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Análise de Preços ao Produtor: Março de 2025 e Seus Impactos na Indústria e Agropecuária

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Em março de 2025, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação apresentou uma variação negativa de 0,62%, continuando a tendência de queda registrada em fevereiro. Este índice reflete a variação dos preços de produtos na “porta de fábrica”, sem considerar impostos e fretes, e abrange uma vasta gama de atividades industriais, incluindo o setor de alimentos e o agronegócio.

Desempenho Geral da Indústria

O IPP de março de 2025 registrou uma variação negativa de 0,62% em relação ao mês anterior. Ao longo deste período, 10 das 24 atividades industriais analisadas apresentaram redução nos preços, destacando-se a queda de 3,61% nas indústrias extrativas, a variação negativa de 1,96% na metalurgia e a redução de 1,94% na madeira. Em contrapartida, a impressão teve um aumento de 2,15%.

Entre os setores que mais influenciaram a queda do índice geral, o destaque foi para a indústria alimentícia, que exerceu um impacto negativo de -0,34 ponto percentual (p.p.) na variação do IPP. Também contribuíram negativamente as indústrias extrativas (-0,16 p.p.), metalurgia (-0,13 p.p.) e o refino de petróleo e biocombustíveis (-0,06 p.p.).

Influência Setorial e Variação Acumulada

No acumulado do ano, a indústria como um todo teve uma queda de 0,59%, com destaque para o desempenho negativo das indústrias extrativas (-8,26%) e da metalurgia (-4,50%). O setor de alimentos, responsável por uma significativa variação de -0,77 p.p., foi o principal responsável pela redução nos preços. Por outro lado, os outros produtos químicos e o refino de petróleo e biocombustíveis apresentaram variações positivas em alguns períodos do ano.

Quando comparado com o mesmo mês do ano anterior, o IPP acumulado em 12 meses foi de 8,37%. Os setores de metalurgia, com um aumento de 18,17%, e outros produtos químicos, com 14,21%, foram os que mais contribuíram para este crescimento. Dentro do setor alimentício, a variação de 12,89% em 12 meses também se manteve positiva, refletindo a pressão de custos no agronegócio.

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Bens de Consumo e Grandes Categorias Econômicas

O desempenho das grandes categorias econômicas no mês de março de 2025 foi variado. Os bens intermediários, com peso de 54,95% no cálculo do índice, tiveram uma variação negativa de 0,84%, respondendo por 0,46 p.p. da queda do IPP. Já os bens de consumo apresentaram uma leve retração de 0,44%, sendo influenciados, em especial, pelos produtos semiduráveis e não duráveis. Em contraste, os bens de capital mantiveram uma estabilidade, com uma variação de apenas 0,10%.

Em termos acumulados no ano, os bens de capital apresentaram uma variação ligeiramente negativa de -0,06%, enquanto os bens intermediários e de consumo sofreram perdas mais acentuadas.

Setores em Destaque: Alimentos e Indústrias Extrativas

O setor alimentício continuou a desempenhar um papel crucial nos resultados do IPP em março de 2025. A variação de -1,35% registrada nos preços dos alimentos foi a mais intensa desde junho de 2023. Esse desempenho negativo se refletiu no acumulado do ano, com uma queda de 2,98%, embora o acumulado em 12 meses ainda registre um aumento de 12,89%.

Dentro do setor alimentício, a carne de bovinos frescas ou refrigeradas e as carnes suínas congeladas tiveram a maior influência negativa sobre o índice, devido à grande oferta de animais para abate e à sazonalidade das safras. Em contraste, o café, que registrou aumento de preços, teve um impacto positivo.

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Outras Atividades Industriais: Refino de Petróleo, Metalurgia e Produtos Químicos

O setor de refino de petróleo e biocombustíveis, após meses de crescimento, apresentou uma redução de 0,58% em março, refletindo a desaceleração nas variações de preços deste segmento. No acumulado do ano, o setor manteve uma variação positiva de 3,28%, mas o índice de 12 meses também começou a desacelerar.

A metalurgia, por sua vez, enfrentou uma queda de 1,96% em março, acumulando uma retração de 4,50% no primeiro trimestre de 2025. Apesar disso, no comparativo anual, o setor ainda manteve um aumento de 18,17%.

Já a indústria química se destacou positivamente, com uma leve variação de 0,06% em março, e um crescimento acumulado de 4,16% no ano. Os produtos mais influentes foram os herbicidas para uso agrícola e os adubos, refletindo a alta demanda no setor agropecuário.

A análise do Índice de Preços ao Produtor (IPP) de março de 2025 revela um cenário misto para a indústria e o agronegócio, com quedas significativas nos setores de alimentos e indústrias extrativas, mas também com variações positivas em segmentos como a metalurgia e a indústria química. O desempenho do setor alimentício continua a ser central para os resultados, refletindo tanto os desafios da oferta quanto a variação nos custos de produção e nos preços de commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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