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Mercado de Boi Gordo Enfrenta Ajustes Apesar de Recorde de Exportações, Aponta Relatório do Itaú BBA
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Em setembro, o mercado de carne bovina apresentou movimentações divergentes: enquanto o boi gordo registrou queda inicial seguida de leve recuperação, o bezerro avançou no período. Apesar da retração nas vendas para os Estados Unidos, as exportações bateram recorde, impulsionadas principalmente pela China.
No Mato Grosso, os abates indicaram oferta elevada de animais, com maior participação de fêmeas no mix. O spread de exportação recuou, e a relação de troca para recria e engorda piorou frente a setembro de 2024.
Boi gordo sofre pressão, mas inicia recuperação
O Indicador Cepea do boi gordo em São Paulo começou setembro próximo de R$314/@ e chegou a R$302/@ em 24 de setembro, antes de se recuperar para R$308/@ em 10 de outubro.
A queda foi influenciada pela boa oferta de animais de confinamento e pela demanda doméstica fraca. Frente à média de agosto, porém, o indicador apresentou leve alta de 0,3%.
No Mato Grosso, a escala de abates medida pelo IMEA passou de 10 para quase 14 dias entre o final de agosto e setembro, mantendo percentual de fêmeas abatidas acima do ano anterior. Entre janeiro e agosto, o total abatido caiu 1% no estado, com machos em retração de 7% e fêmeas em alta de 5%.
Exportações alcançam recorde histórico
As exportações de carne bovina in natura atingiram 314,7 mil toneladas em setembro, 25% acima do mesmo período de 2024, com aumento de 0,3% no preço médio em dólares — o maior valor nominal em 35 meses.
Apesar da queda de 62% nas vendas para os EUA, a China comprou 38,5% a mais, enquanto México, Filipinas, Chile e Rússia também mantiveram ritmo de compras firme.
Mesmo com o preço da carne subindo apenas 0,3%, o boi em dólar valorizou 1,8%, reduzindo o spread de exportação de 13% para 11%, igualando os patamares de setembro de 2024.
Bezerro mantém valorização e relação de troca se deteriora
O mercado de bezerros mostrou resiliência, avançando 2,5% em setembro, pouco afetado pela fraqueza do boi gordo.
No entanto, a relação de troca para recria e engorda piorou significativamente: enquanto o boi subiu 20%, a cria teve valorização de 40% na comparação de setembro de 2025 com setembro de 2024.
Perspectivas para os preços do boi gordo
Segundo o relatório do Itaú BBA, o equilíbrio entre oferta e demanda interna e externa deve sustentar a valorização do boi gordo até o final do ano.
A expectativa é de melhora na demanda doméstica com efeito sazonal, manutenção das exportações e oferta interna ajustada, favorecendo preços da carcaça. Para 2026, a retenção de fêmeas deve reduzir a oferta de gado terminado, fortalecendo o mercado do boi gordo, enquanto o bezerro deve continuar valorizado.
Os contratos futuros reagiram à fraqueza do mercado físico em setembro (outubro e novembro/25), mas a curva de dezembro aponta para níveis mais altos, próximos de R$330/@.
Fatores de risco e recomendações
Apesar do cenário construtivo, existem riscos ligados à desaceleração econômica, elevado endividamento das famílias e concorrência com o frango, que também registrou forte alta em setembro.
Para 2026, a curva indica preços remuneradores para confinamentos, tornando recomendáveis estratégias de proteção para os produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Egito e África do Sul dominam mercado global de laranja de mesa e ampliam pressão sobre concorrentes
O mercado global de laranja de mesa passa por uma profunda transformação. Impulsionados pelo crescimento da produção, ganhos de competitividade e expansão das exportações, Egito e África do Sul consolidaram sua liderança no comércio internacional da fruta fresca e devem responder por quase 69% das exportações mundiais em 2026.
Levantamento da CitrusBR, com base nos relatórios anuais Citrus: World Markets and Trade do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostra que os dois países adicionaram cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos ao mercado global entre 2010 e 2026.
O avanço evidencia uma mudança estrutural no setor citrícola mundial, com novos protagonistas ocupando espaços historicamente dominados por grandes exportadores tradicionais.
