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Importações de tilápia superam exportações do Brasil pela primeira vez e acendem alerta no setor

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Importação de tilápia cresce e supera exportações brasileiras

Pela primeira vez, o volume de tilápia importada pelo Brasil ultrapassou as exportações nacionais, marcando uma mudança relevante no equilíbrio do mercado.

Em fevereiro de 2026, o país importou mais de 1,3 mil toneladas de filé de tilápia do Vietnã, o equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo. Esse volume já representa aproximadamente 6,5% da produção mensal brasileira.

O avanço chama atenção em um setor que vinha registrando crescimento consistente nos últimos anos.

Setor vinha liderando crescimento entre proteínas animais

A tilapicultura brasileira se consolidou como uma das atividades mais dinâmicas do agronegócio nacional.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), Francisco Medeiros, o segmento apresentou expansão média superior a 10% ao ano na última década, superando outras cadeias de proteína animal, como bovinos, suínos e aves.

Esse desempenho é atribuído aos avanços em tecnologia, produtividade e eficiência dentro das propriedades.

Produto importado chega com preços mais competitivos

A entrada do filé vietnamita no mercado brasileiro tem alterado a dinâmica de preços. O produto importado chega ao país com valores entre R$ 25 e R$ 29 por quilo, considerados competitivos pelo setor.

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Esse patamar se aproxima do custo da matéria-prima nas indústrias nacionais, o que gera uma pressão direta sobre a competitividade da produção brasileira.

De acordo com representantes do setor, essa diferença cria uma distorção no ambiente de concorrência.

Cadeia produtiva perde competitividade fora da porteira

Apesar da eficiência dentro da produção, a cadeia da tilápia enfrenta dificuldades fora da porteira, principalmente relacionadas ao ambiente regulatório e tributário.

Custos elevados com impostos, encargos trabalhistas e exigências ambientais são apontados como fatores que reduzem a competitividade do produto nacional.

Enquanto isso, o pescado importado pode chegar ao mercado com vantagens, como isenções tributárias em determinados estados.

O setor defende a necessidade de condições mais equilibradas de competição, sem necessariamente restringir as importações.

Riscos sanitários entram no radar do setor

Além das questões econômicas, a origem da tilápia importada também levanta preocupações sanitárias.

O Vietnã registra a presença de enfermidades que ainda não existem no Brasil, como o vírus TiLV, considerado altamente letal para a espécie.

Diante desse cenário, a PEIXE BR solicitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária a realização de uma Análise de Risco de Importação (ARI), com o envio de uma missão técnica ao país asiático.

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O objetivo é avaliar possíveis impactos sanitários e garantir a segurança da produção nacional.

Mercado enfrenta momento de transição

O crescimento das importações ocorre em um período estratégico para o setor, marcado pela recuperação dos preços no mercado interno, impulsionada pela demanda da Quaresma.

No entanto, o aumento da oferta externa pode limitar essa valorização e pressionar a rentabilidade da cadeia produtiva.

Além disso, a redução do espaço para exportações tende a impactar o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico.

Brasil mantém potencial, mas depende de ajustes

Atualmente, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores globais de tilápia e segue com forte potencial de expansão.

No entanto, a continuidade desse crescimento dependerá de melhorias no ambiente de negócios, especialmente fora da porteira.

Para o setor, garantir igualdade de condições competitivas será fundamental para preservar o avanço da tilapicultura nacional e sua relevância no agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos

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A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.

Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.

É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

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O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.

Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.

Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.

Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.

Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.

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A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.

Fonte: Pensar Agro

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