TECNOLOGIA
Outono começa nesta sexta-feira (20) com tendência de temperaturas acima da média no Brasil
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O verão brasileiro se despediu nesta sexta-feira (20), às 11h46, e abriu espaço para o outono no hemisfério sul. A estação, que se estende até 21 de junho, tende a vir com temperaturas acima da média em grande parte do País, principalmente nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste, além de áreas do Sudeste e da Região Norte.
Em relação às chuvas, a tendência é de redução em parte do território brasileiro. Existe uma chance maior de volumes de chuva abaixo do normal em áreas do Sul, Sudeste e parte do Nordeste. Por outro lado, o litoral da Bahia, áreas de Mato Grosso e grande parte da região Norte podem ter precipitações acima da média.
As previsões são resultado de estudo conjunto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), órgão oficial para previsão do tempo; e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O boletim oficial será divulgado em 26 de março.
A estação deve manter o padrão típico de transição entre o verão, mais quente e chuvoso, e o inverno, mais seco. O outono é uma estação de transição entre as características do verão, com temperaturas mais elevadas e chuvas mais abundantes, e o inverno, que é tradicionalmente mais seco e com temperaturas mais baixas.
O cenário climático também é influenciado por fenômenos de grande escala. O País ainda está sob influência de uma La Niña fraca, com tendência de transição para condições neutras e possível evolução para um El Niño ao longo dos próximos meses. “Se houver a configuração de um El Niño, isso pode alterar o padrão de chuvas no País, com aumento das precipitações no Sul e redução no Norte e no Nordeste”, explica o tecnologista e meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe Fábio Rocha.
A despedida do verão
Segundo a astrônoma do Observatório Nacional, unidade de pesquisa do MCTI, Josina Nascimento, o início das estações do ano é definido por fenômenos astronômicos específicos. “As estações do ano começam nos equinócios e nos solstícios. Nesse momento, temos a transição do Sol passando do Hemisfério Sul celeste para o Hemisfério Norte”, explica.
Esse movimento ocorre devido à inclinação do eixo da Terra e à sua órbita em torno do Sol, o que altera a incidência de luz solar ao longo do ano. No caso do outono, os dias e as noites passam a ter durações semelhantes, e, a partir daí, as noites se tornam progressivamente mais longas.
“Os dias vão ficando cada vez menores e as noites cada vez maiores até o solstício de inverno. As temperaturas também tendem a ficar mais amenas, mas isso não impede a ocorrência de dias de calor ou outros eventos climáticos”, afirma a pesquisadora.
Embora o comportamento astronômico seja previsível com precisão, as condições climáticas dependem de diversos fatores. “Do ponto de vista astronômico, nós sabemos exatamente a incidência solar. Mas o que vai acontecer de fato, se vai fazer calor, frio ou chover, depende de outros fatores climáticos”, ressalta Josina.
TECNOLOGIA
Brasil inaugura bancada de teste de motor de foguete
Brasil testa pela primeira vez um motor de foguete de 8 kilonewtons (kN) movido a etanol e oxigênio líquido. O ensaio ocorreu na nova bancada de propulsão da Universidade de Brasília (UnB), no campus Gama, e marcou o início da fase experimental de um projeto de desenvolvimento e fortalecimento da indústria espacial brasileira.
O propulsor integra a iniciativa Foguete de Treinamento a Propelente Líquido, que reúne governo, universidade e setor privado em torno do desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o Programa Espacial Brasileiro. O teste foi feito pela empresa DeltaV Engenharia Espacial, responsável por desenvolver o objeto, com acompanhamento da Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia federal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O intuito é utilizar o motor em um foguete de treinamento criado para ser uma plataforma de capacitação tecnológica e operacional, buscando desenvolver competências em propulsão líquida — tecnologia que envolve riscos e complexidade muito altos — e formar equipes especializadas, etapa estratégica para futuros foguetes e lançamentos brasileiros. A iniciativa tem apoio financeiro do MCTI, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Esse tipo de projeto costuma ser usado para:
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Validar tecnologias novas
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Treinar equipes de engenharia e operação
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Testar motores, sistemas e integração
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Criar capacidade industrial nacional
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Reduzir riscos antes de projetos maiores e mais caros
O teste também marcou a entrada em operação da nova infraestrutura instalada na Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE) da UnB. Implementada em parceria com o Chemical Propulsion Laboratory (CPL), coordenado pelo professor Olexiy Shynkarenko, a bancada tem capacidade para ensaios de motores de até 25 kN e amplia a estrutura disponível no País para pesquisas em propulsão líquida.
Segundo o diretor de Inteligência Estratégica e Novos Negócios da AEB, Paolo Gessini, o desenvolvimento do motor representa um avanço importante para o setor espacial brasileiro. “Trata-se de um teste de grande relevância para o setor espacial nacional. O motor de 8 kN, movido a etanol e oxigênio líquido, já apresenta potencial de aplicação em foguetes de sondagem, veículos de treinamento e até estágios superiores de pequenos lançadores”, afirma.
Gessini também destaca o caráter inédito da iniciativa no contexto nacional. “É a primeira vez que uma empresa privada brasileira desenvolve um motor-foguete líquido dessa categoria. Esse tipo de iniciativa demonstra o potencial das pequenas empresas nacionais e reforça a importância dos investimentos por subvenção da Finep, com acompanhamento da AEB, para o avanço tecnológico e industrial do país”, completa.
Durante o ensaio, ocorrido em 1º de maio, a equipe concentrou os testes no comissionamento da bancada e na validação dos sistemas operacionais. Foram avaliadas as operações com oxigênio líquido, a sequência de ignição e subsistemas como vedação e proteção térmica. Os dados obtidos servirão de base para as próximas etapas de desenvolvimento do motor.
Infraestrutura permite testar motores antes de voos reais
A bancada de propulsão líquida funciona como uma plataforma de testes em solo para motores de foguete. Nela, o propulsor é fixado a uma estrutura equipada com sensores e sistemas de monitoramento que permitem avaliar, em ambiente controlado, etapas como ignição, pressão, temperatura, consumo de combustível e desempenho da queima.
O objetivo é validar tecnologias, identificar falhas e reduzir riscos antes da utilização dos motores em foguetes experimentais ou futuros lançamentos. No teste feito na UnB, o motor desenvolvido pela DeltaV Engenharia Espacial utilizou etanol e oxigênio líquido como propelentes — combinação que permite maior controle da combustão e da potência do sistema.
Além do desenvolvimento tecnológico, a infraestrutura deve ser usada na formação prática de engenheiros, pesquisadores e operadores especializados em propulsão líquida, considerada uma das áreas mais complexas e estratégicas do setor espacial. A expectativa é que a bancada fortaleça a formação de profissionais especializados e amplie a capacidade brasileira em áreas estratégicas da engenharia aeroespacial.
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