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EUA enfrentam desafios no comércio agrícola com novas tarifas de Trump

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar na quarta-feira a imposição de tarifas de 20% sobre a maioria dos produtos importados pelo país. A iniciativa ocorre após a aplicação de altas taxas sobre automóveis, aço, alumínio e produtos vindos da China, México e Canadá.

As medidas já provocaram reações de retaliação por parte dos principais parceiros comerciais dos EUA, desencadeando oscilações significativas nos mercados de commodities. Economistas alertam que os consumidores americanos podem sentir os efeitos das tarifas no aumento dos preços de alimentos, incluindo carne, laticínios, frutas, vegetais frescos e produtos processados.

As possíveis retaliações de China, Canadá e México ameaçam um setor fundamental para a economia americana: o agronegócio. Juntos, esses três mercados responderam por US$ 91 bilhões em importações de produtos agrícolas dos EUA em 2024, contribuindo para um setor que movimentou US$ 191 bilhões no mesmo período. Durante o primeiro mandato de Trump, tarifas retaliatórias resultaram em perdas de aproximadamente US$ 27 bilhões para as exportações agrícolas dos EUA, sendo US$ 25,7 bilhões apenas nas vendas para a China, segundo análises do Rabobank.

Impactos sobre as principais exportações agrícolas dos EUA
Soja

A soja, principal produto de exportação agrícola dos EUA em termos de valor, está entre os itens mais vulneráveis às tarifas retaliatórias. Em 2024, as exportações do grão totalizaram US$ 24,5 bilhões, abaixo dos US$ 27,7 bilhões de 2023 e do recorde de US$ 34,4 bilhões registrado em 2022. As remessas para a China, principal destino da soja americana, também caíram para US$ 12,8 bilhões em 2024, ante US$ 15,1 bilhões no ano anterior.

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Valores das exportações de soja dos EUA em 2024:

  • China: US$ 12,8 bilhões
  • México: US$ 2,3 bilhões
  • Indonésia: US$ 1,3 bilhão
Milho

As exportações de milho americano cresceram 6% em 2024, atingindo US$ 13,9 bilhões, acima dos US$ 13,1 bilhões de 2023. O aumento nas remessas para o México, Japão, Colômbia e Coreia do Sul compensou a queda de 80% nas exportações para a China, que optou por fornecedores alternativos.

Valores das exportações de milho dos EUA em 2024:

  • México: US$ 5,6 bilhões
  • Japão: US$ 2,8 bilhões
  • Colômbia: US$ 1,6 bilhão
Trigo

As exportações de trigo americano recuaram 2% em 2024, totalizando US$ 5,9 bilhões, pressionadas pela concorrência de suprimentos russos mais baratos.

Valores das exportações de trigo dos EUA em 2024:

  • México: US$ 1,05 bilhão
  • Filipinas: US$ 735,7 milhões
  • Japão: US$ 582,8 milhões
Carne bovina

As exportações de carne bovina americana cresceram 5% em 2024, alcançando US$ 10,5 bilhões, impulsionadas pela oferta interna restrita e pelos preços elevados.

Valores das exportações de carne bovina dos EUA em 2024:

  • Coreia do Sul: US$ 2,2 bilhões
  • Japão: US$ 1,9 bilhão
  • China: US$ 1,6 bilhão
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Carne suína

Com um aumento de 6% em relação a 2023, as exportações de carne suína atingiram US$ 8,6 bilhões, impulsionadas pela busca dos consumidores por alternativas mais acessíveis à carne bovina.

Valores das exportações de carne suína dos EUA em 2024:

  • México: US$ 2,6 bilhões
  • Japão: US$ 1,4 bilhão
  • China: US$ 1,1 bilhão
Crescimento das importações agrícolas dos EUA

Apesar das tensões comerciais, as importações agrícolas dos EUA atingiram um recorde de US$ 214,1 bilhões em 2024, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Entre os principais produtos importados estão produtos de panificação, frutas frescas e óleos vegetais.

Valores dos principais produtos agrícolas importados pelos EUA em 2024:

  • Produtos de panificação, massas e cereais: US$ 14,9 bilhões
  • Frutas e vegetais processados: US$ 13,6 bilhões
  • Vegetais frescos: US$ 13,4 bilhões
  • Frutas e bagas frescas: US$ 13,4 bilhões
  • Óleos vegetais: US$ 12,6 bilhões
  • Produtos de carne bovina: US$ 11,7 bilhões
  • Café: US$ 6,6 bilhões

As medidas protecionistas de Trump continuam a gerar incertezas no comércio global, impactando tanto as exportações quanto as importações do setor agrícola dos Estados Unidos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista

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A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.

Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.

Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais

O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.

Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.

Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.

Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado

O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.

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Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.

Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.

Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.

Risco de base pode comprometer confiança do produtor

Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.

Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.

Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.

Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil

Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.

A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

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O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.

Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.

Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados

Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.

O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.

O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.

Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto

Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.

No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.

A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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