MATO GROSSO
Cursos da Escola Técnica de Várzea Grande impulsionam jovens para estágios e programas
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A formação oferecida pela Escola Técnica Estadual (ETEC) de Várzea Grande abriu portas para jovens no mercado de trabalho e em iniciativas de qualificação profissional. Esse é o caso de estudantes do curso Técnico em Informática, que conquistaram estágios e vagas em programas de capacitação em tecnologia, por meio de parceria com instituições e empresas.
Em Várzea Grande, em cooperação com a Escola Estadual Dunga Rodrigues, a Seciteci oferta cursos técnicos e de formação inicial continuada (FIC), de acordo com as demandas dos arranjos produtivos locais e regionais.
Um dos alunos atendidos é o jovem Gabriel Rios, que conseguiu, por meio do curso técnico de informática, um estágio no Centro Universitário de Várzea Grande (Univag). Para ele, a formação na ETEC tem sido essencial para se destacar no local de trabalho.
“O curso foi extremamente importante para me desenvolver no estágio. Eu aprendi muita coisa que estou usando agora na Univag, como, por exemplo, trabalhar com softwares e a parte lógica. Graças a isso, já comecei bem avançado e estou conseguindo executar bem a minha função. Inclusive, falaram que eu estou me destacando e tenho certeza de que é por conta do curso”, afirma Gabriel.
Com o estágio, Gabriel conquistou também uma renda extra, o que, segundo ele, tem transformado sua vida.
“Eu posso dizer com certeza que a Seciteci mudou muito minha vida. Hoje, eu consigo ajudar em minha casa, onde só minha mãe trabalhava. Sem contar a oportunidade de fazer um curso como esse, com vários certificados, de forma gratuita. É simplesmente incrível”, completa ele.
Outra parceria bem-sucedida da ETEC foi com o programa Conecta Jovem, uma iniciativa social que oferece capacitação gratuita em tecnologia da informação (TI) para jovens de Cuiabá e Várzea Grande. Dessa vez, os alunos Matheus Vinícius e Sophia Dias, ambos cursando o técnico em informática, foram selecionados.
Após o processo seletivo, a dupla foi aprovada no programa Conecta Jovem e passou a integrar o projeto Log Lab Tecnologia, desenvolvido pelo Instituto de Computação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Pela iniciativa, eles possuem acesso gratuito a materiais didáticos e uniformes, além de bolsa mensal de R$ 500, auxílio-transporte e auxílio-alimentação.
Para Sophia Dias, o aprendizado na ETEC foi fundamental. “Eu nunca imaginaria que, com 15 anos, eu passaria em um seletivo como esse. Eu fiquei muito feliz e estou bastante orgulhosa por ter me dedicado a essa oportunidade que a ETEC me deu”, destacou Sophia.
O outro estudante selecionado, Matheus Vinícius, também relatou uma mudança pessoal proporcionada pela experiência na ETEC.
“A Seciteci, por meio da ETEC de Várzea Grande, tem me dado uma nova perspectiva do meu próprio futuro. Eu não acredito que, há dois anos, eu teria essa visão de querer me desenvolver na área da tecnologia. Mas agora meu propósito é continuar estudando ainda mais, principalmente sobre banco de dados e inteligência artificial”, planeja Matheus.
Ao avaliarem suas trajetórias, os alunos destacam o incentivo dos profissionais da ETEC Várzea Grande. “Todos os professores e coordenadores da ETEC são excelentes, é uma gestão realmente incrível”, disse a estudante Sophia Dias.
Matrículas abertas
A Escola Técnica Estadual (ETEC) de Várzea Grande, administrada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), está vocacionada para cursos voltados à área de gestão e negócios. Em 2026, a unidade estará presente em cinco escolas estaduais de Várzea Grande: Júlio Muller, Dunga Rodrigues, Maria Macedo, Ernandy Maurício Baracat e Pedro Gardes.
Estão sendo ofertados cursos técnicos em Administração, Informática, Agricultura, Agroindústria, Gastronomia, Manutenção e Suporte em Informática e Veterinária, todos integrados ao 1º ano do Ensino Médio.
Os interessados nos cursos podem preencher um formulário online – clique aqui para acessar. Para outras informações, pode entrar em contato com a escola pelo número (65) 99980-4878, ou se dirigir a unidade localizada na Avenida Cel. Sérgio Julião De Brito – Parque do Lago, Várzea Grande.
