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UFC é destaque internacional em pesquisa sobre o meio digital
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A melhor tese do ano em português no campo de estudos da internet é da Universidade Federal do Ceará (UFC), vinculada ao Ministério da Educação (MEC). A pesquisa “Estatísticas oficiais e capitalismo de plataforma: a transição para um regime de dataficação no Brasil” é resultado do programa de doutorado em sociologia da instituição. O estudo, que analisou a influência das grandes empresas de tecnologia sobre a prática estatística, foi premiado pela Associação de Pesquisadores da Internet (AoIR).
Partindo de uma perspectiva histórica e sociológica, o pesquisador Oscar Arruda analisou a incorporação de novas metodologias e fontes de dados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A tese aponta que a plataformização e o “extrativismo” de dados digitais acentuam a dependência tecnológica dos países do Sul Global. Dessa forma, a autonomia das políticas públicas e a soberania nacional ficariam comprometidas. O estudo também evidencia algumas divergências no campo científico sobre a definição do que seriam dados legítimos. Ainda não há consenso sobre quais formas de coleta e análise são consideradas válidas no campo estatístico.
De acordo com o professor Edemilson Paraná, orientador da pesquisa, o trabalho se diferencia por partir de um caso brasileiro “estratégico no contexto global, mas ainda subexplorado na literatura”. Ele ainda aponta que o trabalho se destacou pela sofisticação teórica e pela riqueza empírica, “oferecendo uma contribuição acadêmica única à economia política do capitalismo digital, aos estudos críticos de plataformas e à sociologia da quantificação”.
Capitalismo digital – O conceito consiste em um campo de estudo interdisciplinar, que avalia como as transformações digitais impactam no modelo econômico capitalista. Os estudos identificam como as atividades econômicas e sociais passam a acontecer por meio de plataformas, baseadas em dados e tecnologias, o que envolve acúmulo de poder pelas grandes empresas de tecnologia, as “big techs”.
Associação internacional – A Associação de Pesquisadores da Internet (AoIR) acolheu trabalhos científicos em português pela primeira vez. “O prêmio é relevante para o campo de pesquisas críticas sobre os dados e a digitalização. Ficamos muito felizes com o reconhecimento de nossa tese e em poder representar a UFC e o PPGS [Programa de Pós-Graduação em Sociologia] nesta importante premiação”, diz Oscar, que receberá, oficialmente, o prêmio na próxima conferência da entidade, a ser realizada de 15 a 18 de outubro, em Niterói, no Rio de Janeiro.

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Este conteúdo é uma produção da UFC, com apoio da Secretaria de Educação Superior (Sesu)
Fonte: Ministério da Educação
BRASIL
Indústria estratégica e setores afetados pela guerra no Oriente Médio poderão acessar mais R$ 15 bi do Plano Brasil Soberano
O governo brasileiro publicou Portaria Conjunta do Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Fazenda, nessa quarta-feira (15/4), que define os setores que poderão acessar os recursos adicionais de R$ 15 bilhões do Plano Brasil Soberano, anunciados pelo presidente Lula no mês passado.
Os critérios priorizaram indústrias de maior intensidade tecnológica e com relevância estratégica para o país, além daquelas que tiveram suas exportações afetadas por medidas tarifárias dos EUA (seção 232) e pela guerra no Oriente Médio.
Os recursos são oriundos do superavit do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e as taxas de juros dos empréstimos deverão ser definidas nesta semana em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).
“A medida fortalece cadeias estratégicas e reduz vulnerabilidades externas”, destaca o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa. “A orientação do Presidente Lula é mantermos o foco na preservação de empregos, da capacidade produtiva e da competitividade da indústria nacional, utilizando instrumentos modernos e legítimos de política industrial, alinhados às melhores práticas internacionais”.
A MP que instituiu o programa, estabelece que os recursos podem ser usados para: capital de giro; aquisição de bens de capital ou investimentos para adaptação de atividade produtiva; investimentos para ampliar a capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção; e investimento em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos.
Setores
De acordo com Márcio Elias Rosa, a definição dos setores de média, média-alta ou alta intensidade tecnológica, listados na portaria como elegíveis ao programa, seguiu critérios técnicos baseados na classificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), contando com a colaboração do BNDES.
A seleção também considerou a relevância dos setores para o comércio exterior brasileiro, incluindo cadeias estratégicas e aqueles que apresentam vulnerabilidade externa, com déficit na balança comercial.
“Os critérios são objetivos e técnicos: intensidade tecnológica, relevância para o comércio exterior e papel estratégico nas cadeias produtivas. Além disso, há recorte adicional de vulnerabilidade externa”, explicou o ministro.
Entre os setores elegíveis estão: máquinas, equipamentos e setor automotivo; produtos químicos e farmacêuticos; eletrônicos e equipamentos de informática; aeronáutica e demais equipamentos de transporte; máquinas elétricas, geradores e equipamentos industriais; borracha e plásticos industriais; têxtil e cadeia de transformação associada; e minerais críticos e terras raras.
“A inclusão de minerais críticos e terras raras reflete a centralidade desses insumos nas cadeias globais de valor — especialmente em energia, defesa, semicondutores e mobilidade elétrica”, explica Márcio Elias Rosa.
EUA e Golfo Pérsico
Nos casos de exportadores e fornecedores afetados pela Seção 232 da lei comercial dos EUA, bem como daquelas que exportam para o Golfo Pérsico, são elegíveis as empresas cujo percentual de faturamento com exportação para esses destinos e produtos tenha sido, em 12 meses, igual ou superior a 5% do faturamento total no mesmo período.
Os países do Oriente Médio definidos na portaria são: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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