TECNOLOGIA
CBERS-6: Novo satélite de parceria entre Brasil e China terá nova tecnologia
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No último dia 10 de junho, foi publicado o documento que promulga o Protocolo Complementar sobre o Desenvolvimento Conjunto do Satélite de Recursos Terrestres China-Brasil (em inglês, China-Brazil Earth Resources Satellite – CBERS), que deve ser lançado em 2028.
O novo satélite CBERS-6 é fruto da parceria entre o Brasil e a China, terá uma nova tecnologia que possibilita o monitoramento da região independente das condições climáticas ou da iluminação.
“O CBERS-6 representa um salto tecnológico significativo na série. Diferentemente dos modelos anteriores, ele traz como principal inovação a adoção de um SAR em banda X como carga útil”, explicou o gerente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antônio Pereira. O INPE é uma unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Diferente das câmeras ópticas tradicionais, o Radar de Abertura Sintética (SAR), tecnologia chinesa, funciona por meio da emissão de pulsos de micro-ondas que interagem com a superfície terrestre e retornam ao satélite com informações detalhadas sobre textura, umidade, relevo e estrutura dos alvos.
“O radar permite a operação do satélite de dia e de noite, com boa penetração nas nuvens, brumas, fumaça e em condições de chuvas. Isso garante um monitoramento contínuo e confiável, independentemente das condições climáticas ou de iluminação”, explicou Pereira.
Entre os principais objetivos do novo satélite, o principal é a complementação ao monitoramento dos modelos anteriores do território brasileiro, especialmente dos biomas.
“Com sua alta resolução espacial e frequência de revisita, o satélite permitirá detectar mudanças na vegetação, identificar áreas de desmatamento, expansão agrícola, degradação do solo e queimadas ilegais, apoiando políticas públicas de conservação, planejamento e fiscalização ambiental”, pontuou o representante do INPE.
Com a previsão de lançamento para 2028, o CBERS utilizará a Plataforma MultiMissão (PMM), desenvolvida pelo Brasil. O desenvolvimento do satélite está a cargo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST).
Na última semana, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o Decreto nº 12.496, de 9 de junho de 2025, documento que promulga o Protocolo Complementar sobre o Desenvolvimento Conjunto do CBERS-6. A declaração já havia sido aprovada anteriormente, em dezembro de 2024, por meio do Decreto Legislativo nº 214, de 2024. O texto estabelece os termos para o desenvolvimento e lançamento do satélite.
Rota
De acordo com Antônio Pereira, o CBERS-6 orbitará a Terra em trajetória polar e sincronizada com o Sol, realizando aproximadamente 14 órbitas por dia.
“Dessas, cerca de quatro passagens ocorrem sobre o território brasileiro, permitindo a coleta de dados em diversas regiões”, explicou o gerente.
Em conjunto com satélites ópticos, ainda de acordo com Pereira, o CBERS 06 ampliará a capacidade de observação contínua dos biomas brasileiros, reforçando o papel do Brasil no uso estratégico de tecnologia espacial para a sustentabilidade.
Programa CBERS
O Programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS) é uma parceria inédita entre o Brasil e a China no setor técnico-científico espacial. Inicialmente, o acordo previa apenas dois satélites de sensoriamento remoto, o CBERS-1 e CBERS-2.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

