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Nova taxa e impacto sobre exportações pode chegar a R$ 23 bilhões

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A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil abriu um período de incerteza para o agronegócio nacional (leia aqui). Depois da proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo americano anunciou no final da tarde desta terça-feira (02.06) uma segunda investigação – agora por trabalhos forçados – que poderá acrescentar mais 12,5% de sobretaxa sobre mercadorias provenientes do Brasil. Se as duas medidas forem confirmadas, parte das exportações brasileiras para o mercado americano poderá enfrentar uma carga adicional de até 37,5%.

Embora as tarifas ainda dependam de consultas públicas e decisões previstas para julho, especialistas avaliam que o simples avanço das propostas já produz efeitos sobre o comércio internacional. Empresas exportadoras passam a rever contratos, compradores buscam alternativas de fornecimento e setores mais dependentes do mercado americano entram em estado de atenção.

Os cálculos divulgados até o momento indicam que a tarifa de 25% poderá reduzir as exportações brasileiras entre R$ 13 bilhões e R$ 23 bilhões por ano. A perda não corresponde ao valor das tarifas cobradas pelos Estados Unidos, mas ao volume de negócios que poderá deixar de ser realizado em razão da perda de competitividade dos produtos brasileiros.

Para o agronegócio, o cenário é menos dramático do que para alguns segmentos industriais, mas está longe de ser irrelevante. Isso porque os Estados Unidos figuram entre os principais compradores de diversos produtos agropecuários brasileiros e representam um mercado estratégico para cadeias de maior valor agregado.

A boa notícia é que muitos produtos de interesse do agro aparecem entre as exceções discutidas pelo governo americano. Café, frutas, cereais, sementes, oleaginosas e determinadas categorias de carnes estão entre os itens que podem permanecer fora da tarifa principal de 25%. Também foram mencionadas exceções para alguns produtos agrícolas na investigação relacionada ao trabalho forçado.

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Mesmo assim, o setor acompanha com cautela a evolução das negociações. Isso porque as exceções ainda podem sofrer alterações durante o processo de consulta pública. Além disso, uma vez concluídas as investigações, novas rodadas de sanções podem atingir produtos específicos ou setores considerados sensíveis pelos Estados Unidos.

Entre as cadeias que merecem maior atenção está a da carne bovina. O produto foi citado no relatório americano sobre trabalho forçado como um dos setores globais considerados suscetíveis a riscos na cadeia produtiva. Embora isso não represente uma restrição imediata às exportações brasileiras, o tema passa a integrar a agenda comercial entre os dois países e poderá gerar novas exigências de rastreabilidade e conformidade.

A situação é diferente para commodities agrícolas com forte demanda internacional. Produtos como café, soja e outras matérias-primas possuem mercados alternativos consolidados, especialmente na Ásia, no Oriente Médio e na União Europeia. Caso parte das vendas aos Estados Unidos seja reduzida, existe espaço para redirecionamento de cargas, ainda que nem sempre nas mesmas condições comerciais.

O principal impacto para o produtor rural tende a ocorrer de forma indireta. Uma redução das exportações pode pressionar preços internos em determinados segmentos, afetar margens das indústrias exportadoras e aumentar a volatilidade cambial. Ao mesmo tempo, a busca por novos mercados pode acelerar acordos comerciais e fortalecer a presença brasileira em destinos que vêm ampliando suas compras de alimentos.

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Outro fator relevante é a diferença entre os setores afetados. As projeções indicam que máquinas agrícolas, equipamentos industriais, produtos de madeira processada e manufaturados devem concentrar as maiores perdas. No agronegócio, os efeitos tendem a variar de acordo com o grau de dependência de cada cadeia em relação ao mercado americano e à existência de compradores alternativos.

A nova investigação relacionada ao trabalho forçado amplia ainda mais a preocupação dos exportadores. O governo americano argumenta que diversos países, incluindo o Brasil, não possuem mecanismos suficientemente eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados sob essas condições. Por isso, propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% para mercadorias provenientes dessas nações.

Caso a medida avance, parte dos produtos brasileiros poderá enfrentar uma das maiores cargas tarifárias dos últimos anos no mercado americano. Ainda assim, especialistas avaliam que o risco mais relevante para o agronegócio não está apenas na tarifa em si, mas na insegurança comercial gerada pela sucessão de investigações e ameaças de sanções.

Até a conclusão das consultas públicas previstas para julho, o setor produtivo acompanha as negociações diplomáticas na expectativa de que as exceções para produtos agropecuários sejam mantidas. Para o agro brasileiro, que exporta para mais de 180 países, a capacidade de diversificar mercados continua sendo a principal ferramenta para reduzir os impactos de eventuais barreiras comerciais e preservar a competitividade internacional.