Participação global cresce de 48% para quase 69%
Em 2010, o comércio internacional de laranja de mesa movimentava aproximadamente 97,9 milhões de caixas. Naquele período, Egito e África do Sul exportavam juntos 47,6 milhões de caixas, o equivalente a 48,6% do mercado global.
Para 2026, a expectativa é que as exportações mundiais alcancem 121,1 milhões de caixas, crescimento de 23,6% em relação a 2010. Desse total, os dois países africanos deverão embarcar 83,3 milhões de caixas, ampliando sua participação para quase 69% do comércio global.
Enquanto isso, o chamado “Resto do Mundo” perdeu espaço. O grupo formado por exportadores tradicionais, incluindo Estados Unidos, países europeus, Turquia e Marrocos, deverá reduzir suas exportações de 50,3 milhões para 37,8 milhões de caixas no mesmo período.
Greening e clima reduzem competitividade dos Estados Unidos
A retração dos concorrentes foi determinante para o crescimento dos países africanos.
Nos Estados Unidos, a disseminação do greening nos pomares da Flórida e os eventos climáticos adversos na Califórnia provocaram forte queda na produção e nas exportações. Os embarques americanos, que somavam 18,3 milhões de caixas em 2010, devem recuar para apenas 8 milhões de caixas em 2026, uma redução de 56%.
A Europa também enfrenta desafios significativos. Secas prolongadas, restrições hídricas e doenças nos pomares contribuíram para uma redução de quase 14 milhões de caixas na produção ao longo dos últimos anos.
Com menor disponibilidade de fruta para exportação, os produtores europeus perderam competitividade no mercado internacional, abrindo espaço para novos fornecedores.
África do Sul amplia produção e conquista novos mercados
A África do Sul foi uma das maiores beneficiadas pela reorganização do comércio mundial de laranjas.
Segundo o USDA, a produção sul-africana avançou de 35 milhões para 46,5 milhões de caixas entre 2010 e 2026, crescimento de aproximadamente 33%.
As exportações apresentaram desempenho ainda mais expressivo, saltando de 23,1 milhões para 36,7 milhões de caixas, avanço de 60%.
Além da União Europeia, tradicional destino da fruta sul-africana, mercados como China, Rússia e Estados Unidos passaram a desempenhar papel estratégico para o setor exportador do país.
Egito fortalece competitividade e acelera expansão internacional
O Egito também consolidou sua ascensão como potência exportadora de laranja de mesa, especialmente a partir de 2016.
A expansão foi impulsionada por fatores como desvalorização cambial, acordos comerciais com tarifas preferenciais, custos de produção mais competitivos, incentivos governamentais e linhas de financiamento apoiadas por parceiros europeus.
Esse conjunto de medidas permitiu ao país ampliar rapidamente sua participação nos mercados internacionais e fortalecer sua posição entre os maiores exportadores globais de frutas frescas.
Avanço africano também impacta mercado de suco de laranja
Embora o Brasil permaneça como líder absoluto na produção e exportação de suco de laranja, o crescimento de Egito e África do Sul acende um alerta para a cadeia citrícola global.
Segundo análise da CitrusBR, enquanto os dois países ampliaram sua presença no segmento de fruta fresca, o Brasil deixou de exportar aproximadamente 570 milhões de caixas de laranja na forma de suco ao longo do período analisado.
De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a expansão egípcia merece atenção especial por envolver não apenas a exportação de fruta in natura, mas também o aumento da capacidade de processamento.
“Enquanto a África do Sul concentrou seus esforços no mercado de fruta fresca, o Egito ampliou sua presença tanto nas exportações de laranja de mesa quanto no processamento industrial, tornando-se um concorrente cada vez mais relevante, especialmente no mercado europeu”, destaca.
Mercado acompanha crescimento da indústria egípcia
As projeções do USDA indicam que o Egito deverá processar cerca de 22 milhões de caixas de laranja nesta temporada, volume próximo ao total de fruta fresca exportada pelo país em 2010.
Caso as estimativas se confirmem, o mercado internacional poderá receber aproximadamente 78 mil toneladas equivalentes de suco de laranja provenientes do país africano.
O aumento da oferta ocorre em um momento de desaceleração da demanda global, cenário que reforça a competição entre os principais exportadores e amplia os desafios para a indústria citrícola mundial nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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