AGRONEGOCIOS
Açúcar reage em março com apoio do petróleo, mas mercado global ainda limita altas
AGRONEGOCIOS
Mercado de Açúcar Reage Após Quedas em Fevereiro
O mercado global de açúcar apresentou reação em março, após um período de forte pressão nos preços observado em fevereiro. Segundo o relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA, as cotações do açúcar bruto em Nova York chegaram a romper o piso de 14 cents de dólar por libra-peso, atingindo mínima de 13,7 cents/lb no dia 12 de fevereiro.
Já em março, houve recuperação moderada, com os preços alcançando cerca de 14,4 cents/lb, refletindo uma alta de 0,5% no período, ainda considerada limitada diante do cenário global.
Petróleo e Geopolítica Sustentam Preços do Açúcar
Entre os principais fatores de suporte ao mercado está a escalada dos conflitos no Oriente Médio, que impulsionou os preços do petróleo e dos combustíveis. Esse movimento tem impacto direto sobre o setor sucroenergético.
Com o petróleo mais valorizado, cresce a tendência de direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional. Esse cenário cria um viés mais positivo para os preços da commodity, mesmo que de forma limitada até o momento.
Revisão da Safra Indiana Reduz Oferta Global
Outro ponto relevante destacado no relatório é a revisão da produção de açúcar da Índia para a safra 2025/26, estimada agora em 28,3 milhões de toneladas.
A redução reflete perdas de produtividade em regiões importantes, como Maharashtra e Karnataka, além do maior direcionamento da cana para a produção de etanol.
Com isso, a Índia tende a reduzir sua participação nas exportações globais, tornando o mercado internacional mais sensível a oscilações de oferta e a fatores climáticos em outros países produtores.
Fundos Vendidos e Superávit Limitam Avanços
Apesar dos fatores de suporte, o mercado ainda enfrenta limitações para uma alta mais consistente. O relatório aponta que o superávit global de açúcar continua pressionando as cotações.
Além disso, os fundos especulativos mantêm forte posição vendida, próxima de 250 mil contratos líquidos, indicando que os investidores ainda apostam em um cenário de oferta confortável.
Esse posicionamento amplia a volatilidade e pode gerar movimentos mais intensos de alta caso haja mudança na percepção do mercado.
Safra no Centro-Sul e Perspectivas para 2026/27
Para o próximo ciclo, o mercado observa o início da safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil, com expectativa de recuperação na produção.
As estimativas indicam moagem entre 620 e 635 milhões de toneladas, sustentada por ganhos de produtividade e entrada de áreas reformadas.
Ainda assim, o clima segue como principal fator de risco, podendo alterar o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo da temporada.
Etanol Ganha Força com Alta da Energia
O mercado de etanol também apresentou reação em março, impulsionado pela entressafra e pela valorização do petróleo.
No mercado paulista, o etanol hidratado registrou alta de 3,4%, sendo negociado a R$ 2,94 por litro na primeira quinzena do mês.
A valorização da energia aumenta a competitividade do biocombustível e influencia o mix de produção das usinas, favorecendo o etanol em detrimento do açúcar, especialmente no início da safra.
Perspectiva: Mercado Segue Volátil e Sensível a Fatores Externos
O cenário para o açúcar segue marcado por incertezas, com forças opostas atuando sobre os preços.
De um lado, a alta do petróleo, a menor oferta da Índia e o possível redirecionamento para etanol oferecem suporte ao mercado. De outro, o superávit global e o posicionamento dos fundos continuam limitando avanços mais expressivos.
Diante disso, a tendência é de manutenção da volatilidade, com o mercado atento à evolução do cenário geopolítico, às condições climáticas e às decisões de produção nos principais países exportadores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Bolsas globais despencam com realização no setor de tecnologia; Ibovespa resiste de olho na inflação e nas commodities
A sexta-feira (26) é marcada por um movimento global de aversão ao risco, com forte realização de lucros nas empresas de tecnologia e inteligência artificial, provocando quedas expressivas nas bolsas asiáticas e pressionando os mercados da Europa e dos Estados Unidos. No Brasil, o Ibovespa demonstra maior resiliência, sustentado pelo desempenho das commodities, pela inflação doméstica mais favorável e pela expectativa de continuidade do ciclo de queda dos juros.