Fonte: Pensar Agro

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Inadimplência no agronegócio cresce e pressiona avanço de projeto para renegociação de dívidas rurais

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O aumento da inadimplência no agronegócio brasileiro tem reforçado a pressão por medidas de renegociação das dívidas rurais. Dados recentes da Serasa Experian e do Banco Central mostram que os índices de atraso nos pagamentos continuam avançando entre produtores de diferentes portes, em um cenário marcado por desafios climáticos, custos elevados de produção, queda de rentabilidade em algumas atividades e dificuldades de acesso ao crédito.

O crescimento do endividamento fortalece os debates em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que propõe a criação de mecanismos para renegociação de passivos rurais. Apesar do avanço da proposta no Senado, o texto enfrenta resistência do governo federal, que defende critérios mais rigorosos para concessão dos benefícios.

Inadimplência rural avança e acende sinal de alerta

Levantamento da Serasa Experian aponta que a inadimplência da população rural encerrou 2025 em 8,2%, acima dos 7,2% registrados no ano anterior.

O estudo considera dívidas vencidas há mais de 180 dias junto a instituições financeiras e empresas ligadas à cadeia agropecuária, como bancos, seguradoras, transportadoras e fornecedores de insumos.

A maior concentração de débitos continua vinculada ao sistema financeiro, demonstrando que as dificuldades de fluxo de caixa têm afetado diretamente a capacidade de pagamento dos produtores.

Arrendatários lideram ranking de inadimplência

Entre os diferentes perfis analisados, os arrendatários apresentam o maior comprometimento financeiro, com índice de inadimplência de 9,9%.

Na sequência aparecem os produtores rurais de grande porte, com 9,8%, seguidos pelos médios produtores, com 8,3%, e pelos pequenos produtores, que registraram índice de 7,8%.

Os números revelam que o problema está disseminado em toda a cadeia produtiva, atingindo desde propriedades familiares até empreendimentos de maior escala.

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Crédito rural registra um dos maiores níveis de atraso da série histórica

Os dados mais recentes do Banco Central mostram que a inadimplência nas operações de crédito rural com recursos direcionados atingiu 7,4% em abril de 2026.

O percentual representa o segundo maior nível registrado desde o início da série histórica, em 2011, evidenciando o agravamento das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor.

Nas operações de crédito rural contratadas com taxas de mercado, a situação é ainda mais preocupante. O índice de inadimplência alcançou 13,3%, refletindo o peso dos custos financeiros mais elevados sobre os produtores.

Já as operações com juros regulados apresentaram inadimplência de 3,1%, percentual significativamente inferior ao observado nas linhas de mercado.

Projeto de renegociação avança, mas enfrenta resistência do governo

Diante do aumento das dificuldades financeiras no campo, o Projeto de Lei 5.122/2023 ganhou força nas últimas semanas ao avançar na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

A proposta busca criar mecanismos de renegociação para produtores rurais endividados, utilizando recursos do Fundo Social do Pré-Sal como uma das fontes de financiamento.

No entanto, o texto aprovado pela comissão difere da proposta defendida pelo governo federal.

O Executivo defendia a exigência de uma entrada entre 10% e 20% para adesão ao programa e juros variando entre 6% e 12%. Esses pontos foram rejeitados durante a tramitação.

A versão aprovada prevê condições mais favoráveis aos produtores, sem exigência de entrada obrigatória e com taxas de juros entre 3,5% e 7,5%.

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Frente Parlamentar da Agropecuária cobra solução para o setor

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) tem atuado para garantir a continuidade da proposta e evitar alterações consideradas prejudiciais aos produtores.

Representantes da bancada ruralista afirmam que a renegociação é necessária para preservar a capacidade produtiva do setor e evitar o agravamento da crise financeira em diversas regiões do país.

Segundo lideranças da FPA, a expectativa é que o texto aprovado no Senado seja mantido durante a tramitação na Câmara dos Deputados.

Governo avalia alternativas e pode endurecer regras

Nos bastidores, integrantes do governo já indicaram a possibilidade de adotar medidas para limitar o alcance da proposta.

Entre as alternativas discutidas estão a edição de uma Medida Provisória com regras mais restritivas para renegociação ou até mesmo a aplicação de veto presidencial caso o projeto seja aprovado pelo Congresso Nacional.

O principal ponto de divergência continua sendo o custo fiscal da operação e os critérios de acesso aos benefícios.

Endividamento será tema central do agro em 2026

Com a inadimplência em trajetória de alta e milhares de produtores enfrentando dificuldades para honrar compromissos financeiros, o debate sobre crédito rural e renegociação de dívidas tende a ocupar posição central na agenda do agronegócio brasileiro ao longo de 2026.

Especialistas avaliam que uma solução equilibrada será fundamental para garantir a continuidade dos investimentos, preservar a produção agropecuária e manter a competitividade do setor, responsável por parcela significativa do PIB, das exportações e da geração de empregos no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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