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Mercado da soja realiza lucros em Chicago e se ajusta antes de novos dados do USDA; câmbio limita preços no Brasil
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Nesta sexta-feira (6), os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago registraram queda, realizando lucros após os avanços da sessão anterior. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os contratos mais negociados recuavam entre 2,75 e 3,25 pontos: o vencimento julho era cotado a US$ 10,48 e o setembro a US$ 10,23 por bushel.
O recuo ocorre após o mercado ter reagido positivamente à ligação entre os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China), que acordaram novas rodadas de negociações comerciais. No entanto, a demanda efetiva por soja norte-americana por parte da China ainda não se concretizou, o que mantém os investidores atentos ao comportamento dos fundamentos.
Além disso, as condições climáticas no cinturão agrícola dos EUA (Corn Belt) continuam favoráveis, sem grandes ameaças à safra 2025/26. O mercado segue monitorando o desenvolvimento das lavouras, os desdobramentos geopolíticos e o desempenho dos derivados da soja: nesta sexta, o óleo registrava alta superior a 1%, enquanto o farelo recuava mais de 0,6%.
Expectativas para os próximos relatórios do USDA
Os ajustes no mercado também refletem a espera por dados atualizados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No próximo dia 12 de junho, será divulgado o novo relatório mensal de oferta e demanda, enquanto, no fim do mês, será apresentada a atualização da área plantada nos EUA. As expectativas sobre esses números são elevadas e influenciam diretamente o comportamento das cotações.
Estabilidade em Chicago e câmbio desfavorável pressionam preços no Brasil
Apesar de certa estabilidade nos preços da soja na Bolsa de Chicago, com o contrato mais próximo encerrando o pregão anterior cotado a US$ 10,51 por bushel — repetindo o valor da semana anterior — o câmbio vem limitando a valorização da oleaginosa no mercado interno brasileiro. A média de maio foi de US$ 10,51, uma alta de 2,2% sobre abril.
No Brasil, a valorização do real frente ao dólar, que fechou a R$ 5,59 na quarta-feira (5), reduziu a competitividade da soja em reais. Os preços internos oscilaram entre R$ 106,00 e R$ 123,00 por saca nas principais regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, a média semanal foi de R$ 121,12, mas em algumas praças locais os valores já recuaram para R$ 119,00 por saca.
Plantio avança nos EUA e exportações superam o ano anterior
Até o dia 1º de junho, 84% da área prevista para a soja nos EUA já havia sido plantada, segundo o USDA — um avanço em relação aos 77% do mesmo período em 2023 e acima da média histórica de 80%. A taxa de germinação também está adiantada, atingindo 63%, contra 57% da média histórica. Além disso, 67% das lavouras estavam em boas ou excelentes condições.
No campo das exportações, os EUA embarcaram 268.343 toneladas de soja na semana encerrada em 29 de maio, dentro das expectativas do mercado. Com isso, o volume acumulado no atual ano comercial já soma 44,6 milhões de toneladas — 11% a mais que no mesmo período do ano passado.
Competitividade da soja dos EUA e expectativas de recuperação no Brasil
A crescente competitividade da soja americana em mercados alternativos à China também tem influenciado o cenário global. Segundo o Ceema (Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário), essa vantagem decorre dos prêmios mais altos no Brasil, já que os produtores brasileiros têm segurado a oferta à espera de preços melhores, o que limita a disponibilidade da soja da safra passada.
Essa conjuntura abre espaço para uma possível recuperação dos preços no mercado brasileiro nos próximos meses, conforme avalia a instituição.
Panorama interno: área plantada e medidas sanitárias
No Brasil, a Aprosoja do Mato Grosso do Sul informou que a área de cultivo da soja para a safra 2024/2025 foi estimada em 4,5 milhões de hectares, com produtividade média de 51,8 sacas por hectare, totalizando uma produção de 14,06 milhões de toneladas.
No Mato Grosso, terá início neste sábado, 8 de junho, o período do vazio sanitário da soja. A medida, que se estende até 6 de setembro, proíbe o cultivo e a presença de plantas vivas da oleaginosa com o objetivo de prevenir a ferrugem asiática, uma das principais doenças que afetam a cultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


