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Descoberta de novas espécies de minhocas em sistemas integrados reforça sustentabilidade no agro brasileiro
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Pesquisadores identificaram duas novas espécies de minhocas nativas brasileiras em áreas de sistemas integrados de produção na Embrapa Pecuária Sudeste, reforçando a importância de práticas agrícolas sustentáveis para a conservação da biodiversidade do solo.
A descoberta ocorreu na Fazenda Canchim, em São Carlos, e foi publicada na revista científica internacional Zootaxa, em artigo assinado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, Embrapa Florestas e Universidade Federal do Paraná.
As espécies identificadas são a Fimoscolex bernardii e a Glossoscolex canchim, pertencentes à família Glossoscolecidae, típica de solos tropicais da América do Sul.
Sistemas integrados ajudam a preservar biodiversidade do solo
As novas espécies foram encontradas em áreas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Integração Lavoura-Pecuária (ILP), pastagens intensivas e lavouras sob plantio direto.
Segundo os pesquisadores, a presença dessas minhocas nativas demonstra que sistemas produtivos sustentáveis conseguem manter processos biológicos essenciais ao equilíbrio ambiental e à fertilidade do solo.
O pesquisador George Brown explica que as minhocas são consideradas importantes bioindicadoras da qualidade ambiental.
De acordo com ele, espécies nativas normalmente estão associadas a ambientes menos degradados, enquanto espécies exóticas tendem a dominar solos altamente perturbados pelo manejo intensivo.
Minhocas são fundamentais para fertilidade e produtividade agrícola
As minhocas desempenham papel estratégico no funcionamento dos ecossistemas agrícolas. Elas atuam na abertura de canais no solo, incorporação de matéria orgânica, transporte de microrganismos e reciclagem de nutrientes.
Esses processos contribuem diretamente para melhorias físicas, químicas e biológicas do solo, favorecendo a retenção de água, aeração, fertilidade e produtividade das culturas agrícolas.
Para a pesquisadora Marie Luise Carolina Bartz, a descoberta reforça que é possível unir produção agropecuária e conservação ambiental.
Segundo ela, práticas como plantio direto e sistemas integrados ajudam a preservar organismos essenciais para a saúde do solo e aumentam a resiliência produtiva das propriedades rurais no longo prazo.
Pesquisa fortalece estudos sobre ILPF e manejo sustentável
Os estudos começaram em 2018, quando equipes da Embrapa e universidades passaram a avaliar os impactos dos sistemas integrados sobre a qualidade do solo e as populações de minhocas na Fazenda Canchim.
O pesquisador Alberto Bernardi destaca que os levantamentos ampliaram o conhecimento técnico sobre os sistemas ILPF, ILP e Integração Pecuária-Floresta (IPF).
Segundo ele, os resultados ajudam produtores e técnicos a compreender melhor os benefícios dos modelos integrados para sustentabilidade, conservação ambiental e produtividade agropecuária.
A pesquisa também mostrou aumento da abundância tanto de espécies nativas quanto exóticas em áreas manejadas sob sistemas integrados, indicando condições favoráveis à manutenção da biodiversidade edáfica.
Novas espécies foram encontradas até em áreas agrícolas intensivas
Um dos aspectos considerados mais relevantes pelos cientistas foi o fato de as novas espécies terem sido identificadas também em áreas intensamente manejadas.
A espécie Fimoscolex bernardii foi encontrada inclusive em lavouras anuais conduzidas sob sistema de plantio direto, evidenciando o potencial conservacionista desse modelo produtivo.
Segundo os pesquisadores, sistemas sustentáveis promovem maior aporte de carbono no solo, ampliam a diversidade biológica e melhoram as propriedades químicas, físicas e microbiológicas do ambiente agrícola.
Descoberta amplia conhecimento sobre fauna do solo no Brasil
O Brasil possui uma das maiores diversidades de minhocas do mundo, com cerca de 336 espécies oficialmente descritas. No entanto, pesquisadores estimam que mais de 1.400 espécies possam existir no país.
A região de São Carlos, localizada na transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, é considerada estratégica para estudos ambientais devido à elevada diversidade ecológica e à intensa atividade agropecuária.
Os pesquisadores ressaltam que a fauna de minhocas nativas ainda é pouco conhecida, especialmente no Cerrado, tornando fundamentais os estudos sobre biodiversidade em sistemas produtivos.
Espécies homenageiam pesquisador e Fazenda Canchim
A espécie Fimoscolex bernardii recebeu esse nome em homenagem ao pesquisador Alberto Bernardi, referência em estudos sobre sistemas integrados de produção na Embrapa.
Já a espécie Glossoscolex canchim faz referência à árvore Canchim (Pachystroma longifolium), típica da Mata Atlântica e que também inspirou o nome da raça bovina Canchim e da Fazenda Canchim, onde os organismos foram encontrados.
