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Após alta de até 670% nos tributos, governo vai ajustar regra para o álcool

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Durante a regulamentação da reforma tributária, a substituição do termo “álcool” por “etanol combustível” no texto final resultou em uma distorção que elevou significativamente a carga de PIS/Cofins sobre o álcool não carburante — utilizado em segmentos como cosméticos, bebidas, produtos de limpeza e medicamentos. Como consequência a mudança restringiu o benefício fiscal ao etanol automotivo e deixou as demais aplicações sujeitas a uma alíquota de quase 30%, pressionando os custos do setor produtivo.

Antes da alteração, o regime tributário para o álcool industrial era monofásico e permitia que as usinas recolhessem cerca de R$ 130 por metro cúbico vendido. Com a nova regra, esse valor saltou para aproximadamente R$ 1.000, gerando um aumento expressivo e inesperado na carga tributária incidente sobre um insumo essencial para diversas cadeias produtivas.

Para evitar efeitos colaterais como aumento de preços ao consumidor final e perda de competitividade industrial, o governo federal prepara um decreto que deve reduzir as alíquotas de forma emergencial. A medida está em análise final na Casa Civil e na Receita Federal, e a expectativa é de que o texto seja publicado nos próximos dias.

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Embora a correção formal da falha exigisse uma nova lei complementar — o que demandaria maioria qualificada no Congresso e mais tempo de tramitação —, o decreto surge como alternativa viável para mitigar os impactos no curto prazo. O objetivo é devolver equilíbrio fiscal à cadeia do álcool industrial, resguardar setores estratégicos e preservar a estabilidade dos preços ao consumidor.

A medida também busca reduzir o risco de judicialização e disputas tributárias, que podem surgir diante da insegurança jurídica causada pela redação atual da lei. Representantes da indústria e especialistas tributários vêm alertando para os efeitos adversos do novo modelo, que acabou atingindo insumos que não estavam no escopo original da reforma.

A publicação do decreto é aguardada com expectativa pelo mercado, que considera a medida essencial para evitar a perda de competitividade e novos prejuízos à indústria nacional.

Fonte: Pensar Agro

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Trigo no Paraná: El Niño acende alerta para safra 2026 apesar de lavouras em boas condições

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O avanço do fenômeno El Niño tem aumentado a preocupação dos produtores de trigo no Paraná, mesmo diante de um cenário favorável para o desenvolvimento das lavouras. O estado já semeou 84% dos 722 mil hectares previstos para a safra 2026, e as condições climáticas atuais seguem beneficiando a cultura. No entanto, especialistas alertam que o comportamento do clima nos próximos meses será decisivo para a consolidação da produção estimada.

De acordo com o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a área destinada ao trigo neste ciclo representa pouco mais da metade dos 1,39 milhão de hectares cultivados em 2023, evidenciando uma redução significativa no espaço dedicado ao cereal.

Apesar da retração na área plantada, a expectativa de produtividade permanece dentro da normalidade. Com isso, a projeção de colheita segue mantida em 2,4 milhões de toneladas para a safra 2026.

Condições climáticas favorecem desenvolvimento das lavouras

Segundo o levantamento do Deral, a umidade do solo continua adequada em todas as regiões produtoras do estado. A combinação entre períodos de chuva e dias ensolarados tem contribuído para o bom estabelecimento das plantas e para o desenvolvimento das áreas recentemente semeadas.

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Esse cenário permite que os produtores mantenham o otimismo em relação ao potencial produtivo da safra. Entretanto, a manutenção desse quadro dependerá das condições climáticas ao longo do inverno e da ausência de eventos extremos, como geadas severas ou excesso de precipitações.

El Niño pode comprometer qualidade do trigo

Embora o fenômeno El Niño já esteja confirmado, o mercado acompanha com atenção a possibilidade de que ele alcance intensidade forte ou muito forte nos próximos meses. Caso esse cenário se concretize, a Região Sul poderá registrar volumes de chuva acima da média histórica, especialmente durante o período de maturação e colheita das lavouras.

O principal receio dos produtores está relacionado à perda de qualidade dos grãos. Chuvas excessivas podem reduzir os padrões exigidos pela indústria moageira, comprometendo características importantes para a fabricação de farinha e derivados.

Em um momento de redução da área cultivada, qualquer impacto climático pode trazer consequências ainda mais relevantes para a cadeia produtiva. Além das perdas na qualidade, o excesso de umidade pode dificultar as operações de colheita e elevar os custos de produção.

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Déficit de oferta segue como desafio para o estado

Outro fator que mantém o setor em alerta é o déficit estrutural entre produção e consumo no Paraná. Mesmo com a previsão de colheita de 2,4 milhões de toneladas, a oferta estadual permanece abaixo da demanda da indústria de moagem.

Atualmente, os moinhos paranaenses necessitam de aproximadamente 3,9 milhões de toneladas de trigo por ano, o que representa uma diferença de cerca de 1,5 milhão de toneladas em relação à produção projetada para a safra 2026.

Caso ocorram perdas provocadas por condições climáticas adversas, a necessidade de importação ou aquisição de trigo de outras regiões poderá aumentar ainda mais. Nesse contexto, a evolução do El Niño será um dos principais fatores acompanhados pelo mercado nos próximos meses, com reflexos diretos sobre a disponibilidade, a qualidade e os preços do cereal.

Fonte: Portal do Agronegócio

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