O movimento começou na Ásia, onde investidores reduziram exposição ao setor de tecnologia após o recuo das ações de empresas ligadas à cadeia global de inteligência artificial e semicondutores. A realização de lucros ganhou força depois da forte valorização registrada nos últimos meses.
Entre os principais mercados asiáticos, o índice Nikkei, do Japão, caiu 4,15%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 5,81%, chegando a registrar perdas ainda maiores durante o pregão. Na China, o índice de Xangai (SSEC) perdeu 2,26%, enquanto o CSI 300 caiu 3,03%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,76%. Taiwan também acompanhou o movimento, com queda de 3,64%, ao passo que a bolsa de Sydney foi uma das poucas exceções, encerrando em alta de 0,18%.
Ações de IA lideram as perdas
Na China, as empresas ligadas à inteligência artificial foram o principal foco das vendas.
O índice CSI Artificial Intelligence recuou 4,6%, enquanto o índice de empresas de comunicação 5G caiu 5,8%. Entre os destaques negativos esteve a Zhongji Innolight, uma das maiores fabricantes mundiais de módulos ópticos, que perdeu mais de 5%.
As gigantes de tecnologia negociadas em Hong Kong também sofreram forte correção, acumulando queda semanal superior a 7%, refletindo a cautela dos investidores em relação às elevadas avaliações do setor e às dúvidas sobre o ritmo de retorno dos investimentos em inteligência artificial.
Pressão também chega aos mercados internacionais
O sentimento negativo se espalhou para os mercados internacionais após a forte correção das ações de tecnologia em Nova York.
Os futuros das bolsas norte-americanas operam em baixa, enquanto investidores continuam reavaliando o elevado nível de investimento em inteligência artificial e seus impactos sobre as margens das grandes empresas do setor. Ao mesmo tempo, a queda dos preços do petróleo ajuda a reduzir parte das preocupações inflacionárias, mas não foi suficiente para restaurar o apetite ao risco.
Ibovespa acompanha o exterior, mas encontra suporte interno
No Brasil, o mercado abriu em compasso de espera, acompanhando o cenário externo mais adverso. Apesar disso, o Ibovespa futuro apresentou oscilações moderadas, refletindo um ambiente doméstico relativamente mais favorável.
Entre os fatores que sustentam os ativos brasileiros estão a divulgação do IPCA-15 abaixo das expectativas do mercado, que reforça apostas em continuidade da flexibilização monetária, além do desempenho das commodities, importantes para empresas com forte peso no índice.
O dólar permanece próximo da estabilidade, ao redor de R$ 5,17, em um ambiente de monitoramento constante por parte dos investidores e com atuação do Banco Central contribuindo para reduzir a volatilidade cambial.
Braskem e ações sensíveis aos juros movimentam a B3
Entre os destaques corporativos da sessão, as ações da Braskem figuram entre as maiores quedas após a companhia recorrer à Justiça em disputas envolvendo credores.
Na direção oposta, empresas mais sensíveis ao comportamento da taxa de juros, especialmente dos segmentos de varejo e construção civil, apresentam desempenho relativamente melhor, favorecidas pela leitura mais benigna da inflação e pela perspectiva de redução gradual do custo do crédito.
Cenário segue dependente da tecnologia e da política monetária
Para os investidores, o foco permanece dividido entre a evolução do setor global de inteligência artificial, os próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos e as decisões dos principais bancos centrais.
No Brasil, além da trajetória da inflação, seguem no radar o comportamento do dólar, dos preços internacionais das commodities e a evolução do cenário fiscal, fatores que devem continuar determinando o humor dos mercados nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


