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Produtores rurais precisam se preparar para possíveis cortes em incentivos fiscais e seguro rural
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Cenário de incertezas preocupa o agronegócio brasileiro
O agronegócio é um dos pilares da economia do Brasil, mas atualmente enfrenta desafios que ultrapassam o campo. Em meio ao esforço do Governo Federal para controlar as contas públicas, cresce a preocupação no setor rural sobre a possível revisão e redução dos incentivos e benefícios tributários que ajudam a sustentar a produção frente às adversidades climáticas e econômicas.
Redução expressiva no orçamento do seguro rural
Um dos sinais dessa nova realidade foi a diminuição de 42% no orçamento destinado ao seguro rural para 2025, conforme divulgado no Plano Trienal do Seguro Rural 2023-2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O programa subsidia até 50% do prêmio do seguro pago pelo produtor, percentual que varia conforme tipo de cultura, região e recursos liberados anualmente.
Importância do planejamento e participação ativa
Viviane Morales, diretora administrativa da Lastro Agronegócios, reforça a necessidade de os produtores se anteciparem: “É essencial que o produtor rural organize seu planejamento tributário e participe ativamente do debate sobre o futuro dos incentivos, para minimizar impactos negativos”.
Fragilidade do modelo brasileiro frente a outros países
Embora importante, o modelo brasileiro de seguro rural é considerado frágil em comparação a outros países, como o México, que oferece cobertura mais ampla e maior suporte estatal. Essa fragilidade fica ainda mais evidente diante de eventos climáticos extremos, como as geadas e enchentes que afetaram vários estados brasileiros nos últimos meses.
Riscos naturais tornam o setor vulnerável
“O produtor rural está exposto a riscos que não existem em outros setores. É uma indústria a céu aberto, sujeita a fatores imprevisíveis. Por isso, qualquer mudança em tributação ou corte de incentivos precisa ser discutida com responsabilidade”, alerta Gustavo Venâncio, diretor comercial da Lastro Agronegócios.
Segurança jurídica e fiscal como diferencial para o setor
Diante do ambiente instável, a segurança jurídica e fiscal passa a ser fundamental para a sobrevivência do setor. Morales ressalta que o momento exige organização, mobilização e capacidade técnica para enfrentar as possíveis mudanças sem comprometer a produtividade no campo.
“Não estamos fazendo uma previsão catastrófica, mas sim uma leitura realista do movimento econômico do governo. Revisar gastos e cortar incentivos já está no radar, e precisamos estar preparados”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro


