TECNOLOGIA
Luciana Santos abre Conferência Livre Temática sobre mulheres na ciência, tecnologia e inovação
TECNOLOGIA
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, abriu, nesta segunda-feira (11/08), em Brasília, a Conferência Livre Temática “Mulheres na Gestão e Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação”. O evento, promovido pelo MCTI, integra a etapa preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM) e reuniu, de forma híbrida, gestoras, pesquisadoras, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir políticas públicas voltadas à equidade de gênero no setor.
Durante a abertura, a ministra Luciana Santos destacou a importância de políticas públicas estruturantes para superar obstáculos como a sub-representação feminina em áreas estratégicas e cargos de liderança. “Somos maioria nas universidades, nas bolsas de iniciação científica, no mestrado e no doutorado. Mas essa presença ainda não se reflete nos cargos de liderança, nas bolsas de produtividade e nas áreas mais estratégicas, como tecnologia da informação, engenharia e ciências exatas”, explicou.
Luciana Santos lembrou que, em 40 anos de MCTI, é a primeira mulher a assumir a pasta, e citou iniciativas implementadas, desde 2023, para incentivar a presença feminina na ciência, como o edital “Meninas nas Exatas”, o programa “Futuras Cientistas” e ações afirmativas voltadas para pesquisadoras negras, indígenas e quilombolas. “O objetivo é claro: romper barreiras históricas e construir uma ciência mais inclusiva, diversa e representativa da sociedade brasileira”, enfatizou.
A chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do MCTI, Elisângela Lizardo, reforçou que a conferência é parte de um esforço nacional de fortalecimento da democracia participativa. “Estamos, nessa gestão do governo Lula, retomando uma série de conferências, conselhos e fóruns, num processo de fortalecimento da democracia participativa. A conferência da mulher tem esse papel de ouvir a sociedade sobre a participação política e sobre uma série de assuntos que dizem respeito à condição de vida feminina”, afirmou.
A 5ª CNPM, que tem como tema “Mais Democracia, Mais Igualdade e Mais Conquistas para Todas!”, busca ampliar a participação feminina em espaços de decisão, garantir políticas públicas inclusivas e combater desigualdades estruturais que afetam mulheres em diferentes contextos, com recorte interseccional. No campo da ciência, tecnologia e inovação, o objetivo é propor caminhos para ampliar a diversidade e a representatividade em todas as etapas da carreira científica e tecnológica. A Conferência Nacional será realizada em Brasília, entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro deste ano.
TECNOLOGIA
Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

