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Governador Otaviano Pivetta propõe acordo com Pará por serviços prestados por MT

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O governador Otaviano Pivetta propôs um termo de cooperação para que o Pará faça a compensação financeira pelos serviços públicos prestados por Mato Grosso à população paraense.

A proposta foi apresentada durante audiência de conciliação convocada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, nesta quarta-feira (10.6), para discutir os impactos práticos da decisão que manteve os limites territoriais entre Mato Grosso e Pará.

“Esperamos que haja a compreensão objetiva do que é preciso ser feito. O Estado de Mato Grosso está pronto para continuar atendendo o povo dessa região, mas precisa ser compensado por isso. O Estado do Pará arrecada, e Mato Grosso gasta. Não está certo isso. Precisamos dessa cooperação para continuar cuidando dessas 12 mil pessoas e, inclusive, melhorando os serviços públicos dessa região”, afirmou o governador Otaviano Pivetta.

Ao final da audiência, o ministro Flávio Dino reforçou que irá buscar um acordo de conciliação entre os dois Estados, mas que, caso não haja consenso, pode reabrir a discussão judicial sobre os limites territoriais.

“Mato Grosso e Pará possuem uma singularidade, que é a extensão geográfica. Nós estamos falando de uma disputa entre, praticamente, dois países e, nessa questão, há pessoas e problemas reais. É preciso encontrar soluções duradouras. A primeira é manter a decisão; a segunda é mudá-la; e a terceira alternativa, que defendo, é encontrar um caminho intermediário para as questões que estão postas”, explicou.

O procurador-geral do Estado de Mato Grosso, Francisco Lopes, destacou que o Estado estará pronto para construir uma solução justa com o Governo do Pará.

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“Nosso objetivo é construir uma solução equilibrada, que respeite as decisões judiciais, preserve os direitos da população e distribua de forma justa as responsabilidades entre os dois Estados”, disse.

A audiência foi solicitada antes do julgamento dos embargos de declaração ainda pendentes na ação rescisória que discute o caso. Conforme o ministro Flávio Dino, as discussões para a construção do acordo prosseguem no STF e buscam garantir a continuidade dos serviços públicos e a proteção da população afetada.

Ainda nesta quarta-feira, os procuradores-gerais dos dois Estados se reunirão com o ministro para tentar destravar o impasse sobre os serviços de segurança pública e regularização fundiária da região.

Ação judicial no STF

O Governo de Mato Grosso entrou com uma ação em maio de 2023, pedindo a revisão da decisão do STF, de 2020, que manteve os limites territoriais atuais entre os dois Estados.

Na discussão territorial, Mato Grosso sustenta a existência de erro na localização geográfica adotada como base do julgamento da ACO nº 714, ao considerar de forma equivocada a posição do Salto das Sete Quedas em relação ao Salto Augusto, o que teria gerado inconsistências na definição da linha divisória entre os dois Estados.

Além da questão territorial, o Estado destaca que moradores de municípios do Pará, próximos à divisa com Mato Grosso, dependem historicamente da estrutura administrativa mato-grossense para acesso a serviços de saúde, educação, segurança, atendimento cartorial e infraestrutura.

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Um levantamento entre diversos órgãos do Estado apresentou dados que demonstram a forte dependência da população da região da estrutura pública mantida por Mato Grosso. Entre os pontos levantados está a situação de pelo menos 123 títulos definitivos expedidos pelo próprio Estado entre 1959 e 1966, abrangendo mais de 600 mil hectares em áreas hoje reconhecidas como pertencentes ao Pará.

Outro ponto é que moradores de localidades vinculadas territorialmente ao Pará utilizam, na prática, serviços públicos oferecidos por Mato Grosso, como hospitais, delegacias, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Segundo o levantamento, não há estrutura paraense capaz de absorver essa demanda de forma imediata.

Na área da saúde, Mato Grosso custeou, apenas em 2025, 13.295 internações hospitalares, realizou 2,9 milhões de procedimentos ambulatoriais e financiou 1.517 partos. Os sistemas do SUS também registraram atendimentos a pacientes residentes em dez municípios paraenses, realizados em unidades de saúde mantidas pelo governo mato-grossense.

Dados da Secretaria de Estado de Fazenda apontam que os municípios limítrofes à área em disputa arrecadaram R$ 372,2 milhões em tributos estaduais em 2025, valor 80,8% superior ao registrado em 2021. Somente os produtores rurais localizados na área objeto da controvérsia recolheram R$ 5,2 milhões em tributos estaduais no ano passado. Segundo o Estado, uma eventual transição territorial exige planejamento para evitar prejuízos financeiros e administrativos.

Fonte: Governo MT – MT

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Falta de atendimento e água potável marca debate indígena

