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Tensões no Irã elevam incertezas no mercado global de ureia e colocam o Brasil em alerta

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As recentes tensões envolvendo o Irã têm gerado preocupação no mercado internacional de fertilizantes, especialmente em relação ao fornecimento de ureia, produto essencial para a agricultura brasileira.

De acordo com análise de Renata Cardarelli, especialista em grãos e fertilizantes da Argus, a instabilidade no país persa aumenta a incerteza sobre a oferta global e pode ter reflexos diretos no Brasil, um dos maiores importadores do insumo no mundo.

Brasil importou 7,7 milhões de toneladas de ureia em 2025

Em 2025, o Brasil importou 7,7 milhões de toneladas de ureia, tendo Nigéria, Rússia e Omã como principais fornecedores. No entanto, segundo Cardarelli, parte do volume declarado como proveniente de Omã pode ter origem iraniana, o que torna o cenário ainda mais complexo diante das restrições comerciais.

O Irã é um dos maiores produtores mundiais de ureia, com capacidade instalada de cerca de 9 milhões de toneladas por ano. Entretanto, desde dezembro, o país tem operado com produção reduzida devido a cortes no fornecimento de gás natural, que é redirecionado para o aquecimento residencial durante o inverno.

“Turquia, Brasil e África do Sul estão entre os principais destinos da ureia iraniana”, observa a analista.

Possível tarifa dos EUA amplia incertezas no mercado global

Cardarelli também destaca que não há clareza sobre os efeitos de uma possível tarifa de 25% que pode ser aplicada pelos Estados Unidos a países que mantêm relações comerciais com o Irã.

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Essa medida, se confirmada, afetaria fornecedores estratégicos, como Rússia e países do Oriente Médio, que atuam simultaneamente nos mercados norte-americano e brasileiro.

“As consequências dessa medida ainda são difíceis de mensurar”, ressalta a especialista, destacando que os agentes de mercado permanecem em compasso de espera por um posicionamento oficial de Washington.

Mercado de fertilizantes monitora possíveis redirecionamentos de oferta

Atualmente, os fornecedores russos e árabes ainda não têm clareza sobre custos adicionais que podem surgir nas exportações para os Estados Unidos.

Segundo Cardarelli, a ureia e o UAN russos (fertilizante nitrogenado líquido) não enfrentam tarifas de importação atualmente, o que torna o tema ainda mais sensível.

Em caso de aplicação de novas taxas, há expectativa de que parte da produção russa destinada aos EUA seja redirecionada a outros mercados consumidores.

“Nesse contexto, o Brasil surge como destino natural para parte dessas cargas, caso esse movimento se concretize”, conclui Cardarelli.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Desenrola Rural vai até 20 de dezembro. Saiba aqui como renegociar

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Produtores rurais têm até o próximo dia 20 de dezembro para regularizar débitos do Pronaf e fundos constitucionais sob as regras do Desenrola Rural. Com o semestre final se aproximando, especialistas alertam que a demora na busca pela agência bancária pode significar a perda de condições especiais de parcelamento e descontos de até 96%.

A medida, que visa dar fôlego financeiro aos produtores em um cenário de custos elevados e impacto climático na safra, é uma tentativa de estancar a inadimplência no setor, que já ultrapassa a marca de 8%, segundo dados da Serasa Experian. O programa foca na regularização de débitos de pequenos produtores, permitindo descontos que chegam a 96% sobre encargos e prazos de até 10 anos para o pagamento.

O benefício não é universal. A regra vale exclusivamente para contratos de crédito rural firmados entre 2012 e 2022, especificamente nas operações do Pronaf e nos financiamentos via Fundos Constitucionais (FCO, FNO e FNE). O enquadramento ignora o tamanho da propriedade, focando estritamente na natureza da dívida. Ao formalizar a adesão, o produtor tem o nome retirado dos cadastros de restrição ao crédito, o que devolve a capacidade de tomar novos financiamentos para a safra — peça-chave para a sobrevivência da atividade agrícola.

O principal gargalo para o sucesso do programa está na ponta do atendimento bancário. Especialistas em Direito Agrário alertam que instituições financeiras costumam ignorar a política pública para oferecer “pacotes internos” de renegociação, que frequentemente carecem das vantagens garantidas pelo programa federal.

A recomendação para o produtor ir à agência bancaria munido dos contratos e exigir, expressamente, a aplicação das regras do Desenrola Rural. Aceitar soluções genéricas oferecidas pelo banco sem comparar com as condições federais é um erro que pode custar a rentabilidade da propriedade e o acesso ao crédito no longo prazo.

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O Desenrola Rural, contudo, ignora o médio e o grande produtor, que também sofrem com a crise de rentabilidade do setor. Sem uma política pública universal, esse perfil de produtor depende da aplicação rigorosa do Manual de Crédito Rural (MCR) para a reestruturação de suas dívidas. Na prática, a falta de flexibilidade voluntária dos bancos tem forçado esses produtores a buscar o Poder Judiciário para garantir o direito de repactuar débitos sem colocar em risco a viabilidade do negócio.

Guia prático

Para garantir o direito à renegociação sob as regras do Desenrola Rural e evitar as armadilhas dos “pacotes genéricos” dos bancos, a preparação documental é o passo mais estratégico. O produtor deve encarar a ida à agência não como um pedido de favor, mas como uma formalização de direito garantido pelo programa federal.

Antes de comparecer à agência, o produtor deve organizar um dossiê completo. A falta de um único documento pode ser usada como justificativa pelo gerente para negar o enquadramento ou direcionar o cliente para outras linhas de crédito com juros mais altos.

Documentação essencial

  • Identificação Pessoal: RG e CPF (ou CNH) atualizados do titular do crédito.

  • Comprovação da Propriedade: Matrícula atualizada do imóvel rural, além do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) e a última declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Esses documentos atestam a regularidade da área e são fundamentais para o histórico de crédito junto à instituição.

  • Cédula de Crédito Rural ou Contrato: Este é o documento central. É ele que prova a origem da dívida (se Pronaf ou Fundos Constitucionais como FCO, FNO ou FNE) e o período de contratação (entre 2012 e 2022). Caso o documento original tenha sido extraviado, o produtor deve solicitar formalmente uma cópia autenticada ou declaração detalhada à própria agência antes da data da renegociação.

  • Extrato atualizado da dívida: Levar o demonstrativo do débito facilita a identificação imediata da operação na tela do gerente e evita divergências de valores na simulação do acordo.

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Postura no atendimento

O advogado Gian Tozini, especialista em Direito Agrário, reforça que a documentação serve como escudo contra ofertas pouco vantajosas.

  • Exija o enquadramento: Ao apresentar os documentos, o produtor deve solicitar expressamente a aplicação das condições do Desenrola Rural. Se o gerente informar que “o sistema não libera”, o produtor deve pedir uma justificativa por escrito ou o número de protocolo do atendimento.

  • Não assine sem conferir: É comum que instituições ofereçam renegociações internas, que raramente trazem os descontos de até 96% previstos pelo programa federal. O produtor deve recusar qualquer proposta comercial que não apresente as condições estabelecidas pela norma do governo.

  • Formalize a recusa: Caso a agência insista em ignorar o programa, o produtor tem o direito de registrar uma reclamação no Banco Central, munido do protocolo de atendimento negado.

A organização prévia destes documentos é o que define se a renegociação será uma solução eficiente para o fluxo de caixa da propriedade ou apenas uma postergação de um problema financeiro. O prazo final para essa regularização é 20 de dezembro de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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