Os espécimes coletados estão depositados na Coleção Fritz Müller de Oligoquetas da Embrapa Florestas, com exemplares enviados também ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Alta do pão francês acelera modernização da cadeia do trigo no Brasil com uso de tecnologia e agricultura de precisão
A alta nos preços do pão francês e de outros derivados da farinha vem ampliando a pressão sobre a cadeia produtiva do trigo no Brasil e acelerando o avanço da tecnologia no setor. Diante da redução da safra nacional, maior dependência de importações e aumento da volatilidade no mercado internacional, produtores, moinhos e indústrias intensificam investimentos em automação, inteligência de dados e agricultura de precisão para reduzir perdas e preservar competitividade.
Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo deve recuar 19% até o final de 2026, atingindo cerca de 6,3 milhões de toneladas.
A retração ocorre principalmente devido à redução de 12,5% na área plantada do cereal. Enquanto isso, o consumo interno segue elevado, entre 12 e 13 milhões de toneladas anuais, aumentando a necessidade de importações para aproximadamente 7 milhões de toneladas — o maior volume registrado desde 2013.
Dependência externa aumenta pressão sobre preços do trigo e da farinha
O cenário de menor oferta interna e maior exposição ao mercado externo eleva a sensibilidade da cadeia do trigo às oscilações cambiais, custos logísticos e políticas comerciais internacionais.
O impacto já começa a chegar ao consumidor final, especialmente em produtos como:
- Pão francês;
- Massas;
- Biscoitos;
- Produtos panificados em geral.
Segundo o economista Adenauer Rockenmeyer, delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo, a volatilidade afeta todas as etapas da cadeia produtiva.
“Produtores enfrentam margens comprimidas, indústrias lidam com custos imprevisíveis e moinhos recorrem a contratos futuros para reduzir riscos. A dependência de importações deixa o Brasil mais vulnerável às oscilações cambiais e às políticas comerciais de países fornecedores, como a Argentina”, afirma.
Tecnologia ganha papel estratégico na cadeia do trigo
Diante desse cenário, especialistas defendem que a modernização tecnológica será decisiva para ampliar eficiência, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade operacional.
A automação de análises laboratoriais, o uso de sensores inteligentes e a agricultura de precisão vêm deixando de ser apenas diferenciais competitivos e passam a ocupar posição estratégica dentro da cadeia do trigo.
A adoção de sistemas baseados em dados permite decisões mais rápidas e precisas, reduzindo falhas operacionais e melhorando o controle de qualidade da matéria-prima e dos produtos finais.
Entre as tecnologias utilizadas pelo setor estão equipamentos como:
- Mixolab;
- SpectraStar XT-F;
- AgriCheck;
- Rheo F4.
As soluções são fornecidas por empresas como a Pensalab e permitem monitorar parâmetros fundamentais da produção, incluindo:
- Teor de umidade;
- Estabilidade da massa;
- Propriedades reológicas;
- Composição química;
- Atividade enzimática.
Controle de qualidade ajuda indústria a reduzir perdas
Segundo especialistas, o uso dessas ferramentas permite prever com maior precisão o comportamento do trigo e da farinha durante os processos industriais.
Na prática, isso contribui para:
- Ajuste mais eficiente das formulações;
- Redução de retrabalho;
- Menores perdas produtivas;
- Padronização entre lotes;
- Melhor aproveitamento de insumos.
De acordo com Rafael Soares, diretor de produto e mercado da Pensalab, a inteligência de dados passou a ser essencial em um mercado pressionado por custos elevados e oferta limitada.
“Mais do que medir qualidade, essas tecnologias ajudam a antecipar desvios e permitem ações preventivas. A capacidade de tomar decisões rápidas e precisas se torna determinante para preservar margens e garantir regularidade ao consumidor”, explica.
Modernização busca tornar cadeia mais resiliente
Além da eficiência operacional, especialistas apontam que a transformação tecnológica pode ajudar o setor de trigo a construir uma estrutura produtiva menos vulnerável às crises externas.
Mesmo com a recente valorização do real frente ao dólar, fatores como clima, frete internacional, custos logísticos e decisões comerciais de países exportadores seguem influenciando diretamente o mercado brasileiro.
Para o setor, a estratégia não deve se limitar apenas à recomposição de estoques ou ao repasse de preços ao consumidor.
“A indústria brasileira do trigo pode transformar o atual cenário de retração em um ciclo de reconstrução baseado em produtividade, controle e autonomia”, afirma Rafael Soares.
Investimentos e financiamento serão decisivos para transformação do setor
Apesar dos ganhos potenciais, a modernização tecnológica da cadeia do trigo exige investimentos robustos em infraestrutura, automação e inteligência analítica.
Segundo Adenauer Rockenmeyer, a busca por novas fontes de financiamento será fundamental para acelerar essa transformação.
Além das linhas tradicionais de crédito rural, o setor deverá ampliar a captação de recursos via mercado de capitais e fundos de investimento, movimento que ganha espaço em diferentes segmentos do agronegócio brasileiro.
Em um ambiente de juros elevados e maior competitividade global, especialistas avaliam que a tecnologia será decisiva não apenas para ampliar a competitividade da cadeia do trigo, mas também para fortalecer a sustentabilidade e a adaptação do setor aos desafios climáticos e econômicos dos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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