TECNOLOGIA
Marina Alves Amorim: A cientista que tece políticas públicas e sonhos
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Marina Alves Amorim não é apenas uma cientista premiada pelo Prêmio Mulheres e Ciência. Ela é uma tecelã de sonhos, uma mãe orgulhosa, uma esposa dedicada e uma pesquisadora apaixonada por transformar a realidade das mulheres em Minas Gerais. Sua trajetória é um mosaico de desafios superados, conquistas celebradas e uma incansável busca por equidade de gênero. “O caminho na ciência é longo e cheio de desafios”, afirma.
“Eu não sou daquelas pessoas que, desde criança, sonhavam em ser pesquisadora ou em trabalhar com ciências humanas. Essas coisas foram se desenhando ao longo da minha trajetória”, revela Marina. Nascida e criada em Belo Horizonte, ela trilhou um caminho acadêmico brilhante, impulsionado pela curiosidade e pelo desejo de compreender o mundo à sua volta.
Da sala de aula para o laboratório: uma jornada de descobertas
A paixão pela história, geografia, filosofia e sociologia floresceu nos corredores de uma escola católica tradicional. A graduação em História, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi apenas o primeiro passo de uma jornada que a levaria à pesquisa científica.
“Sempre fui uma excelente aluna, muito estudiosa, aplicada e dedicada. Isso me abriu portas dentro da universidade, especialmente para ter acesso à iniciação científica, algo que, na época, não era tão acessível quanto se tornou depois”, conta Marina, com gratidão pelas oportunidades que moldaram sua carreira.
A persistência e a resiliência, herdadas dos pais, foram bússolas que a guiaram em meio aos desafios da vida acadêmica. A maratona de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado foi enfrentada com a convicção de que o conhecimento é a chave para transformar a sociedade.
Maternidade e carreira: um equilíbrio delicado
“Eu sempre quis ser mãe. O meu primeiro grande desafio foi justamente essa incerteza da carreira acadêmica. Mas, além disso, quando as mulheres finalmente alcançam a profissionalização, geralmente já estão em uma idade em que precisam decidir sobre a maternidade”, constata.
A maternidade, um sonho realizado, trouxe novos desafios e alegrias a Marina. A conciliação entre a vida acadêmica e a criação dos filhos exigiu flexibilidade e apoio mútuo com o marido, Fred, que sempre compartilhou ativamente a responsabilidade da paternidade.
“No meu caso, tive um companheiro que sempre assumiu a paternidade de forma ativa. Durante a tese dele, ele também teve nossos dois filhos e participou ativamente da criação. Mas isso é uma exceção”, reconhece Marina, ciente dos obstáculos enfrentados por muitas mulheres na ciência e na vida.
A decisão de priorizar os filhos em determinados momentos da carreira foi tomada com a certeza de que o tempo dedicado à família seria recompensado. “O que me ajudou foi entender que essa era uma fase e que, como tudo na vida, passaria”, afirma Marina, com a sabedoria de quem aprendeu a navegar pelas ondas da vida.
Mulheres que inspiram: um legado de conhecimento e generosidade
Marina não hesita em reconhecer a importância das mulheres que a inspiraram e moldaram sua trajetória e faz questão de nomear as que participaram ativamente de sua vida acadêmica. “Quando recebo um prêmio, sinto que é também um reconhecimento ao trabalho dessas mulheres que me formaram. Gostaria de citar algumas delas nominalmente, pois foram fundamentais na minha trajetória”, afirma.
Professoras como Neuma Aguiar, Sandra Azeredo, Lígia Maria Leite Pereira, Inês Assunção de Castro Teixeira, Thaís Cougo, Maria Cristina Gouveia, Rita Godet, Roxana Eminescu, Ane Torres e Maria Alice Nogueira deixaram um legado de conhecimento, generosidade e compromisso com a pesquisa e o ensino.
“Cada uma dessas mulheres teve um papel crucial na minha trajetória. Elas me formaram não apenas intelectualmente, mas também em termos de generosidade acadêmica e compromisso com a pesquisa e com o ensino. Sinto-me honrada por ter aprendido com elas e por poder levar adiante esse legado”, declara Marina, com gratidão e admiração.
Um futuro com mais mulheres na ciência
Marina vislumbra um futuro em que a diversidade seja a marca da ciência brasileira. Ela acredita que a ampliação da participação feminina, negra e de outros grupos minorizados é fundamental para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do país.
“Eu espero ver uma ampliação do espaço da mulher nesses lugares. Está mais do que provado, inclusive economicamente, que a diversidade tem um impacto positivo, tanto nas empresas quanto na economia de maneira geral”, afirma Marina, com a convicção de que a equidade de gênero é um caminho sem volta.
O prêmio: reconhecimento e estímulo
O Prêmio Mulheres e Ciência é um reconhecimento pelo trabalho árduo e dedicado de Marina, mas também um estímulo para que ela continue a trilhar seu caminho com paixão e confiança.
Com a esperança de que sua história inspire outras mulheres a perseguirem seus sonhos, Marina acredita que “esse prêmio também serve como estímulo para outras mulheres se verem nesse lugar e ousarem seguir o caminho da ciência, mas também é um incentivo para os homens reconhecerem o trabalho das mulheres, se orgulharem e valorizarem esse trabalho”.
Promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), a iniciativa reconhece a atuação feminina na ciência.
Tecendo políticas públicas para transformar vidas
Atualmente, Marina dedica-se a mapear o ecossistema de políticas públicas para mulheres em Minas Gerais, identificando serviços essenciais como creches e escolas em tempo integral. Seu trabalho busca fortalecer as políticas públicas voltadas para a equidade de gênero, garantindo que as mulheres tenham acesso a seus direitos e oportunidades.
“Nosso objetivo é garantir que essas informações estejam disponíveis para o público, especialmente para as mulheres que utilizam esses serviços, mas também para gestoras públicas e mulheres em posições de liderança e tomada de decisão dentro do estado”, explica Marina, com a clareza de quem sabe o impacto transformador de seu trabalho.
Marina Alves Amorim é uma cientista que tece políticas públicas, sonhos e esperanças. Sua história é um exemplo de que é possível conciliar a vida pessoal e profissional, superar desafios e construir um futuro mais justo e igualitário para todas as mulheres.
TECNOLOGIA
MCTI lança GT para transformar riqueza mineral em tecnologia, indústria e desenvolvimento sustentável
Da bateria do celular aos painéis solares, carros elétricos e equipamentos médicos, os minerais estratégicos estão no centro das transformações tecnológicas e industriais do mundo. Com foco em ampliar a capacidade brasileira de transformar esses recursos em conhecimento, inovação e produtos de maior valor agregado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, na manhã desta quarta-feira (13), em Brasília, o Grupo de Trabalho de Inovação para o Setor Mineral (GT Soberania Tecnológica Nacional).
No mesmo dia, o governo federal publicou no Diário Oficial da União (DOU) a Portaria MCTI nº 10.064, de 12 de maio de 2026, que institui oficialmente o grupo e define suas competências.
O GT terá a missão de elaborar a proposta do Programa Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico, Extensionismo Tecnológico e Inovação para o Setor Mineral, o Programa Inova+Mineral. A iniciativa pretende estruturar uma agenda nacional voltada ao fortalecimento da infraestrutura científica, à formação de profissionais especializados, ao desenvolvimento tecnológico, à industrialização e à ampliação do conteúdo nacional nas cadeias minerais consideradas estratégicas para o país.
Ciência, tecnologia e agregação de valor
Durante o lançamento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que a agenda mineral ultrapassa a lógica da extração de recursos naturais e envolve diretamente ciência, tecnologia, indústria e soberania nacional.
“A demanda global por minerais críticos e estratégicos cresce com a transição energética, com a digitalização da economia e com novas tecnologias que dependem cada vez mais desses insumos. Por isso, quando falamos de minerais estratégicos, estamos falando também de soberania, de desenvolvimento e do lugar que o Brasil quer ocupar no futuro”, declarou.
