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Adiamento do acordo Mercosul-UE frustra cúpula em Foz do Iguaçu
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A assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), negociado por 26 anos, foi adiada novamente e não ocorrerá mais em 2025. A falta de consenso entre os 27 estados-membros europeus impediu o avanço, apesar do otimismo inicial dos sul-americanos. A cúpula do Mercosul, realizada neste sábado (20.12) em Foz do Iguaçu (PR), esperava a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para formalizar o tratado, mas o plano foi suspenso.
A Itália pediu mais tempo para avaliar o texto, exigindo “algumas semanas extras” para construir maioria qualificada no Conselho Europeu. O chanceler alemão Friedrich Merz minimizou o atraso, prevendo assinatura no início de 2026, o que daria à primeira-ministra italiana Giorgia Meloni tempo para consolidar apoio interno e superar resistências em países como a França.
O adiamento gerou críticas imediatas de industriais alemães. A federação BDI alertou que a postergação compromete a credibilidade da UE como parceira comercial, enquanto a VDA (montadoras) viu sinal de fragilidade em meio a disputas tarifárias globais e desaceleração econômica.
Defensores destacam benefícios: ampliação de exportações europeias, redução da dependência da China, acesso a insumos estratégicos do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e previsibilidade regulatória para cadeias globais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a decisão europeia em plenária da cúpula, afirmando que “sem vontade política e coragem dos dirigentes, será impossível concluir uma negociação de 26 anos”. Ele destacou concessões do Mercosul, como cotas para agropecuários e salvaguardas com reciprocidade, e recebeu carta de von der Leyen e António Costa prevendo aprovação em janeiro.
Lula telefonou para Meloni, que citou “embaraço político” com agricultores italianos, mas não se opõe à assinatura. O Brasil segue articulando: ministro da Fazenda Fernando Haddad contatou o presidente francês Emmanuel Macron enfatizando o peso geopolítico; Carlos Fávaro (Agricultura) aceita negociar salvaguardas. Enquanto espera, Mercosul avança com Panamá, Colômbia e Equador.
Lula aposta que, com apoio italiano, a França não bloqueará sozinha o acordo, que precisa de 15 países representando 65% da população da UE. Ele torce por chancela no primeiro mês da presidência paraguaia.
A oposição concentra-se no agro europeu, temeroso de importações baratas de carne bovina, açúcar e aves do Mercosul, questionando padrões ambientais e sanitários. França (Macron chamou o texto de “inaceitável”) e Itália lideram resistências, com protestos violentos em Bruxelas, bloqueios de estradas na França e mobilizações em outros países.
A Comissão Europeia propõe salvaguardas para produtos sensíveis, mas impasses persistem.
Países a favor:
- Alemanha
- Espanha
- Países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Finlândia)
- Portugal
- Países Bálticos (Estônia, Letônia, Lituânia)
- República Tcheca
- Eslováquia
Países contrários ou resistentes:
- França
- Itália
- Polônia
- Hungria
- Áustria
- Irlanda
- Bélgica
O tratado tem potencial estratégico para o agro brasileiro, mas o atraso reforça a necessidade de diversificação de parceiros comerciais pelo Mercosul.
Fonte: Pensar Agro
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Mercado do milho segue travado no Brasil enquanto Chicago reage à demanda dos EUA e ao clima no cinturão produtor
O mercado brasileiro de milho caminha para encerrar mais uma semana com negociações limitadas, refletindo a cautela de compradores e vendedores diante do avanço gradual da colheita da segunda safra. Enquanto consumidores mantêm uma postura conservadora, adquirindo apenas volumes pontuais, produtores continuam retraídos na oferta, apostando em uma melhor remuneração nas próximas semanas.
A lentidão dos negócios ocorre em um momento em que diversas regiões produtoras ainda enfrentam dificuldades para acelerar os trabalhos de campo em razão das chuvas recentes. Apesar disso, a expectativa do setor é de intensificação da colheita da safrinha nos próximos dias, o que deverá ampliar a disponibilidade do cereal no mercado.
Compradores seguem abastecidos e aguardam maior oferta
O comportamento dos consumidores permanece praticamente inalterado. Com estoques considerados confortáveis, as indústrias priorizam compras apenas para reposição imediata, aguardando o aumento da oferta proveniente da colheita antes de ampliar as aquisições.