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O segundo dia do webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte Indígena”, promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aprofundou a escuta das demandas dos povos originários e expôs, com contundência, as fragilidades estruturais que ainda marcam o atendimento à saúde indígena no estado. O encontro reuniu lideranças indígenas de diferentes regiões, integrantes do sistema de justiça e representantes da gestão pública, consolidando-se como um espaço de fala e denúncia, mas também de construção institucional.Na abertura, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, destacou o caráter do evento como instrumento de escuta ativa e crítica. “Este espaço funciona como uma escuta para que possamos compreender, com profundidade, os gargalos da saúde indígena, que muitas vezes se mantêm por interesses econômicos que não podem se sobrepor à vida”, afirmou.Na mesma linha, a promotora de Justiça Maria Coeli Pessoa de Lima reforçou o compromisso do Ministério Público com a transformação das denúncias em providências concretas. “Todos os problemas aqui relatados, especialmente aqueles referentes à gestão e ao financiamento, serão devidamente registrados e encaminhados aos órgãos responsáveis em cada localidade. Nosso objetivo é buscar soluções práticas para questões que não podem mais ser postergadas”, pontuou.As falas das lideranças indígenas evidenciaram uma realidade marcada pela precariedade e pela negligência. O cacique Waraci Xavante relatou a situação crítica dos serviços básicos de saúde nas aldeias. “Nos postos de saúde temos apenas dipirona e ibuprofeno. Não há estrutura, não há medicamentos suficientes. As nossas mulheres ainda carregam água por longas distâncias porque faltam poços artesianos, e isso gera dor, sofrimento e adoecimento”, denunciou.Complementando a denúncia, Bruno Xavante chamou atenção para a negativa de atendimento por parte dos municípios. “Existe uma recusa frequente. Os municípios dizem que a responsabilidade é da Sesai e, com isso, nossos parentes ficam sem assistência. Além disso, enfrentamos discriminação e a barreira da língua, especialmente com aqueles que não falam português”, explicou.A pauta ambiental também ocupou lugar central nos debates. Amanuá Kamayura alertou para a contaminação dos territórios e seus impactos diretos na saúde. “O Rio Xingu está sendo contaminado por mercúrio, e os agrotóxicos das fazendas chegam pelo ar e pela água. Há pesquisadores que dizem não conseguir fazer análises químicas porque faltam equipamentos na universidade, influenciados por interesses políticos de fazendeiros”, afirmou.Com experiência de mais de três décadas na área, José Ângelo Silveira Nambiquara apontou problemas estruturais na gestão do sistema. “A centralização dos contratos em Brasília prejudica o funcionamento na ponta. Falta combustível nos distritos, o que impede ações básicas de atendimento. Precisamos urgentemente de concursos públicos, porque muitos profissionais estão se aposentando, e também é necessário definir quem é responsável pela soberania alimentar dos povos indígenas, já que Estado e municípios se eximem dessa função”, destacou.No campo jurídico, o promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas trouxe reflexões sobre a atuação institucional. “É necessário que o Ministério Público leve ao Supremo Tribunal Federal o questionamento sobre a aplicação de teses restritivas no fornecimento de medicamentos aos povos indígenas. Também devemos discutir a criação de uma fila específica no SUS, como uma ação afirmativa que reconheça a violência estrutural histórica sofrida por essas populações”, propôs.As lideranças também cobraram melhorias na infraestrutura de atendimento. Sebastiana Wamariwê destacou a necessidade de ampliar a rede de assistência. “Precisamos da construção de uma Casa de Saúde Indígena em Água Boa. A população Xavante está crescendo e já chega a cerca de 27 mil pessoas, mas a estrutura não acompanha essa realidade”, disse.Lúcio Xavante reforçou a dificuldade enfrentada no acesso a atendimentos especializados. “A burocracia na regulação de vagas hospitalares é muito grande. Muitas vezes, nossos parentes aguardam por atendimento em situações graves, e isso agrava ainda mais os casos”, relatou.O cacique Damião Paridzané trouxe um relato alarmante sobre a Terra Indígena Maraiwatsédé. “A água que consumimos chega suja de esterco de gado das lavouras vizinhas. Estamos bebendo água contaminada e adoecendo por causa disso”, denunciou.Já Hiparidi Dzutsi’wa Toptiro destacou os impactos diretos dessa realidade na saúde das comunidades. “A mortalidade infantil indígena é maior do que em regiões pobres do país. Precisamos urgentemente formar agentes de saúde e de saneamento para atuar nas aldeias. Não podemos continuar perdendo nossas crianças”, afirmou.Entre os representantes da gestão pública, Caio Wulkai Suya, coordenador no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xingu, reconheceu desafios no atendimento. “Ainda existe resistência e preconceito contra os indígenas nos hospitais municipais. Precisamos enfrentar essa realidade para garantir um atendimento digno”, declarou.Marcia Rauber, representante do Escritório Regional de Saúde, apontou falhas na articulação entre sistemas. “O SUS e o subsistema de saúde indígena muitas vezes não se reconhecem e não dialogam. Isso prejudica diretamente a continuidade do cuidado e a efetividade do atendimento”, observou.A professora Rosaline Lunardi trouxe contribuições relacionadas à segurança alimentar. “Há grandes dificuldades no acesso a recursos para a agricultura familiar indígena. Garantir alimentação adequada também é garantir saúde”, destacou.O voluntário Valteri reforçou a gravidade da situação sanitária. “A água contaminada por cinzas de queimadas tem causado sofrimento constante nas comunidades. Isso impacta diretamente a qualidade de vida e agrava problemas de saúde já existentes”, afirmou.Ao final da escuta, foram apontadas como medidas a serem adotadas o encaminhamento formal de todas as demandas aos órgãos competentes; a intensificação da fiscalização sobre a prestação de serviços de saúde indígena; a articulação interinstitucional para melhoria da integração entre o SUS e o subsistema indígena; a análise de medidas judiciais, incluindo questionamentos no Supremo Tribunal Federal; o acompanhamento das demandas por infraestrutura, como a construção de unidades de saúde; e o fortalecimento de políticas voltadas ao saneamento, segurança alimentar e formação de profissionais para atuação nas aldeias.Programação – O webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte de Indígenas” é promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. A programação segue até o dia 11 de junho. Na quinta-feira (1’), a socióloga Haya Del Bel ministrará a palestra “Saúde Indígena e Território: o corpo-terra sob ataque”. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio doutoral na Universidad Complutense de Madrid, a pesquisadora participará de debate ao lado da liderança indígena e professora Lucila da Costa Moreira Nawa e do missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott. A mediação será conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho. 

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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