Luciana Santos destacou ainda que o objetivo do governo é ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior intensidade tecnológica da cadeia mineral. “Nós não queremos que o Brasil seja apenas fornecedor de matéria-prima para o mundo. O Brasil não pode aceitar o papel de exportar minério bruto e importar tecnologia cara. O Brasil tem inteligência, instituições e capacidade produtiva para transformar sua riqueza mineral em conhecimento, inovação, sustentabilidade e soberania”, afirmou.
Agenda estratégica para a indústria e a transição energética
De acordo com a portaria publicada no DOU, o programa terá como referência a Política Mineral Brasileira, a Nova Indústria Brasil (NIB), o Plano de Transformação Ecológica, o Plano Clima, a Estratégia Nacional de Economia Circular e a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI). Entre as prioridades da iniciativa, estão a transição energética, a transformação ecológica, a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável do país.
O grupo será coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec/MCTI) e conta com participação do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). A Secretaria-Executiva ficará sob responsabilidade do Departamento de Programas de Inovação do MCTI.
A proposta será apresentada à ministra Luciana Santos em até 90 dias, prazo que poderá ser prorrogado uma única vez por igual período.
Desafios tecnológicos e papel estratégico do país
O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, afirmou que o cenário internacional exige o fortalecimento das capacidades tecnológicas nacionais no setor mineral.
“Hoje, os países que lideram o desenvolvimento tecnológico associado aos minerais críticos e estratégicos não são necessariamente aqueles que apenas possuem reservas minerais, mas aqueles capazes de dominar tecnologias, estruturar cadeias industriais e transformar conhecimento em capacidade produtiva e inovação”, disse.
Segundo ele, o grupo buscará integrar políticas públicas, instrumentos de financiamento, universidades, centros de pesquisa e empresas para ampliar a capacidade brasileira de inovação mineral.
O diretor do Departamento de Programas de Inovação do MCTI, Osório Guimarães, ressaltou que a proposta do GT é organizar uma agenda nacional baseada em prioridades estratégicas e em evidências técnicas.
“A ideia do GT é justamente aproveitar todo esse conhecimento que foi acumulado e construir uma nova agenda, a partir dos acertos e dos aprendizados dos projetos anteriores. Precisamos responder aonde o Brasil quer chegar no setor mineral e quais cadeias produtivas serão prioritárias para o país”, completou.
Investimentos e fortalecimento da inovação mineral
O lançamento do GT ocorre em meio à ampliação dos investimentos públicos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no país. Entre 2023 e 2025, a Finep contratou mais de 5,3 mil projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com volume superior a R$ 45 bilhões — crescimento de 235% em relação ao período entre 2019 e 2022.
Na área mineral, a chamada Finep Mais Inovação Brasil — Transformação Mineral destina R$ 200 milhões em recursos não reembolsáveis para empresas brasileiras desenvolverem soluções tecnológicas no setor. As linhas contemplam minerais críticos, mineração urbana, reaproveitamento de resíduos, tecnologias sustentáveis e descarbonização da transformação mineral.
Entre os materiais considerados prioritários estão lítio, cobre, níquel, grafita, terras-raras, nióbio, silício, cobalto e titânio, utilizados em baterias, semicondutores, sistemas de energia renovável e equipamentos de alta tecnologia.
As chamadas também priorizam projetos ligados à recuperação de áreas degradadas, monitoramento de barragens, reciclagem de resíduos eletrônicos e tecnologias industriais de baixo carbono, como hidrogênio de baixa emissão e captura de CO₂.
Base científica e capacidade instalada
O MCTI também destaca que o Brasil possui uma estrutura consolidada de ciência, tecnologia e inovação voltada ao setor mineral. O país conta atualmente com cerca de 22 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia ligados à mineração, 58 unidades Embrapii com atuação em transformação mineral e mais de 96 arranjos produtivos locais de base mineral distribuídos em diferentes regiões do país.
O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI, atua desde 1978 no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao aproveitamento sustentável dos recursos minerais brasileiros e é o único instituto público do país especializado em tecnologia mineral e ambiental aplicada à mineração.
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