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Colheita da soja entra na fase final e milho safrinha concentra atenção do produtor brasileiro
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Com a colheita da soja avançando para a reta final em diversas regiões do Brasil, o foco do produtor rural se volta agora para o milho safrinha, responsável pela maior parte da produção nacional do cereal e peça estratégica para o agronegócio brasileiro.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a segunda safra já representa entre 70% e 75% de todo o milho produzido no país, consolidando o protagonismo do cultivo no calendário agrícola nacional.
O período de transição entre as culturas, no entanto, exige atenção redobrada dentro das propriedades. A combinação entre janela operacional mais curta, maior exposição climática e custos elevados aumenta a necessidade de decisões rápidas e manejo eficiente para evitar perdas produtivas.
Transição entre culturas exige planejamento no campo
Especialistas do setor alertam que a troca entre a colheita da soja e a implantação do milho safrinha está entre os momentos mais críticos da temporada agrícola.
Segundo Bárbara Copetti, qualquer falha operacional nesse intervalo pode comprometer diretamente os resultados da safra.
A especialista destaca que o produtor precisa proteger o potencial produtivo da soja até o encerramento do ciclo e, simultaneamente, garantir condições adequadas para o estabelecimento inicial do milho.
O desafio se torna ainda maior em um cenário de margens mais estreitas, no qual perdas causadas por falhas agronômicas podem impactar significativamente a rentabilidade da atividade.
Manejo fitossanitário segue decisivo na soja
Mesmo na fase final da colheita, doenças como ferrugem asiática e manchas foliares continuam sendo ameaças importantes para as lavouras de soja.
O manejo fitossanitário adequado permanece fundamental para preservar produtividade e qualidade dos grãos até o encerramento da safra.
Outro ponto considerado estratégico pelos especialistas é a dessecação pré-plantio, etapa essencial para garantir o bom estabelecimento do milho safrinha e reduzir a competição inicial com plantas daninhas.
A adoção de tecnologias voltadas ao manejo de resistência também ganha relevância neste período, especialmente em áreas com histórico de alta pressão de invasoras.
Milho safrinha enfrenta pressão de clima e pragas
No milho safrinha, o manejo exige ainda mais precisão devido à maior sensibilidade da cultura às condições climáticas e à pressão fitossanitária.
Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores estão o controle de plantas daninhas resistentes, cigarrinha-do-milho, percevejo barriga-verde e doenças foliares que podem comprometer o potencial produtivo.
Além das questões sanitárias, o milho de segunda safra depende fortemente do comportamento climático nos próximos meses, especialmente da regularidade das chuvas e da ausência de geadas em regiões produtoras do Sul e Centro-Oeste.
Safrinha reforça papel estratégico no agronegócio brasileiro
O crescimento da segunda safra transformou o milho safrinha em um dos pilares da produção agrícola nacional.
Além de abastecer os mercados interno e externo, o cereal é essencial para cadeias como proteína animal, etanol de milho e indústria de rações.
Com isso, o sucesso da safrinha tornou-se decisivo não apenas para a renda do produtor, mas também para o desempenho do agronegócio brasileiro como um todo.
Especialistas destacam que, diante do ambiente cada vez mais desafiador no campo, o uso de tecnologias agrícolas, planejamento operacional e manejo eficiente seguem sendo fatores determinantes para garantir produtividade, reduzir riscos e ampliar a eficiência nas propriedades rurais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro


