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Cerrado Mineiro reposiciona marca e se projeta como referência global em cafeicultura regenerativa
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A Região do Cerrado Mineiro anunciou um reposicionamento estratégico de sua marca territorial, marcando uma nova fase para a cafeicultura brasileira. Reconhecida como a primeira Denominação de Origem de cafés do país, a região passa a adotar uma abordagem mais ampla, deixando de ser vista apenas como produtora de café para se consolidar como um movimento global de inovação, cultura e regeneração.
A nova estratégia foi desenvolvida em parceria com o Sebrae e propõe uma visão que integra produção, tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento territorial.
De origem produtora a movimento global
Responsável por 12,7% da produção nacional de café e com exportações para mais de 30 países, o Cerrado Mineiro busca ampliar sua atuação no cenário internacional. O objetivo é ser reconhecido não apenas pela qualidade do produto, mas pela capacidade de inspirar novos modelos de desenvolvimento no agronegócio.
O reposicionamento representa uma mudança de paradigma: de uma origem produtora de excelência para um ecossistema vivo, capaz de conectar inovação, cultura e regeneração em toda a cadeia produtiva.
Trajetória marcada por pioneirismo e inovação
A história da região é marcada por iniciativas pioneiras. Desde o final da década de 1960, produtores transformaram áreas consideradas improdutivas em um dos principais polos cafeeiros do país, investindo em correção de solo, irrigação e organização cooperativa.
Ao longo dos anos, o Cerrado Mineiro acumulou conquistas relevantes:
- Criação da marca coletiva Café do Cerrado, em 1995
- Reconhecimento de Indicação Geográfica pelo INPI
- Indicação de Procedência em 2005
- Primeira Denominação de Origem de cafés do Brasil, em 2013
Mais recentemente, a região avançou também na agenda sustentável, conquistando destaque na cafeicultura regenerativa, com certificações internacionais e expansão de áreas cultivadas sob esse modelo.
Novo propósito orienta estratégia territorial
O reposicionamento da marca nasce de um novo propósito: “Ressignificar o Produzir, o Inovar e o Viver, liderando um futuro regenerativo”.
A proposta amplia o papel da região, que passa a atuar como um ecossistema integrado, envolvendo:
- Cafeicultura regenerativa e sustentável
- Comercialização com rastreabilidade e controle de origem
- Inovação tecnológica e pesquisa aplicada
- Governança territorial e cooperativismo
- Turismo de experiência e valorização cultural
- Formação de novas gerações
- Promoção de bem-estar e prosperidade
Três pilares sustentam o novo posicionamento
A estratégia da Região do Cerrado Mineiro está estruturada em três princípios centrais:
- Projeção global e inovação: A região busca se posicionar como referência internacional, exportando não apenas café, mas também conhecimento, tecnologia e modelos de gestão aplicados ao agronegócio.
- Identidade e cultura regional: Com cerca de 4.500 produtores distribuídos em 55 municípios, o território reforça o senso de pertencimento e a valorização da origem, agregando valor em toda a cadeia, do campo ao consumidor final.
- Regeneração como estratégia: A região consolida a cafeicultura regenerativa como diferencial competitivo, indo além da preservação ambiental e adotando práticas que promovem a recuperação dos ecossistemas e a sustentabilidade de longo prazo.
Números reforçam relevância da região
A força do Cerrado Mineiro no cenário nacional e internacional é sustentada por indicadores expressivos:
- 4.500 cafeicultores em 55 municípios de Minas Gerais
- 255 mil hectares de lavouras
- Produção anual de aproximadamente 6 milhões de sacas
- Participação de 12,7% na produção brasileira
- Exportações para mais de 30 países
- Maior área de cafeicultura regenerativa certificada do Brasil, com cerca de 30 mil hectares
- Crescimento de 160% na certificação de origem em 2024
A região também acumula certificações inéditas e parcerias internacionais, como a colaboração com a illy caffè, voltada à comercialização de cafés com selo regenerativo em escala global.