*Com supervisão de Beatriz Passos
Fonte: Governo MT – MT
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Nova lei amplia prazo para denúncia de crimes de violência doméstica e fortalece direitos das vítima
“Eu fui fazendo uma etapa, depois a outra. Não consegui fazer tudo de uma vez. Se o prazo é curto, às vezes ele acaba passando e depois a mulher entende tudo o que aconteceu, mas já não consegue mais agir. Esse prazo é importante para que ela tenha coragem e consciência do que está vivendo”. O relato da dona de casa C.S.A.C., assistida pelo Centro Especializado de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAV), resume a realidade enfrentada por muitas mulheres vítimas de violência doméstica. Entre o medo, a dependência financeira, os vínculos afetivos e o impacto emocional causado pelas agressões, nem sempre denunciar é uma decisão imediata.
Pensando nessa realidade, uma nova legislação ampliou de seis para 12 meses o prazo para o exercício do direito de queixa ou de representação nos casos de crimes praticados no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. A mudança fortalece os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha e busca garantir que mais vítimas tenham condições de acessar a Justiça no momento em que estiverem preparadas para denunciar.
Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, a ampliação do prazo contempla uma necessidade observada diariamente nos atendimentos às vítimas. “Primeiramente, muitas vítimas demoram para compreender que estão numa situação de violência. Muitas demoram para entender que estão dentro de um ciclo de violência e, depois disso, ainda precisam de tempo para romper esse ciclo. Esse aumento de prazo para 12 meses facilita porque, muitas vezes, a mulher só consegue refletir melhor sobre a situação quando já não está tão pressionada emocionalmente dentro daquele relacionamento”, explica.
Tempo para compreender e buscar ajuda
A magistrada destaca que a alteração vale para crimes que dependem da manifestação da vítima, como perseguição (stalking) e crimes contra a honra, entre eles calúnia, difamação e injúria. Já delitos como lesão corporal, estupro e feminicídio não dependem da representação da vítima para que o Estado dê continuidade ao processo.
Segundo Tatyana, o prazo maior pode contribuir diretamente para ampliar o acesso das mulheres à Justiça. “Aumentando esse prazo, ela tem mais condições de refletir e apresentar a representação entre seis meses e um ano. Muitas vezes, a vítima precisa de apoio psicológico e de uma rede de acolhimento para compreender o que está acontecendo antes de conseguir formalizar a denúncia”, afirma.
A própria experiência de C.S.A.C. demonstra como esse tempo pode ser decisivo. Ela levou meses para compreender a gravidade da violência que vivia e acredita que o prazo anterior poderia impedir muitas mulheres de exercerem seus direitos. “Acho que foi muito importante esse aumento (de prazo). Tem muitas coisas que influenciam para que a mulher não procure ajuda de imediato. Precisa de tempo para entender o que está acontecendo, para aceitar o que aconteceu e para ter coragem. O medo atrapalha demais”, relata.
A cozinheira M.I.L.E., também acompanhada pelo CEAV, considera a mudança um avanço necessário. “O tempo não pode ser um obstáculo. Até você perceber que está num problema sério e que precisa resolver aquilo, leva tempo. Quando eu vi que o prazo passou para 12 meses, achei muito importante. Em 12 meses você consegue pensar, repensar e buscar ajuda. Acho que vai melhorar bastante”, avalia.
Rede de proteção faz a diferença
Além da ampliação do prazo, especialistas reforçam a importância do acolhimento psicológico e do apoio familiar para que as vítimas consigam romper o ciclo da violência.
A juíza Tatyana orienta que mulheres em situação de violência procurem familiares, amigos ou qualquer integrante da rede de proteção disponível. “É importante buscar ajuda. Muitas vezes, a vítima está tão pressionada emocionalmente que não consegue enxergar todas as possibilidades. Aqui em Cuiabá existe uma rede de enfrentamento à violência preparada para acolher, orientar e encaminhar essas mulheres aos serviços necessários”, destaca.
A mensagem, segundo ela, é clara: nenhuma mulher precisa enfrentar a violência sozinha. Com mais tempo para denunciar e uma rede de apoio estruturada, as chances de romper o ciclo da violência, buscar proteção e garantir o acesso à Justiça tornam-se ainda maiores.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Josi Dias e Rodrigo Moura
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]


