde, como se a própria linguagem tivesse aprendido que certas omissões tornam o discurso mais fluido, mais elegante e, não raro, mais conveniente. Talvez o nosso tempo também tenha desenvolvido gosto semelhante por ausências cuidadosamente administradas. E, para além da elipse, quanto mais grave o problema, maior parece ser o desaparecimento do sujeito da frase.O nosso mundo, às vezes, parece administrado por acontecimentos sem autor.No fim, talvez a maior figura de linguagem contemporânea seja a própria realidade — permanentemente reescrita para não parecer aquilo que é.Mudaram as figuras.O objeto direto somos nós.
*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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