Convite a parcerias e novos investimentos
A nova estratégia de marca territorial é apresentada como um convite à colaboração. A iniciativa busca atrair produtores, cooperativas, empresas, investidores, instituições de pesquisa e gestores públicos interessados em participar da construção de um modelo inovador para a cafeicultura.
Segundo lideranças do setor, o objetivo é ampliar o impacto positivo da região, fortalecendo a competitividade, promovendo desenvolvimento econômico e gerando oportunidades em toda a cadeia produtiva.
Com esse movimento, o Cerrado Mineiro reforça seu papel de vanguarda no agronegócio brasileiro e se posiciona como referência global em inovação e sustentabilidade na produção de café.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Rota pelo Pacífico pode reduzir custo e ampliar exportações do agro
O governo federal deu mais um passo para tirar do papel uma antiga demanda do agronegócio: criar uma rota de exportação pelo Oceano Pacífico para reduzir a dependência dos portos brasileiros. O Ministério da Agricultura instituiu nesta semana o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que pretende estruturar um corredor internacional de transporte ligando Mato Grosso aos portos do Chile e do Peru.
Na prática, o programa não constrói estradas nem define um cronograma de obras, mas cria um comitê gestor responsável por coordenar ações entre os governos brasileiro e boliviano, facilitar acordos sanitários e aduaneiros e atrair investimentos para tornar o corredor operacional.
A proposta interessa principalmente a Mato Grosso, maior produtor de grãos do país. Hoje, boa parte da soja, do milho, do algodão e da carne produzidos no Estado percorre entre 2 mil e 2,3 mil quilômetros até portos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itaqui (MA), Miritituba (PA) e Barcarena (PA). Além da longa distância, o elevado fluxo de cargas pressiona o custo do frete durante a safra.
Pela nova alternativa, a produção seguiria da região oeste de Mato Grosso até Vila Bela da Santíssima Trindade, na fronteira com a Bolívia. A partir dali, cruzaria cidades bolivianas como San Ignacio de Velasco e Santa Cruz de la Sierra, seguindo pela malha rodoviária do país até alcançar portos no Oceano Pacífico, como Arica, Iquique e Antofagasta, no Chile, ou Ilo, no Peru.
À primeira vista, o trajeto terrestre não representa uma redução expressiva da distância em relação aos portos brasileiros. O principal ganho está no transporte marítimo. Para cargas destinadas à China, ao Japão, à Coreia do Sul e a outros mercados asiáticos, a saída pelo Pacífico reduz o tempo de navegação em comparação com as rotas que partem do Atlântico, além de diminuir a dependência dos corredores logísticos hoje concentrados no Sul, Sudeste e Arco Norte.
A proposta também amplia as alternativas para o escoamento da safra em períodos de maior demanda. Mato Grosso deverá colher mais de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), volume que exige investimentos permanentes em infraestrutura de transporte.
Outro ponto considerado estratégico é o abastecimento de insumos agrícolas. A integração com a Bolívia pode facilitar a chegada de fertilizantes e outros produtos utilizados na produção rural, diversificando as rotas de abastecimento e reduzindo a dependência de corredores já sobrecarregados.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, classificou a iniciativa como um avanço para o setor. Segundo ele, o Estado sempre enfrentou o desafio da distância entre as áreas produtoras e os portos de exportação, o que reduz a competitividade do agronegócio mato-grossense.
Apesar do potencial, o corredor ainda depende de uma série de investimentos. Mato Grosso já executa obras de pavimentação em direção à fronteira, mas será necessário melhorar a infraestrutura rodoviária em território boliviano, além de harmonizar procedimentos alfandegários, sanitários e de fiscalização entre os dois países.
Para especialistas em logística, a rota bioceânica não substituirá os portos brasileiros, mas funcionará como uma alternativa estratégica. Quanto maior o número de corredores disponíveis para o escoamento da produção, menor tende a ser a pressão sobre o frete, aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro


