AGRONEGOCIOS
Aumento nas cotações da pluma e do caroço de algodão em Mato Grosso impulsiona expectativas para o Valor Bruto da Produção
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Cotações da pluma e caroço de algodão em alta
Na semana passada, o preço da pluma de algodão registrou um aumento de 0,46%, fechando a R$ 132,78 por arroba, conforme o indicador do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Já o preço do caroço de algodão apresentou uma alta mais expressiva de 2,67%, atingindo R$ 1.404,19 por tonelada. Esse movimento foi influenciado, especialmente, pela valorização do dólar, que impactou diretamente a paridade de exportação de dezembro, a qual registrou um aumento de 2,19% em comparação com a semana anterior.
Projeções de aumento no Valor Bruto da Produção (VBP) do algodão para 2025
A segunda estimativa do IMEA para o Valor Bruto da Produção (VBP) de 2025 em Mato Grosso aponta que o algodão representará 17,41% do total do VBP agrícola do estado. O valor projetado para a cultura é de R$ 27,00 bilhões, o que implica um crescimento de 3,94% em relação à sexta estimativa de 2024. Esse aumento é reflexo da expectativa de uma produção superior para a safra 2024/25, impulsionada pela previsão de maior área plantada.
Impacto da alta no preço do caroço e cenário para a pluma
Além do crescimento na área semeada, o aumento no preço do caroço de algodão tem sido um fator importante para a elevação do VBP. Atualmente, o valor do caroço atinge o maior patamar desde novembro de 2022. No entanto, um ponto de atenção permanece nas negociações da pluma, pois 42,88% da produção ainda precisa ser comercializada. Não há sinais claros de valorização a curto prazo para a pluma, o que pode impactar o VBP final da cultura, especialmente se o mercado não se aquecer nos próximos meses.
Em suma, apesar das expectativas positivas para o VBP do algodão em Mato Grosso, as flutuações nos preços da pluma e do caroço, juntamente com o percentual considerável da produção ainda não negociada, exigem atenção para o comportamento do mercado nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27
Isan Rezende
“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.
Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.
O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.
Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.
Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.
O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.
Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.
Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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