Do lado da oferta, produtores evitam realizar grandes volumes de vendas, buscando preservar os preços diante da expectativa de um mercado mais favorável à medida que a comercialização da safrinha evolui.
Preços do milho nas principais regiões produtoras
As cotações permaneceram relativamente estáveis nas principais praças acompanhadas pelo mercado:
- Porto de Santos (CIF): R$ 65,00 a R$ 67,00 por saca;
- Porto de Paranaguá: R$ 65,00 a R$ 67,00 por saca;
- Cascavel (PR): R$ 57,00 a R$ 59,00;
- Mogiana (SP): R$ 55,00 a R$ 60,00;
- Campinas (SP – CIF): R$ 63,50 a R$ 65,00;
- Erechim (RS): R$ 66,50 a R$ 68,00;
- Uberlândia (MG): R$ 57,00 a R$ 59,00;
- Rio Verde (GO – CIF): R$ 53,00 a R$ 56,00;
- Rondonópolis (MT): R$ 47,00 a R$ 51,00 por saca.
Chicago encontra suporte na demanda e nas condições climáticas
Enquanto o mercado brasileiro permanece travado, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) apresentou recuperação nas últimas sessões, impulsionada pelo fortalecimento da demanda pelo milho norte-americano e pelas preocupações climáticas nas principais áreas produtoras dos Estados Unidos.
Os investidores acompanham atentamente a previsão de uma intensa onda de calor sobre o chamado Corn Belt. O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos projeta temperaturas próximas de 38°C durante o fim de semana, com calor acima da média persistindo até o início de julho, período considerado decisivo para o desenvolvimento das lavouras.
Ao mesmo tempo, as previsões de chuvas para os primeiros dias de julho continuam sendo monitoradas, já que poderão amenizar parte do estresse térmico sobre as plantações.
Outro fator de sustentação para os preços foi o desempenho das exportações norte-americanas.
Exportações dos Estados Unidos reforçam cenário positivo
Os dados semanais de vendas externas confirmaram demanda consistente pelo cereal dos Estados Unidos.
Na semana encerrada em 18 de junho, as vendas líquidas da safra 2025/26 somaram 743,1 mil toneladas, com destaque para o México, responsável pela aquisição de 307,3 mil toneladas. Para a temporada 2026/27, foram registradas vendas adicionais de 735,9 mil toneladas.
O cenário também foi favorecido pelo enfraquecimento do dólar frente às principais moedas internacionais, aumentando a competitividade do milho norte-americano no mercado global.
Contratos futuros acumulam valorização
Após uma sessão de valorização superior a 2%, os contratos futuros mantiveram parte dos ganhos, embora tenham apresentado oscilações técnicas ao longo do pregão.
O contrato com vencimento em setembro encerrou cotado a US$ 4,24¼ por bushel, alta de 2,04%, enquanto o vencimento dezembro fechou a US$ 4,43 por bushel, avanço de 1,89%.
Nas negociações seguintes, os contratos passaram por ajustes moderados, influenciados pela queda do petróleo, que reduz a atratividade da produção de etanol, fator que limitou novas altas.
Câmbio e mercado financeiro acompanham cenário externo
No mercado cambial, o dólar comercial operou em leve queda frente ao real, negociado próximo de R$ 5,17, movimento que tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras no curto prazo.
No exterior, as principais bolsas de valores registraram desempenho negativo, enquanto o petróleo recuou quase 3%, refletindo ajustes nos mercados globais.
Perspectivas para o mercado
O mercado brasileiro de milho deve permanecer com ritmo lento de comercialização até que a colheita da safrinha avance de forma mais consistente. A combinação entre produtores resistentes em vender, compradores abastecidos e maior oferta prevista para as próximas semanas deverá continuar ditando o comportamento dos preços no mercado interno.
No cenário internacional, as atenções seguem voltadas para as condições climáticas nos Estados Unidos e para o desempenho das exportações norte-americanas, fatores que deverão continuar influenciando as cotações na Bolsa de Chicago e, consequentemente, o direcionamento do mercado global de milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


